Os filhos medrosos

Terça-feira, 17 Novembro, 2009 at 9:11 | In Filhos / Educação dos Filhos | Leave a Comment
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Há medos instintivos: como a galinha foge ao ver pela primeira vez a raposa, o homem recua diante do que lhe representa perigo. Quando o perigo é determinado e conhecido, o medo revigora o homem para a luta ou para a fuga. Quando, porém, a pessoa teme sem saber ao certo o que nem porque, não tendo para onde fugir, toma o tormentoso caminho da angústia.

É instintivamente que as crianças de dois meses estremecem com ruídos súbitos ou com uma luz mais viva que de repente se acende. E mais tarde choram em face de um desconhecido, correm de animais, recuam ante o fogo, gritam quando as suspendem bruscamente ou as giram, etc.

Medo ao desconhecido

Tudo o que é súbito, intenso ou desconhecido produz medo à criança. É por isso que seus terrores são tanto mais numerosos quanto maior é sua ignorância das coisas. Vejam como se apavora facilmente um pequenino de dois a quatro anos. À medida que ele for tomando conhecimento da vida, vai perdendo muitos medos, a menos que uma errada educação os agrave e multiplique.

Ensina-se o medo

A criança é extremamente sugestionável: aprende com facilidade o que vê e escuta.

Se vê a mãe subir à cadeira por causa de uma barata, o pai espavorido com o número 13, as irmãs apavoradas com o trovão, etc., é natural que tome as mesmas ridículas atitudes. Assim se explicam os idiotas pavores de escuro, máscaras, cor preta, soldado, velho mendigo, sangue, etc.

Do ambiente doméstico lhe vêm outros medos: lobisomem, fantasmas, almas de outro mundo, cadáveres, doenças, micróbios, tabus alimentares, supertições mil, personagens imaginários e até reais, mas que antes devem infundir simpatia – soldado, padre, médico, dentista, mendigo…

Há medos cultivados pelos adultos. Pais, incapazes de se fazerem obedecer, apelam para intimidações; empregadas, para acalmarem as crianças, ou as fazerem comer, dormir, etc., ameaçam-nas com a guarda ou bicho-papão! Mães os sugerem a ponto de deformar a criança.

As sugestões provêm também de histórias macabras, filmes impressionantes (entre estes citamos os “infantis” “Branca de Neve” e “Chapeuzinho Vermelho”), certas revistas de quadrinhos, que vão povoando a imaginação das crianças de cenas de violências e sangue, de personagens agressivos e medonhos, e de perigos que ameaçaram outras crianças.

Recomendações excessivas


- “Não subam nas árvores, para não caírem

- “Não joguem bola, para não se feriem”

- “Não corram na bicicleta, para não quebrarem a espinha”

- “Não se debrucem na janela, que é muito perigoso”

- “Não tomem chuviscos, para não ficarem tuberculosos”

São lições de poltroneria, de falta de iniciativa, de caráter varonil! O que vale é que, em sua maioria, as crianças as desprezam… E se as não desprezam prejudicam-se!

Vida doméstica

Calma e tranqüila, a vida da família espalha nas crianças confiança e bem-estar. Agitada e procelosa, infunde-lhes desassossego e insegurança, levando-as ao medo difuso, gerador de angústias. Se a família é agitada por brigas do casal, por cenas de alcoolismo ou perturbação mental, não admira sejam os filhos agitados por sobressaltos ao menor ruído ou alteração de vozes…

Evitemos o medo

Não pretendemos extirpar da criança todos os medos. Não creio que seja isto possível aos adultos normais. Por mais fortes que sejamos, temos sempre algum medo, embora não o confessemos com facilidade, pois não é lá muito honroso… Procuremos, contudo, evitá-lo nas crianças.

Dar segurança

Um ambiente de segurança, em que os adultos não falem de medos e não os tenham desnecessariamente, é condição essencial. Medo gera medo; segurança estabelece segurança. Amadas, felizes, sentir-se-ão em garantia as crianças. Mesmo em face de perigos, portem-se os pais com moderação e tranqüilidade, sem espantos, porque espanto produz medo.

Ambiente normal

Dê-se aos pequeninos um ambiente normal, habituando-os aos rumores comuns da casa (sem exagerados silêncios para dormirem), à meia luz do quarto para repouso diurno, à escuridão para a noite (e assim se elimina o medo à escuridão).

A criança forte

É necessário dar à criança confiança em si : sono suficiente, alimento, exercício físico, jogos de bola, corrida, exercícios de bicicleta… Isso lhe dá segurança. Arranhou? Mercúrio-cromo… Quebrou? Engessa… Se os companheiros fazem isto tudo, e ela não o faz, por medo, sentir-se-á inferiorizada. O essencial é educar uma criança sadia de corpo e espírito.

Não meter medo

Vigiar para não se falar do que mete medo às crianças; nem a família, nem as empregadas. E quando elas o ouvirem de estranhos, reduzir as coisas a suas verdadeiras dimensões, apontando o ridículo dos que temem o inofensivo.

Não ridicularizar

Quando a criança tem medo (é impossível não o ter), evite-se ridicularizá-la. Mesmo que não haja motivo real, há o subjetivo: ela vê o perigo, porque crê nele! Ridicularizar outros medrosos está certo; a própria criança não, porque isso a inibe e a inferioriza.

Confiança em Deus

Nós, que não compreendemos a educação sem o fator religioso, devemos valorizar, com a criança, a confiança em Deus: Ele nos protege. Pense a criança em Deus, invoque-O, e fique tranqüila.

Temores benéficos

Sempre que haja um perigo real, a criança deve saber temê-lo, a fim de evitá-lo. O melhor será saber com evitá-lo… A boa educação requer que não apenas se conheçam os perigos, mas se saiba evitá-los – preparando a criança para isto.

O temor de Deus

O grande temor de que o educador deve impregnar seus pupilos é aquele a que o Espírito Santo chama “o princípio da sabedoria” (Prov. 1,7). Quem tem na alma, firme e profundo, o temor de Deus, está em condições de resistir a todos os perigos e vencer todos os temores.

Teme-se o pecado, porque é ofensa ao Pai, muito mais do que pela conseqüência de levar ao inferno. Teme-se o perigo de pecar, porque as fragilidades da natureza não precisam mais de experiências para prová-las. Teme-se as más companhias, porque são elementos de perdição mais perniciosos que o próprio demônio.

Educar para o temor de Deus é educar para a sabedoria, porque o “temor do Senhor é a própria sabedoria” (Jo 28,28). É educar para o horror ao mal e o amor ao bem. É educar para a coragem, a fortaleza, a energia, a coerência – virtudes que estão faltando assustadoramente a nossos contemporâneos. É preparar homens que, em face do dever, saberão cumpri-lo sem olhar conveniências subalternas, porque desconhecem o medo da opinião alheia e não se apavoram dos instáveis julgamentos humanos.

É para esta educação que nos devemos orientar.

(Corrija o seu filho – Mons. Álvaro Negromonte)

Fonte: http://a-grande-guerra.blogspot.com/2009/11/os-filhos-medrosos.html

Sobre filhos e valores, ou melhor, imposição de valores

Quinta-feira, 3 Setembro, 2009 at 8:47 | In Bioética / Defesa da Vida, Filhos / Educação dos Filhos, Matrimônio e Família | 1 Comment
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«O casal nunca abortou um filho – e, como se sabe, o procedimento do aborto movimenta uma indústria de milhões de dólares nos EUA. O motivo da “inconveniência” da família Duggar é que ela vive bem usando roupas usadas e sem receber “dinheiro público” para cuidar de seus filhos.»

Leia n’O Possível e O Extraordinário sobre o casal Duggar, do Arkansas, nos EUA; sobre seus 18 (quase 19) filhos; e principalmente sobre o que isso tem a ver com o dinheiro movimentado pela indústria do aborto.

Paz e Bem!

Dom Orani: Família humana deve ser reflexo da Santíssima Trindade

Quinta-feira, 13 Agosto, 2009 at 17:15 | In Matrimônio e Família | 3 Comments
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RIO DE JANEIRO, quinta-feira, 13 de agosto de 2009 (ZENIT.org).- No contexto da Semana da Família no Brasil, o arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, fez um convite a que as famílias humanas busquem ser como a família trinitária.

“Sendo a família humana uma instituição de origem divina, com semelhança da família trinitária, ela somente readquirirá a dignidade perdida quando voltar a ser o reflexo da família trinitária, na qual Deus não só é Pai, mas paternidade, Jesus Cristo não é apenas filho, mas filiação e o Espírito Santo, não é somente união, mas unidade”, afirma o arcebispo, em seu artigo semanal.

Segundo Dom Orani, a família, hoje, “para cumprir sua missão de promotora do bem-estar do ser humano, terá que cada vez mais ser poço de paternidade, berço da filiação e comunidade de amor”.

“É bom relembrar o compromisso solene do casamento cristão, que sempre é proclamado pelos noivos perante a comunidade eclesial: ‘Recebo-te por minha (por meu) esposa (esposo) e te prometo ser fiel na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, amando-te e respeitando-te todos os dias de minha vida’.”

Vê-se, pois –prossegue o arcebispo–, “que o vínculo matrimonial que nasce do amor recíproco se exprime por esse juramento conjugal, que começa e se realiza diante da infinita majestade de Deus por aquele mesmo amor com que o Pai nos amou no seu Filho, Jesus Cristo, e nos santifica pelo Espírito desse Amor, que é o Espírito Santo”.

Dom Orani destaca que, ao celebrar a Semana Nacional da Família, a Igreja no Brasil “quer, uma vez mais, salientar a importância da família, que, talvez mais que outras instituições, tem sido posta em questão pelas amplas, profundas e rápidas transformações da sociedade e da cultura”.

“Por isso, é fundamental um olhar atento, dirigido com carinho, afeto e atenção à família, patrimônio da humanidade e tesouro dos povos”, escreve.

Segundo o arcebispo, “valorizando a família autêntica, de marido e mulher, com uma família bem estruturada, a Igreja no Brasil conclama a todos para que prossigam no objetivo pastoral de Evangelizar pela Família e para a Vida”.

“Quero convidá-los para que junto de sua esposa e filhos sejam cada vez mais comprometidos com a valorização de sua família, e para não medirmos esforços em protegê-la e defendê-la das grandes pressões externas.”

“Que a família brasileira seja respeitada como espaço privilegiado para a existência e a convivência humana”, deseja o arcebispo do Rio de Janeiro.

Fonte: Agência Zenit

Ideologia de Gênero, a imbecilidade da vez

Sexta-Feira, 3 Julho, 2009 at 21:17 | In Feminilidade / Anti-Feminismo, Filhos / Educação dos Filhos, Matrimônio e Família | 3 Comments
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sexo-generoLeiam o que vai abaixo, extraído do blog Mulher 7 por 7, da revista Época. Comento depois:

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Pais não revelam sexo de sua criança de dois anos e meio (por Kátia Mello)

Alguns pais decidem não querer saber o sexo da criança durante a gestação. Esperam pela hora do parto para descobrirem se é um menino ou uma menina. Um casal de 24 anos na Suécia levou esta prática além dessa realidade. Eles se recusam a dizer o sexo de sua criança, que já tem dois anos e meio de idade. “Queremos que Pop cresça com maior liberdade e que não seja forçado a um gênero que o/a moldará”, disse a mãe. Pop (um nome fictício para proteção da criança) usa vestidos e também calças masculinas e seu cabelo muda do estilo feminino para o masculino a cada manhã. Apesar de Pop saber as diferenças entre um menino e uma menina, os pais se recusam a adotar pronomes para chamar a criança. A controversa atitude do casal gerou um intenso debate no país.

O jornal sueco que entrevistou os pais, The Local, conversou com a pediatra sueca Anna Nodenström do Instituto Karolinska sobre os efeitos a longo prazo no comportamento da criança. “Afetará a criança, mas é difícil de dizer se fará mal a ela”, diz a pediatra. “Não sei o que os pais querem com isso, mas certamente ela será diferente”, completou. Anna ainda afirmou que quando Pop entrar na escola, se seu gênero ainda for desconhecido, ela chamará muito a atenção dos coleguinhas.

A psicóloga canadense Susan Pinker autora do livro The Sexual Paradox, também entrevistada pelo jornal sueco, disse que será difícil manter incógnito o sexo da criança por muito mais tempo. “As crianças são curiosas sobre suas identidades e tendem a gravitar em torno das de mesmo sexo no começo da infância”.

Pop logo ganhará um irmãozinho ou irmãzinha, porque a mãe está grávida. Ela afirmou que irão revelar o gênero ”quando Pop quiser”.

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Eis o tipo de aberração à qual a tal “ideologia de gênero” dá origem.

A ideologia de gênero, loucura da vez entre os modernos, “descolados”, não é tão nova assim. Pra quem nunca ouviu falar, é fruto do pensamento marxista (saiba mais neste artigo do Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz). Fundamentalmente, ela diz que não existe um homem natural, nem uma mulher natural. O ser humano nasceria neutro, e a sociedade é que se encarregaria de determinar, ou “impor”, como preferem dizer seus defensores, os papéis de homem ou mulher ao indivíduo. Conforme fosse crescendo e se amadurecendo, o ser humano poderia “adotar” um gênero qualquer, independente de seu sexo biológico. A teoria da ideologia de gênero diz também que a atração heterossexual é muitas vezes “aprendida”, e não inata ao ser humano. Além disso, também diz que o instinto maternal não existe. É algo a que as mulhere são submetidas, uma imposição sócio-cultural.

É claro que um pensamento como este deve ser rechaçado com muito vigor, principalmente pelos cristãos, pois é uma profunda ameaça à família e até mesmo à própria humanidade, pois contraria o direito natural em seus fundamentos mais básicos!

Não é preciso ser nenhum profundo conhecedor da psicologia, ou antropologia, ou seja lá o que for, pra imaginar o dano que os pais da notícia acima estão causando à personalidade e ao caráter sexual de seu(ua) filho(a), na ânsia de protegê-lo(a). Ao invés de educar e conduzir seu(ua) filho(a) a uma descoberta saudável de sua verdadeira identidade sexual (aquela que Deus lhe concedeu, biológica e intelectualmente), os pais dessa criança a educam de forma que ela cresça acreditando que o papel sexual é optativo, que a sexualidade não tem nenhuma função vinculada à vida, que as relações de amor entre as pessoas não passa de uma busca egoísta por prazer, e que nada pode ser duradouro e verdadeiro.

A cada dia que passa o testemunho dos casais cristãos é mais e mais necessário. Devemos dar a nossa vida, se preciso for, para defender a ordem que Deus estabeleceu na criação do mundo. Que o homem assuma seu papel de homem e encontre, assim, sua liberdade. Que a mulher assuma seu papel de mulher e encontre, assim, sua liberdade, porque a verdade é que liberta (Jo 8,32). Já dizia Dom Bosco, se não me engano: “Ser livre não é fazer aquilo que se deseja. Ser livre é desejar aquilo que se deve fazer.”

Pax et Bonum!

Saiba mais:

1963: Discurso de Paulo VI às Famílias Numerosas

Quarta-feira, 29 Abril, 2009 at 10:46 | In A Voz do Santo Padre, Filhos / Educação dos Filhos, Matrimônio e Família | 1 Comment
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DISCURSO DE PAULO VI À FEDERAÇÃO NACIONAL DAS ASSOCIAÇÕES DAS FAMÍLIAS NUMEROSAS

Sábado, 14 de dezembro de 1963

famiglianumerosaCom comovida alegria vos dirigimos as nossas paternas boas-vindas, diletos filhos e filhas, que nos trazem nesta manhã o afeto de todas as famílias numerosas da Itália. Ao receber, de fato, os distintos representantes da Federação Nacional das Associações de famílias numerosas, e as duas Associações romana e lombarda, o nosso coração se abre para saudar todas aquelas famílias, cuja fecundidade, coroada por um magnífico florescimento de filhos, é clara demonstração de uma alta e corajosa concepção da família, e de fé viva e consciente.

Retornam ao nosso pensamento as amáveis ocasiões, nas quais em Milão fomos consolados pelo encontro com os Dirigentes da Associação lombarda, que vemos aqui hoje representada por seu Presidente e por um grosso número de membros; e nos é caro recordar como ela desejou sempre manter-nos informados de suas solicitudes e ânsias, de seus projetos e propósitos, com o intuito de levantar e valorizar energias tão preciosas e caras. Hoje aquele conforto se renova, porque ao lado dos amigos de um tempo, vemos os amigos da nossa diocese romana, reunidos na sua Associação, unidos à Federação Nacional e ao seu notável e caro Presidente.

Diletos filhos,

Vós esperais uma palavra de elogio e de encorajamento do humilde Vigário de Jesus Cristo; e como não poderia dizer-lhe de todo o coração, Ele que bem conhece a vossa posição na sociedade, as dificuldades e as provas que encontram, as aspirações e ideais que vos movem? A vossa presença no mundo é um testemunho de fé, de coragem, de otimismo; é um ato de confiança viva e total na Providência Divina, e uma celebração eloqüente dos valores mais altos e santos da família; é um atestado de reta consciência moral, em uma sociedade e em um particular momento que apresentam, às vezes, sintomas preocupantes de egoísmo, de indiferença, de hedonismo estreito e freqüentemente conformista aos costumes decadentes.

Vós tens uma grande e complexa função a cumprir: aquela de defender, junto com outras nossas beneméritas iniciativas, o instituto familiar, na sagrada e inviolável firmeza dos sentimentos e dos vínculos que a constituem, aquela de honrar a família na sua primária finalidade, que é aquela de ser nascente bendita e fecunda da vida humana, aquela de assistir os lares onde a prole é numerosa e há a necessidade de particular cuidado e de solidariedade social, aquela de sugerir aos legisladores a emanação de peculiares provimentos jurídicos idôneos para confortar os núcleos domésticos em sua orgânica e natural coesão e no cumprimento de sua missão educativa, aquela de oferecer à sociedade o exemplo e a apologia de famílias exemplares, as quais pela abundância mesma dos filhos experimentam exercícios de virtude humana e cristã de altíssimo valor, e derivam muitas vezes mais profundas e admiráveis expressões de amor mútuo, de piíssima religiosidade, de incomparáveis afetos e de pura felicidade.

Nós não hesitamos, portanto, em comparar esta vossa atividade a respeito da sociedade moderna, ao fermento evangélico que, embora exíguo e pouco aparente, faz fermentar a massa (cf. Mt 13,33), permeando-a e levantando-a toda; e por isso amamos atestar-vos a nossa paterna simpatia, com o encorajamento de continuar com perseverante confiança no caminho, que realizas junto com os vossos filhinhos: caminho muitas vezes duro e desconfortável, mas também bendito de tanta satisfação humana e, sobretudo, de copiosas graças celestes, que vos preparam uma luminosa coroa no Céu.

Coragem, diletos filhos e filhas: nós estamos com vocês na oração cotidiana, a fim de que o Senhor vos acompanhe sempre com seu terníssimo e providente amor, sustentando-vos no cumprimento dos vossos deveres de educadores e de plasmadores de consciências, ajudando-vos a superar as provas, confortando-vos sempre, em cada hora da vossa vida.

E invocando-vos os dons contínuos da sua paz, transmitimos a todos vós, aqui presentes, aos que vos são caros, às vossas Associações e a todas as famílias numerosas da Itália, nossa propícia Bênção Apostólica.

Tradução livre. Original em http://www.vatican.va/holy_father/paul_vi/speeches/1963/documents/hf_p-vi_spe_19631214_famiglie_it.html.

Filhos: um peso ou um bem?

Sexta-Feira, 27 Março, 2009 at 16:36 | In Filhos / Educação dos Filhos, Matrimônio e Família, Moral e Sexualidade | 1 Comment
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«Muitos casais, mesmo católicos, estão dispostos a fazer grandes sacrifícios para obter uma casa ou um carro, pelo simples fatos dessas coisas serem bens. Não querem, contudo, encarar o alegre sacrifício que supõe ter filhos. Parecem não entender que a fecundidade é o maior bem que uma família pode ter.»Pe. Cormac Burke

Já há algum tempo eu estava com intenção de publicar aqui um artigo, longo mas belíssimo, do Pe. Cormac Burke, ex-juiz da Rota Romana e especialista em Teologia Moral e Direito Canônico.

Pra quem não sabe, a Rota Romana é o Supremo Tribunal da Igreja Católica, responsável, entre outras coisas, a julgar os pedidos de nulidade matrimonial.

Percebi que não poderia adiar a publicação deste artigo por causa da notícia que li hoje na Folha de S. Paulo, dizendo que o Senado aprovou um projeto que obrigará os planos de saúde a cobrir “planejamento familiar”. A questão é que, por “planejamento familiar” a lei reconhece vasectomia, laqueadura, e segundo uma lei de 1996, até fertilização in-vitro (FIV).

«Os filhos são o dom mais excelente do Matrimônio e contribuem grandemente para o bem dos próprios pais. Deus mesmo disse: “Não convém ao homem ficar sozinho” (Gn 2,18), e “criou de início o homem como varão e mulher” (Mt 19,4); querendo conferir ao homem participação especial em sua obra criadora, abençoou o varão e a mulher dizendo: “Crescei e multiplicai-vos” (Gn 1,28). Donde se segue que o cultivo do verdadeiro amor conjugal e toda a estrutura da vida familiar que daí promana, sem desprezar os outros fins do Matrimônio, tendem a dispor os cônjuges a cooperar corajosamente como amor do Criador e do Salvador que, por intermédio dos esposos, quer incessantemente aumentar e enriquecer sua família.»C.I.C. §1652

children-screensaverA Doutrina Católica sobre o matrimônio cristão ensina que os filhos são dons de Deus, concedidos pela sua infinita bondade, que permite e ordena o amor conjugal para que se frutifique. A relação conjugal, para ser verdadeiramente uma relação de amor, precisa estar aberta à vida. Os esposos que quebram voluntariamente e artificialmente o vínculo unitivo e procriativo que Deus quis que existisse naturalmente na relação sexual estão cometendo pecado grave. Estão maculando sua própria relação de amor, pois descumprem a promessa feita a Deus perante a Igreja de “aceitar de bom grado os filhos que Deus vos mandar”.

Incorrem neste erro não somente os casais que recorrem a métodos artificiais para a contracepção, mas também aqueles que recorrem à fertilização in-vitro, inseminação artificial, etc. Diz o Catecismo da Igreja Católica, em seu parágrafo 2377:

«Praticadas entre o casal, estas técnicas (inseminação e fecundação artificiais homólogas) são talvez menos claras a um juízo imediato, mas continuam moralmente inaceitáveis. Dissociam o ato sexual do ato procriador. O ato fundante da existência dos filhos já não é um ato pelo qual duas pessoas se doam uma à outra, mas um ato que remete a vida e a identidade do embrião para o poder dos médicos e biólogos, e instaura um domínio da técnica sobre a origem e a destinação da pessoa humana. Tal relação de dominação é por si contrária à dignidade e à igualdade que devem ser comuns aos pais e aos filhos”. “A procriação é moralmente privada de sua perfeição própria quando não é querida como o fruto do ato conjugal, isto é, do gesto específico da união dos esposos… Somente o respeito ao vínculo que existe entre os significados do ato conjugal e o respeito pela unidade do ser humano permite uma procriação de acordo com a dignidade da pessoa.”»

Os destaques e grifos são meus.

É preciso dizer que nem de longe é verdade o que alguns, desprovidos de informação correta acerca da Doutrina, afirmam. Por exemplo, que para a Igreja, o sexo é só pra reprodução; ou que a Igreja é contra a contracepção em qualquer circunstância. Não, não é verdade.

A Igreja realmente vê com muito bons olhos as famílias numerosas (cf. C.I.C. §2373), porém, ela reconhece que em certos casos, por razões não egoístas, os casais têm necessidade de espaçar os nascimentos dos filhos, ou suspendê-los. A Igreja não é contra a Paternidade Responsável. Ela só quer que a Paternidade Responsável seja realizada de forma não egoísta; que esteja de acordo com uma justa generosidade; e que o façam de acordo com os critérios objetivos da moralidade (cf. C.I.C. §2368). Esses critérios são explicados no parágrafo 2369 do Catecismo:

«Salvaguardando estes dois aspectos essenciais, unitivo e procriador, o ato conjugal conserva integralmente o sentido de amor mútuo e verdadeiro e a sua ordenação para a altíssima vocação do homem para a paternidade.»

Portanto, a regulação dos nascimentos só é válida para um casal cristão quando há uma justa razão para tal (uma que não seja baseada no egoísmo), e que seja um método natural, que recorra aos ritmos naturais impressos pelo Criador em cada pessoa, e não interfira artificialmente na doação mútua entre os esposos.

Uma coisa que é preciso ser dita, e que o Pe. Cormac explica muito bem em seu artigo, é que hoje em dia os filhos raramente são vistos como um bem, como um dom, como alguém que vai trazer coisas muito positivas para a família. Infelizmente até mesmo grande parte dos católicos foram contaminados com a (falsa) idéia de que um filho significa muita despesa, muita dor de cabeça, muito trabalho e um padrão de vida certamente inferior. Onde foi parar a generosidade?

Reflitamos com Pe. Cormac Burke em seu artigo, abaixo:

Continue reading Filhos: um peso ou um bem?…

O que dizer para meu filho se ele me perguntar sobre o meu passado?

Terça-feira, 3 Março, 2009 at 17:08 | In Filhos / Educação dos Filhos, Matrimônio e Família, Moral e Sexualidade | 2 Comments
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Por Mary Beth Bonacci*, tradução livre, original em Ignatius Insight.

«Seja o que você disser, cuidado com a Síndrome do “Felizes Para Sempre”.»

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Na noite passada, tive um adorável jantar com cinco mulheres realmente maravilhosas.

As mulheres eram todas mães que pertenciam a um clube de leitura, e elas me convidaram mais para discutir o novo livro que estou escrevendo, o qual será muito parecido com meu livro Real Love (tradução livre: Amor de Verdade), mas voltado para o intuito de responder aos questionamentos de pais e educadores.

O que eu queria saber dessas mulheres era seus próprios questionamentos. Depois de vinte e poucos anos dando palestras para pais e mães, eu passei a ter uma boa idéia do que se passa pelas suas cabeças. Mas em Real Love eu usei questionamentos reais dos adolescentes reais, e eu quero fazer o mesmo neste livro. Então, estas adoráveis mulheres convidaram-me para passar uma noite batendo-papo.

Foi uma discussão bem legal. Elas tinham um monte de perguntas — e um monte de idéias — em uma vasta gama de tópicos relacionados à questão da castidade. Mas a maior parte da noite passamos discutindo a principal questão que aterroriza os corações dos pais: “O que dizer para o meu filho se ele me perguntar sobre o meu passado?”.

Eu posso sentir o quanto isso seria assustador. Os pais se orgulham por manter relações honestas com seus filhos. Eles querem que seus filhos tomem decisões melhores do que eles próprios tomaram. Então, eles devem partilhar informações sobre os erros que cometeram no passado e as conseqüências desses erros, esperando que seus filhos se beneficiem com a informação? Ou isso os torna hipócritas, por esperar que seus filhos vivam de uma forma em que eles mesmos falharam?

Eu normalmente respondo à pergunta com outra pergunta: Quando você era adolescente, você alguma vez perguntou aos seus pais sobre suas vidas sexuais antes do matrimônio? A resposta normalmente é horrorizada: “Ah não, eu nunca nem sonhei em perguntar pra eles uma coisa assim”.

Por quê você não deveria perguntar aos seus pais? Porque esta é uma questão pessoal. Porque o assunto reside numa área do outro lado de O Divino Entre Pais e Filhos, que no meu tempo ninguém ousava violar.

Talvez haja algo a aprender aqui.

Eu sei que hoje em dia os pais querem estar mais perto de seus filhos, e isso não é ruim. Mas devem existir limites. E tais limites incluem informações sobre a vida sexual de seus pais.

Por quê? Porque sexo é algo privado. É sagrado. Os pais têm um certo direito à privacidade em sua própria relação. Ela não deve ser um grande livro aberto que a família inteira possa ler à vontade.

Alguns pais pensam que é melhor compartilhar seus próprios erros pessoais com seus filhos. Eles pensam que irão explicar como esses erros os machucaram, as conseqüências que eles viveram como resultado, e seus filhos podem se beneficiar da experiência e não cometer os mesmos erros.

Eis o problema deste pensamento. Os filhos não são como nós. Seu processamento cognitivo é muito mais concreto. Eles não são tão bons quanto gostaríamos em “pegar” conceitos abstratos e descrições. Eles ficam muito mais impressionados com aquilo que eles podem ver agora do que com histórias de coisas que aconteceram num passado remoto. Você pode descrever seu passado com detalhadíssimos pormenores. E ainda assim, o que seu filho vê? Provavelmente um pai ou uma mãe relativamente atraente, relativamente bem-sucedido financeiramente para quem parece, de modo geral, estar dando tudo certo. E então ele pensa: “Eu posso fazer o que a mamãe fez e, no final, vai dar tudo certo”.

Eu chamo isso de Síndrome do Felizes Para Sempre. E ela é muito, muito perigosa.

É claro que há situações em que um pai ou mãe terá que explicar os erros do passado. Por exemplo, uma data de nascimento que não coincide com o aniversário de casamento. Um meio-irmão. Qualquer informação pública, óbvia ou que possa ser facilmente descoberta, obviamente tem de ser tratada. Neste caso, os pais devem fazer o melhor que podem. Se um filho nasceu como resultado de um “erro”, e especialmente quando falando com este filho, afirme o seu valor e esteja certo de que ele ou ela compreendeu que o erro foram as circunstâncias ou o momento, e não a criança. Enfatize as dificuldades e como eles teriam sido aliviados se o momento ou as circunstâncias tivessem sido diferentes. E então afirme a criança novamente. E novamente, e novamente.

Além disso, eu recomendo fortemente que os pais se empenhem em criar um ambiente onde os filhos compreendam que há uma certa esfera de privacidade em torno do matrimônio de seus pais — não porque há qualquer coisa má sobre ele, mas por causa da sacralidade de sua intimidade.

A próxima questão lógica é sobre hipocrisia. Eu sou uma hipócrita se eu espero que meus filhos vivam um padrão no qual eu própria falhei? Não. A definição de hipócrita é alguém que defende uma coisa enquanto faz o oposto. Em outras palavras, você seria um hipócrita se você esperasse que seus filhos vivessem em castidade enquanto você vivesse de maneira não-casta em sua vida pessoal. Isso é muito diferente de ter cometido erros, ter vivido as conseqüências e não querer que seus filhos encarem as mesmas conseqüências.

Veja, a meta aqui é mais do que simplesmente manter seus filhos longe de relações sexuais. É instigar neles o sentido da beleza, do significado e da sacralidade da união sexual dentro da união matrimonial.

Não apenas fale com eles sobre isso. Viva isso.

———

* Mary Beth Bonacci é internacionalmente conhecida por suas palestras e escritos sobre amor, castidade e sexualidade. Desde 1986 ela falou para dezenas de milhares de jovens, incluindo 75 mil pessoas em 1993 na Jornada Mundial da Juventude em Denver, Colorado, EUA. Ela aparece freqüentemente no rádio e em programas da TV, incluindo várias participações na MTV.

Mary Beth escreveu dois livros, We’re on a Mission from God (tradução livre: Estamos em uma Missão Divina) e Real Love, e também escreve regularmente uma coluna para várias publicações. Ela produziu numerosos vídeos, incluindo sua novíssima série de filmes, também intitulado Real Love. Seu vídeo Sex and Love: What’s a Teenager to Do? (t.l.: Sexo e Amor: O Que Um Adolescente Faz) recebeu em 1996 o prêmio Crown Award for Best Youth Curriculum.

Mary Beth é bacharel em Comunicação Organizacional pela Universidade de San Francisco, e é mestre em Teologia Matrimonial e Familiar pelo Instituto João Paulo II, na Universidade Lateranense. Ela também foi nomeada doutora honorífica em Comunicações pela Universidade Franciscana de Steubenville, e está listada em Outstanding Young Woman of America for 1997. Seu apostolado, Real Love Incorporated é dedicado a apresentar a verdade sobre os ensinamentos da Igreja sobre sexualidade, castidade e matrimônio.

Dica de Livro

Quarta-feira, 17 Dezembro, 2008 at 8:47 | In Matrimônio e Família | 2 Comments
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O Quinto FilhoLuiz Antônio de Souza Silva é um promotor público atuante no estado do Espírito Santo. Coerente com sua condição de cristão, é preocupado com o bem-estar e a promoção da família na formação do ser humano. O Palavras Apenas já publicou um artigo de sua autoria (aqui).

Ele também sabe o valor que tem um filho: ele tem cinco.

No seu livro “O Quinto Filho”, ele desenvolve reflexivas abordagens político-sociológicas, como pistas para a promoção do reencontro do ser humano com afamília no enigmático mundo contemporâneo.

Eu já li o livro e recomendo. As reflexões do amigo Luiz Antônio têm na defesa do ser humano e da família sua preocupação fundamental.

Título: O Quinto Filho

Editora: Formar

Páginas: 128

Preço: R$ 29,00

Como adquirir: Faça um depósito na conta do autor (vide abaixo), no valor da quantidade total da quantidade de livros que deseja adquirir, e mais R$ 5,00 para as despesas de postagem (valor único para qualquer quantidade de livros). Depositado o valor, envie o comprovante para o e-mail do autor (lussilva@terra.com.br) informando a quantidade de livros que deseja adquirir. Uma vez recebido o e-mail, autor se compromete a remeter o(s) livro(s) no prazo de dois dias.

Conta Corrente para Depósito: Banco do Estado do Espírito Santo (BANESTES) – Agência 0104 – Conta Corrente 1.800.804. Luiz Antônio de Souza Silva.

Paz e Bem!

Crise da família, início da crise social

Terça-feira, 25 Novembro, 2008 at 13:58 | In Matrimônio e Família | 3 Comments
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Familia

Gostei muito de ler os comentários do filósofo Rocco Buttiglione sobre os efeitos da crise da família na sociedade. 

Entre muitas outras coisas, ele destaca a importância fundamental da presença dos papéis masculino e feminino na educação dos filhos, e a descaracterização da identidade feminina que acontece quando se tenta negar sua aptidão natural à concepção e à maternidade. Ele diz que a sociedade que rejeita a feminilidade e que não prepara suas mulheres para serem mães, “se consome e morre”.

Vale a pena ler:

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CRISE DA FAMÍLIA, INÍCIO DA CRISE SOCIAL

Segundo o filósofo e político Rocco Buttiglione

 

Por Francisco Javier Tagle

SANTIAGO, segunda-feira, 24 de novembro de 2008 (ZENIT.org).- O começo da crise da família é o princípio de uma crise social mais extensa, afirmou o filósofo e político italiano Rocco Buttiglione nas páginas do último número de revista Humanitas (www.humanitas.cl). 

Seu texto corresponde à conferência que pronunciou no claustro da Universidade Católica, em Santiago, para a inauguração do «Centro UC para a Família». 

«Os jovens sempre criticaram a autoridade e chocaram com seus pais. Mas aconteceu raras vezes na história que os pais fugiram do seu dever e renunciaram por covardia à sua missão. Mitscherlich e Van der Does de Villebois foram os primeiros em chamar a atenção sobre o risco de uma sociedade sem pai, na qual os jovens homens não interiorizam os valores fundamentais da virilidade, não aprendem a beleza de cuidar de uma mulher e dos filhos gerados com ela», diz o acadêmico, que é membro do Conselho de Consultores e Colaboradores da Revista Humanitas

Em seu texto, o autor começa por explicar que o amor é um ato de vontade, que contém a decisão de resistir diante das provas da vida e do amor. «Poderíamos dizer que o amor é um enamoramento aprovado e sancionado pela razão. O amor não é (só) um estado emocional, mas é a decisão de pôr sua própria vida ao serviço do cumprimento da vocação da pessoa amada na verdade e no bem», assinala. 

Na relação do homem com a mulher, explica, o amor faz que a pessoa já não possa definir a si mesma, mas só através da pessoa amada: «somos uma pessoa na outra e uma para a outra». Desta maneira, afirma que, ainda que o amor contenha muitas penas e problemas, nada torna a vida mais plena como amar e ser amado. 

«O amor gera uma nova vida. Ainda que esta eventualidade em geral esteja presente só vagamente na consciência dos esposos, o fato de que dos atos sexuais nasçam crianças não é só extraordinariamente importante para a sociedade, mas contribui de maneira decisiva para dar forma ao amor do homem e da mulher», explica. 

Daí, adverte, a diferença entre o enamoramento e o amor. Enquanto o primeiro é somente um estado emocional, o segundo responde a um ato de vontade. «O amor conjugal assume conscientemente o desejo sexual e suas conseqüências na geração dos filhos, e oferece seu apoio para que se cumpra o destino, próprio e do outro, de converter-se em pai e mãe, de serem pais», diz. 

É por isso que, assinala Buttiglione, um «simples» estado emocional como o enamoramento não é suficiente para gerar um filho, como é, ao contrário, um amor conjugal estável e fiel, já que neste último prometemos nosso amor, atenção e felicidade, «na saúde e na doença». 

«É claro que quando nos prometemos mutuamente amor e felicidade para toda a vida, fazemos algo extremamente árduo. Quem pode pensar que tem em si a força moral suficiente para estar seguro de que manterá este compromisso diante das imprevisíveis vicissitudes que a vida nos apresenta?», adverte o acadêmico, e responde que «é por isso que os crentes confiam a Deus a esperança de uma promessa cujo cumprimento pode assegurar-se só com a sua ajuda». 

Com relação aos filhos, o político italiano explica que a criação e educação de uma criança «é uma tarefa árdua», pelo que sempre será melhor a presença do homem consciente também de sua responsabilidade. 

«Nos primeiros meses de vida, a criança reconhece sua mãe: acostumou-se por nove meses ao batimento de seu coração. Ao contrário, o recém-nascido não reconhecerá seu pai: é através da mediação da mãe que o pai é reconhecido como tal pela criança», manifesta. A mãe, geralmente, é a encarregada de dar «segurança» à criança, enquanto o pai será quem, habitualmente, lhe ensinará o sentido do «dever». 

«Portanto, o papel masculino e o feminino se diferenciam por razões naturais e funcionais», assinala. Ainda que a distinção não seja rígida e vá mudando com o tempo e o espaço, a diferença é necessária para «sustentar o processo da educação. Além disso, a diferenciação tem uma base natural na estrutura biológica do homem e da mulher», manifesta. 

Buttiglione se pergunta acerca de se é possível uma civilização que rejeite o dom da feminilidade, que fuja da tarefa de preparar as mulheres para serem mães. «Quando ocorre, a sociedade se consome e morre», responde. E agrega: «Em geral, isso marcou mais o destino e decadência de grupos dirigentes reduzidos como na crise final do Império Romano. Mas em nossa época, o fenômeno adquire uma dimensão de massas e ameaça a própria sobrevivência de nossa cultura», adverte. 

Na cultura feminista, exemplifica, a concepção, que é a essência da feminilidade, é vista como negativa; assim também o papel do pai, que também foi questionado mediante a «demonização» da autoridade. 

A crise da família afeta, em conseqüência, toda a sociedade, devido a que «o ideal de fraternidade humana, de todos os homens, seria inconcebível se não existisse a própria experiência da família». Buttiglione expõe em seu texto que a família é o princípio de unidade dos seres humanos, onde a unidade não nasce da opressão, mas da entrega mútua de reconhecimento, liberdade e amor.

Fonte: http://www.zenit.org/rssportuguese-20148

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Paz e Bem!

Reflexões sobre o matrimônio – III

Quinta-feira, 6 Novembro, 2008 at 9:33 | In Matrimônio e Família, Reflexões sobre o Matrimônio | 6 Comments
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Os graciosos pássaros da foto ao lado são um casal de Agapornis, uma espécie originária da África, e muito querida por ornitólogos (criadores de pássaros) do Brasil e do mundo.

Seu nome, Agapornis, vem do grego αγάπη [agape = amor] + όρνις [ornis = pássaro], ou seja, “pássaro do amor”. Nos EUA esta espécie é conhecida como “lovebird”; na França, como “les inséparables”…

Por vezes, Deus usa a própria natureza para mostrar ao homem o Bem da fidelidade para os casais. O motivo para o nome de agapornis, ou simplesmente “pássaro do amor”, é muito simples: o agapornis é um pássaro fiel. Isso mesmo, o agapornis é um pássaro monogâmico e fiel. Quando um macho encontra a fêmea que vem a se tornar seu par, eles permanecem juntos até o fim da vida. 

Quando estão juntos, o casal é muito amável um com o outro. Dormem no mesmo galho, “coladinhos” um no outro, e às vezes é possível vê-los trocando carinhos com os bicos.

Além disso, dizem alguns pesquisadores que, mesmo após a morte, eles não procuram outro(a) parceiro(a) para se acasalar novamente, e que, quando morre o(a) parceiro(a), eles parecem “sentir” a falta do(a) companheiro(a). Como se estivessem numa espécie de luto, passam algum tempo no mesmo galho, sem sair nem mesmo pra procurar comida.

Que bela lição do Criador, não é? Este comportamento do agapornis muito me fez refletir sobre um dos ingredientes fundamentais do Verdadeiro Amor: a fidelidade e exclusividade até o fim da vida!

Infelizmente nós, seres humanos, somos muito lentos pra perceber a grandeza e a beleza da mensagem que Deus deixou estampada justamente nos nossos corpos, quando nos criou à sua imagem e semelhança. No Paraíso, antes da queda, homem e mulher tinham a mesma visão de Deus, e por isso estavam nus um diante do outro e não se envergonhavam (cf. Gn 2,25), mas ao contrário, podiam, cada um com sua pureza, contemplar o fato de que seus corpos foram feitos um para o outro, convidando-os à comunhão atráves do dom total e irrevogável de si mesmo. Deus os criou de forma que compreendessem que a complementaridade dos sexos tem um meta, pois a partir de então diz a Escritura, “todo homem deixaria seu pai e sua mãe, e se uniria à sua mulher, e os dois seriam a partir de então uma só carne” (cf. Gn 2,24). Por isso, a relação conjugal no plano divino tem uma linguagem própria que deve expressar aquele dom total que os noivos se comprometeram no altar ao dizer seu “sim”: sim, eu aceito ser todo seu, até o fim, aconteça o que acontecer! Esta radicalidade na entrega, que só pode ser realizada por seres humanos (daí a singularidade destes pássaros que nos imitam!) é o que há de mais belo e nobre no amor humano. E porque experimentamos em nossa natureza ferida pelo pecado o peso que exige esta fidelidade, Jesus veio com sua autoridade de Verbo Divino, reiterar a indissolubilidade dessa bênção, ou seja, a impossibilidade de se desfazer essa união numa só carne, dizendo que “o homem não pode separar o que Deus uniu” (cf. Mt 19,6).

Sua Santidade o Papa Paulo VI, em sua maravilhosa Encíclica Humanae Vitae, deixou-nos o seguinte ensinamento a respeito da fidelidade e exclusividade conjugal:

«[O Verdadeiro Amor, isto é, o amor conjugal] é, ainda, amor fiel e exclusivo, até à morte. Assim o concebem, efetivamente, o esposo e a esposa no dia em que assumem, livremente e com plena consciência, o compromisso do vínculo matrimonial. Fidelidade que por vezes pode ser difícil; mas que é sempre nobre e meritória, ninguém o pode negar. O exemplo de tantos esposos, através dos séculos, demonstra não só que ela é consentânea com a natureza do matrimônio, mas que é dela, como de fonte, que flui uma felicidade íntima e duradoura.»

– Humanae Vitae, n. 9

O que o Santo Padre Paulo VI nos quer dizer é que a fidelidade no matrimônio é natural, isto é, faz parte da natureza do próprio matrimônio, e os cônjuges consentem com isso no dia do grande “sim”. Mais que isso, o Santo Padre ensina que isto pode ser observado no testemunho de muitos e muitos esposos ao longo dos séculos. Como se não bastasse, ele termina com a “cereja do bolo”, ao dizer que é a fidelidade conjugal que proporciona uma felicidade íntima e duradoura. Quem não deseja isso? Felicidade íntima e duradoura, até o fim da vida!

Não é uma pena que, nos meios sociais modernos, a fidelidade conjugal esteja tão “fora de moda”? Não dá pra contar nos dedos a quantidade de adultérios que ocorrem nas telenovelas, por exemplo.

Também não é uma pena que a Santa Igreja, Mãe e Mestra, “especialista em humanidade” — nas palavras do próprio Papa Paulo VI — tendo tanto a ensinar-nos a respeito da felicidade conjugal e, conseqüentemente, a felicidade da família, seja tão pouco ouvida por nós, seus filhos?

«Existem pessoas que tentam ridicularizar, ou mesmo negar, a idéia de que exista um vínculo de fidelidade que dure por uma vida inteira. Tais pessoas – tenham plena certeza – não sabem o que é o amor.»

– Papa João Paulo II

Além da felicidade íntima e duradoura, é preciso também lançar luzes sobre a fidelidade conjugal como fonte de onde jorra o Bem para a família, de forma especial para a prole. Se a principal responsabilidade dos pais é o privilégio de criar e educar seus filhos na Fé e na Lei de Deus, parece óbvia a vantagem de que os pais façam isso juntos. O § 2222 do Catecismo da Igreja Católica – C.I.C. – é claro ao afirmar que os pais “educarão seus filhos no cumprimento da lei de Deus, na medida em que eles próprios se mostrarem obedientes à vontade do Pai dos céus”. Como não dizer que a fidelidade dos pais, e sua união conjugal duradoura, até o fim da vida, não é um belo e eficaz testemunho para os filhos de como viver bem o matrimônio?

Portanto, é inegável que, também os filhos, recebem uma belíssima catequese de seus pais, quando estes permanecem fiéis por toda a vida. Outra profunda catequese sobre a fidelidade conjugal pode ser encontrada também no Catecismo:

“Pela sua própria natureza, o amor conjugal exige dos esposos uma fidelidade inviolável. Esta é uma consequência da doação de si mesmos que os esposos fazem um ao outro. O amor quer ser definitivo. Não pode ser «até nova ordem». «Esta união íntima, enquanto doação recíproca de duas pessoas, tal como o bem dos filhos, exigem a inteira fidelidade dos cônjuges e reclamam a sua união indissolúvel».

O motivo mais profundo encontra-se na fidelidade de Deus à sua aliança, de Cristo à sua Igreja. Pelo sacramento do Matrimónio, os esposos ficam habilitados a representar esta fidelidade e a dar testemunho dela. Pelo sacramento, a indissolubilidade do Matrimónio adquire um sentido novo e mais profundo.”

– C.I.C.§§ 1646-1647

É portanto forçoso reconhecer quanto Bem a fidelidade até a morte pode trazer, primeiro para o casal, depois para seus filhos e, portanto, para a família como um todo e, por último e em decorrência disso, a toda a sociedade. É claro que este Bem não vem sem certo sacrifício, e é justamente por isso que a Igreja reconhece que o matrimônio é “lugar de santificação”. O importante é que jamais deixe de existir aquele Verdadeiro Amor,  do qual somente é capaz o homem e a mulher, enquanto seres humanos, quando se unem “numa só carne”, Amor que é doação livre, total, fecunda e fiel.

Como diria o nosso saudoso Papa João Paulo II:

«A pessoa que não se decide a amar pra sempre, irá perceber que é muito difícil amar mesmo que por um só dia.»

Que os agapornis tenham sempre a quem imitar!

Paz e Bem!

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Colaboraram para esta edição: José Roldão e Julie Maria.

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