Catolicismo pretensioso

Sexta-Feira, 20 Março, 2009 at 12:16 | In Bioética / Defesa da Vida, Fé e Igreja | 8 Comments
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Eis que abro meus e-mails hoje e me deparo com esta lamentável mensagem. Leiam primeiro, comento depois:

***
———- Forwarded message ———-
From: [omitido]
Date: 2009/3/20
Subject: do ” Dom da paz ” ao ” Dom do estupro”

Ontem em uma reunião com vários colegas fiquei surpresa ao saber, as dimensões que tomaram o caso da criança estuprada em Alagoinha-Pe e como causou revolta e indignação na população, em geral, as palavras do representante da Igreja em Olinda e Recife.

Com efeito, para a imensa maioria do povo brasileiro, ele passou a imagem de um homem, extremamente arrogante e sem nenhuma misericórdia.

Todos ficaram impressionados, como ele se apressou em julgar, sentenciar e aplicar a pena.

A forma que ele se apressou em procurar a mídia, para anunciar a “excomunhão” de uma mãe desesperada, pobre e sem recursos e dos médicos envolvidos, foi surpreendente.

Diziam que ele saiu de seu “trono” onde reina como um “semideus” onde determina quem é quem, sem jamais se aproximar do pobre, dos miseráveis e dos que sofrem.

Que, ele deixou, para o povo, a nítida idéia que a Igreja ampara o estuprador e os pedófilos e condena a vítima e as pessoas que as acolhem.

Em tom de brincadeira, mas falando sério, o elegeram como futuro santo protetor dos estupradores e pedófilos.

Todos se perguntam será o inicio do fim da Igreja de Roma?

Espero, que não. A Igreja Católica não merece esse triste fim.

Alguns de nós, defendeu a Igreja dizendo que a imensa maioria do clero se dedica a ajudar o povo, que não está em busca da mídia e que faz um trabalho maravilhoso e que, Graças a Deus, esse bispo é uma exceção à regra. Ele necessita da mídia e para ter visibilidade sai falando o que lhe vem á cabeça.

Mas, infelizmente, já foi lançada à campanha:

Dom José de Recife Padroeiro dos estupradores e pedófilos.

Foi com muita a tristeza que constatei que a imensa maioria das pessoas acredita que onde viveu o amado “Dom da Paz” hoje vive um Dom que desagrega e defende estupradores pedófilos.

Nossa Senhora Menina, rogai por nossas crianças desamparadas.

***

Antes de fazer comentários sobre as bobagens escritas por esta senhora (cujo nome eu omiti para me resguardar das ameaças que já recebi. Doravante, chamarei pelo nome fictício de “Ébete Nuñez”), devo esclarecer que:

a) Ébete é manifestamente favorável ao aborto;

b) Ébete é favorável à união civil entre homossexuais;

c) Ébete é absolutamente anti-Catecismo, anti-Magistério e anti-clerical.

Além disso, Ébete já é conhecida no meio blogueiro católico por suas falhas crassas de argumentação, sua leitura “seletiva” e, principalmente, porque apesar de tudo isso, ainda se declara como sendo “católica”. Pretenso catolicismo, não? Tão pretenso quanto o de qualquer uma das “católicas pelo direito de assassinar”.

Por quê publicar aqui e comentar as idiotices que ela diz? Simplesmente porque ela, ao invés de publicá-las em um blog, permitindo os comentários e o livre debate, de forma que outros a possam questionar e argumentar contra ela, ela prefere enviar seu vômito intelectual e doutrinário por e-mail para uma lista de inúmeras pessoas, em cópia oculta, disseminando assim suas mentiras e o seu veneno anti-eclesial e anti-clerical de forma que ninguém possa desmenti-la e nem argumentar contra ela diante da mesma platéia que ela tentou enganar.

Pois bem, neste e-mail ela faz uma comparação entre Dom José Cardoso Sobrinho, um bispo muito ortodoxo e fiel ao Santo Padre que pastoreia a Arquidiocese de Olinda e Recife, e Dom Hélder Câmara, seu antecessor, um bispo muito conhecido e admirado, mas com posições dúbias e controversas em muitas matérias doutrinais, por ter sido um dos maiores nomes da “heresia da libertação”, um mal que tomou conta da Igreja da América Latina durante alguns anos, mas que agora, graças a Deus, está em vias de extinção.

A Dom Hélder, Ébete chama de “o Dom da paz”, e a Dom José Cardoso Sobrinho, ela chama de “o Dom do estupro”, como se Dom José tivesse culpa, ou se em algum momento ele tivesse defendido o estuprador da garota de 9 anos grávida de gêmeos de Pernambuco.

Infelizmente, o sensacionalismo da mídia, a omissão da verdade de certas autoridades e a desonestidade intelectual, a verdadeira má-fé de quem procura informações sobre o assunto e prefere dar créditos a quem não merece, e divulgar mentiras e preconceitos contra a Igreja de Jesus cristo, como é o caso da Ébete, infelizmente tudo isso fez com que muita gente no Brasil acompanhasse o caso da garota de Pernambuco de forma insensível, maqueada, e sem acesso à verdade.

Muita gente criticou Dom José simplesmente por ele ter se lembrado de que, para a Igreja, ainda que o estupro seja um crime hediondo, quanto mais aquele cometido contra uma menor, mais horripilante ainda é o assassinato de dois seres indefesos e inocentes dentro do lugar que deveria ser um santuário de conforto e segurança, o útero materno.

Dom José, um bispo da Igreja, honrado homem de Deus, só estava fazendo aquilo que lhe compete enquanto sucessor dos Apóstolos de Nosso Senhor, e Arauto do Evangelho da Vida: defender a vida humana!

Disse o Papa João Paulo II (grifos meus):

A Igreja sabe que este Evangelho da vida, recebido do seu Senhor, encontra um eco profundo e persuasivo no coração de cada pessoa, crente e até não crente, porque se ele supera infinitamente as suas aspirações, também lhes corresponde de maneira admirável. Mesmo por entre dificuldades e incertezas, todo o homem sinceramente aberto à verdade e ao bem pode, pela luz da razão e com o secreto influxo da graça, chegar a reconhecer, na lei natural inscrita no coração (cf. Rm 2, 14-15), o valor sagrado da vida humana desde o seu início até ao seu termo, e afirmar o direito que todo o ser humano tem de ver plenamente respeitado este seu bem primário. Sobre o reconhecimento de tal direito é que se funda a convivência humana e a própria comunidade política.Encíclica Evangelium Vitae, n. 2

Dom José e a Igreja, agora tão criticados, foram os únicos que se levantaram para defender as três vidas que estavam em jogo: os dois bebês gêmos, e a jovem mãe.

A imprensa infelizmente, como já disse, somente fez desinformar, tumultuar e polemizar sobre o triste fato do abortamento desses gêmes. Agora, repetem notícias sobre a polêmica das excomunhões, apenas pra desviar o foco das ilegalidades que foram cometidas no caso.

Que fique bem claro:

1. Este aborto foi desnecessário: a garota não corria risco de vida. Vários médicos sérios atestam isso (também aqui);

2. Este aborto foi clandestino: organizações feministas favoráveis à legalização do aborto praticamente raptaram a garota do IMIP, e a conduziram ao CISAM, onde o aborto foi realizado de forma rápida, para que ninguém da família fosse capaz de impedir a tempo. A imprensa ajudou a esconder o paradeiro da garota;

3. Este aborto foi ilegal: para que um procedimento desse tipo seja realizado em uma menor de idade, é necessário que ambos, pai e mãe, autorizem. O pai da garota era rigorosamente contrário ao aborto;

4. A mãe da garota é analfabeta, e foi obrigada a assinar com impressão digital um documento que não era sequer capaz de ler;

5. O pároco de Alagoinha, Pe. Edson; os conselheiros tutelares de Alagoinha e a assessoria jurídica da Arquidiocese de Recife e Olinda tentaram de tudo pra impedir que este aborto acontecesse. Pessoas que sequer eram médicos, mentiram para a família, afirmando que a garota morreria se levasse a gravidez a termo.

6. Dom José em momento algum defendeu o estuprador. Muito pelo contrário, ele também condenou. O que houve foi um sentimento de confusão, uma vez que a Igreja declara como excomungados aqueles que praticam ou colaboram com um aborto, mas não fazem o mesmo com alguém que comete um crime de estupro contra menor. Acontece que a excomunhão é um instrumento que a Igreja possui para evidenciar o escândalo que é o covarde crime do aborto, uma vez que em vários lugares do mundo este crime é relativizado, visto como um direito legítimo, algo normal. É isso que está acontecendo no Brasil, e a Igreja tenta lutar contra. O estupro, pelo contrário, é reconhecido como algo horrível por qualquer pessoa. Ninguém fala, por exemplo, em “estupro terapêutico”, como se fala em aborto, insinuando que em alguns casos ele pode ser solução.

O que é mais triste é que as pessoas não enxergam que este caso polêmico é somente a ponta do iceberg. Faz parte de um plano monstruoso de ataque aos valores que constituem a sociedade brasileira, e à própria Constituição Federal. Um plano internacional levado a cabo por um rol de organizações abortistas financiadas com milhões e milhões de dólares, com filiais no Brasil.

Eu soube de tudo isso através dos relatos do Pe. Edson, publicado em seu próprio blog, e também no blog Deus lo vult!. Nada disso foi divulgado na imprensa. Por quê tanta mentira e dissimulação? Não é estranho?

Pessoas como a Ébete não questionam isso. Em pessoas como a Ébete, a vontade de criticar, depredar e caluniar a Igreja e os bons bispos que nós católicos temos é infinitamente maior do que a honestidade intelectual, da vontade de saber e fazer conhecer a verdade.

Quanto à pretensa preocupação da Ébete:

Todos se perguntam será o inicio do fim da Igreja de Roma? Espero, que não. A Igreja Católica não merece esse triste fim.

Fique sossegada, Ébete. Enquanto houver um bispo fiel ao Papa, como Dom José Cardoso Sobrinho, a Igreja de Cristo estará sempre de pé, conforme prometeu Nosso Senhor Jesus Cristo (Mt 28,20).

E quanto a esta afirmação da Ébete:

Dom José de Recife Padroeiro dos estupradores e pedófilos.

Veja a índole dessa pessoa. Creio que isto seja abusar da misericórdia de Deus!

Para Dom José, deixo todo o meu apoio, e os seguintes versículo da Palavra de Deus:

Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus!
Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim.
Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vós.
Mateus 5,10-12

Paz e Bem!

Outra vez, cordel

Sexta-Feira, 13 Março, 2009 at 14:07 | In Bioética / Defesa da Vida, Cultura e Artes, Fé e Igreja, Mídia e Sociedade | 4 Comments
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Publiquei aqui ontem o cordel “O Sinistro e o Aborto (In)feliz”, excelente resposta da Angélica dos Santos para a poesia “A Excomunhão da Vítima”, esta ofensiva à Igreja e a Dom José, escrita por um tal Miguezim de Princesa (se não leu, leia aqui: Cordel para o caso de Alagoinha).

Hoje soube de mais uma resposta católica para a ridícula poesia, escrita também em forma de cordel, desta vez por Fernando Nascimento.

Imperdível, no blog Deus lo Vult: “A Excomunhão dos Abortistas”.

Paz e Bem!

Cordel para o caso de Alagoinha

Quinta-feira, 12 Março, 2009 at 11:53 | In Bioética / Defesa da Vida, Cultura e Artes, Fé e Igreja, Mídia e Sociedade | 6 Comments
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Um tal Miguezim de Princesa, escritor de cordel metido a “intelequitual”, se propôs a escrever as rimas abaixo a fim de criticar a Igreja, Dom José, e tudo mais que conseguisse. Mas não ficou barato. A resposta veio na medida, escrita pela católica Angélica dos Santos, da comunidade Fora Lula, no Orkut.

Abaixo vão, estrofe por estrofe, os versos de Miguezim e de Angélica. Os do Miguezim em vermelho, cor de enxofre. E os da Angélica em azul, cor do céu.

Leiam:

***

A Excomunhão da Vítima (Miguezim de Princesa)

I.
Peço à musa do improviso
Que me dê inspiração,
Ciência e sabedoria,
Inteligência e razão,
Peço que Deus que me proteja
Para falar de uma igreja
Que comete aberração.

II.
Pelas fogueiras que arderam
No tempo da Inquisição
Pelas mulheres queimadas
Sem apelo ou compaixão,
Pensava que o Vaticano
Tinha mudado de plano,
Abolido a excomunhão”.

III.
Mas o bispo Dom José,
Um homem conservador,
Tratou com impiedade
A vítima de um estuprador,
Massacrada e abusada,
Sofrida e violentada,
Sem futuro e sem amor.

IV.
Depois que houve o estupro,
A menina engravidou.
Ela só tem nove anos,
A Justiça autorizou
Que a criança abortasse
Antes que a vida brotasse
Um fruto do desamor.

V.
O aborto, já previsto
Na nossa legislação,
Teve o apoio declarado
Do ministro Temporão,
Que é médico bom e zeloso,
E mostrou ser corajoso
Ao enfrentar a questão.

VI.
Além de excomungar
O ministro Temporão,
Dom José excomungou
Da menina, sem razão,
A mãe, a vó e a tia
E se brincar puniria
Até a quarta geração.

VII.
É esquisito que a igreja,
Que tanto prega o perdão,
Resolva excomungar médicos
Que cumpriram sua missão
E num beco sem saída
Livraram uma pobre vida
Do fel da desilusão.

VIII.
Mas o mundo está virado
E cheio de desatinos:
Missa virou presepada,
Tem dança até do pepino,
Padre que usa bermuda,
Deixando mulher buchuda
bolindo com os meninos.

IX.
Milhões morrendo de Aids:
É grande a devastação,
Mas a igreja acha bom
Furunfar sem proteção
E o padre prega na missa
Que camisinha na linguiça
É uma coisa do Cão.

X.
E esta quem me contou
Foi Lima do Camarão:
Dom José excomungou
A equipe de plantão,
A família da menina
E o ministro Temporão
Mas para o estuprador,
Que por certo perdoou,
O arcebispo reservou
A vaga de sacristão.

***

O Sinistro e o aborto (in)feliz (Angélica dos Santos)

I.
Sem licença de muso ou musa,
segue o texto de um Cristão.
Inspirado, sábio ou sabido
só cuida de dar vazão
a força de uma Igreja
que com desassombro peleja
contra a abominação.

II.
As bruxas que não queimaram
procuram a consagração
jogam palavras ao vento
pregam o sim onde é não.
Pensaram que o Vaticano
deixara o divino plano
pra chafurdar com o Cão.

III.
Dom José, Bispo de Deus
Servo do Salvador
Tratou com seriedade
a sanha do abortador,
Que massacrando o abuso
agride com sua lida
uma vida ainda em flor.

IV.
Da lei que trata do estupro
Responda quem legislou
Resulta da mão do homem
Que tantas vezes falhou
Se a lei dos homens bastasse
Não havia quem precisasse
De amparo, guarida e amor.

V.
Se o aborto é imprevisto
Fruto da devassidão
Não venha um tal sinistro
Que não se julga cristão
Com fala de manso seboso
Destratar em tom jocoso
A regra da excomunhão.

VI.
Buscando notoriedade
Um Miguezin de Princesa
Resolve afrontar o Bispo
Cheio de sonsa torpeza
Não passa de um sem-vergonha
Destilando fel e peçonha
Tentando atingir a Igreja.

VII.
Se foi bem excomungado
O sinistro Temporão
Ele que se arrependa
Com muita sofreguidão
O diabo é bicho feio
E o inferno anda cheio
De tanta boa intenção

VIII.
O Lula disse uma vez
Que a Saúde no Brasil,
É coisa quase perfeita
Que nunca antes se viu.
Prevenção na escolinha,
É máquina de camisinha
no meu Brasil varonil.

IX.
Quem quer fornicar, fornique,
E viva a vida do Cão,
O governo dá o brinde
Pra tua devassidão.
Pro bucho dá comprimido
E, em vez de ficar oprimido,
O feto vai pro lixão.

X.
Deus proteja a menina,
A família e o Pastor.
Pra escória que critica
Um Bispo fiel ao senhor
Só resta lamber as feridas
Do fruto de sua dor.
Já o sinistro Temporão
Carrasco dos inocentes
Com seus planos indecentes
Já vive nos braços do Cão.

***

Paz e Bem!


Estupro, aborto e valores distorcidos

Quarta-feira, 11 Março, 2009 at 9:49 | In Bioética / Defesa da Vida | 1 Comment
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Por Prof. Carlos Ramalhete*

Aqui tem vidaTêm sido espantosas as reações à declaração de dom Cardoso, arcebispo de Olinda e Recife, acerca das excomunhões dos responsáveis pelo aborto das duas crianças geradas no estupro de uma menina de nove anos de idade. O que ele fez foi apenas o seu dever: comunicar ter ocorrido a excomunhão automática dos responsáveis pela morte de duas crianças inocentes. Quem lesse as reações à comunicação, contudo, teria a impressão de que havia uma vida apenas em risco, e esta seria a vida da mãe das crianças. Não é o caso. A vida dela estava, sim, em um certo grau de risco, não maior nem menor que o de muitas mulheres grávidas com alguma complicação. Casos muito piores já chegaram a um final feliz.

Neste caso, contudo, aproveitando-se de uma falsa brecha legal – o fato de o Direito brasileiro não prever punição para o aborto de crianças geradas por estupro ou em caso de risco de vida para a mãe, exatamente como não prevê punição para o furto cometido por um filho contra o pai – grupos de pressão interessados na legalização do aborto apressaram-se, contra a vontade da mãe e de seus responsáveis legais, a matar o quanto antes as crianças que cometeram o crime de terem sido concebidas no transcurso de um repulsivo estupro. Os filhos são punidos com pena de morte pelo crime do pai.

A violência das reações à declaração de dom Cardoso, contudo, mostra claramente o alcance – em alguns setores bastante vocais da classe média urbana – de uma pseudoética apavorante. As crianças mortas simplesmente não entram na equação, não são consideradas. O próprio estupro só é mencionado de passagem. O risco de vida para a mãe é transformado em uma certeza de sua morte. São saudados como heróis salvadores os carniceiros que arrancaram do ventre da mãe duas crianças perfeitamente saudáveis e atiraram os cadáveres em uma cesta de lixo, onde provavelmente estava uma cópia mofada do juramento de Hipócrates que fizeram quando se formaram médicos.

Isto ocorre por ter sido perdida a noção do valor da vida. A vida, em si, para os defensores do aborto, não vale nada. Ao invés dela, o que teria valor seria o resultado final de uma equação que tem como componentes o bem-estar da pessoa e sua utilidade para a sociedade. As crianças abortadas não têm valor para a sociedade, logo podem ser mortas. Mais ainda, não merecem menção. A única criança digna de menção é a mãe, e olhe lá.

Ela mesma, a mãe das crianças abortadas, tem seu sofrimento deixado de lado. Uma menina de nove anos de idade que sofreu a violência de um estupro, provavelmente reiteradas vezes; uma criança ela mesma, vivendo mais que provavelmente em condições miseráveis (sabe-se que sua mãe não sabe ler e escrever, o que serviu bem aos que simplesmente mandaram que apusesse a impressão do polegar aos papéis que, como depois ela veio a saber, eram a sentença de morte de seus netos), foi levada de um lugar para o outro, teve os filhos que ela desejava manter arrancados de seu ventre e mortos, sendo tratada apenas como excelente exemplo de portadora biológica de material a abortar.

É de crer que provavelmente os defensores do aborto teriam de bom grado preferido que ela também tivesse sido abortada: o resultado da equação de utilidade social e bem-estar que usam para valorizar uma vida dificilmente seria alto o suficiente no caso dela para garantir-lhe a sobrevivência.

O estupro, mais ainda, o estupro reiterado e contumaz de uma criança indefesa é um crime asqueroso, que poderia em justiça merecer a pena de morte (não percebi, aliás, em nenhuma das numerosas e estridentes reações pró-aborto à declaração de dom Cardoso, alguém pedindo que fosse estendida ao estuprador a pena de morte que sofreram seus filhos). Quem o comete vê em sua vítima apenas um orifício cercado por forma humana, um receptáculo fraco e indefeso, logo acessível a suas taras. É já uma negação da humanidade da vítima: ela não merece, crê o estuprador, ter direito de opinião sobre o que é feito com seu corpo.

A mesma negação feita pelo estuprador contra sua vítima foi reiterada sobre seus filhos: ela foi estuprada; eles foram mortos. Desumanizada pela primeira vez pelo estuprador, ela o foi novamente, juntamente com seus próprios filhos – a flor de esperança e de vida que poderia ter saído do lodo da violência – pelos que não consideram que a vida tenha, por ser vida humana, algum valor. Agora, esperam eles, esgotado seu valor de propaganda, ela pode rastejar de volta à miséria de seu barraco e deixá-los tocar em paz a campanha pró-aborto.

* Carlos Ramalhete é professor e filósofo.

Publicado originalmente no espaço ‘Opinião’ do jornal A Gazeta do Povo.

Apoio a Dom José II

Segunda-feira, 9 Março, 2009 at 14:25 | In Bioética / Defesa da Vida | 9 Comments
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Petição de apoio à vida e a Dom José Cardoso Sobrinho

Na última semana, a mídia e diversos setores progressistas e autoritários escolheram o Arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, como novo alvo de seus arroubos pró-aborto, numa clara escolha pela morte em detrimento do dom da vida, concedido por Deus por pura caridade e amor a seus filhos.

Atacado por todos os lados, intelectuais, políticos e jornalistas desejam isolar dom José e distorcer suas palavras e sua defesa firme do catolicismo.

Em apoio a este servo de Deus e defensor dos dogmas da Igreja Católica, peço que assine este documento e deixe mensagens de apoio ao bispo por sua corajosa defesa da vida humana.

Na paz de Cristo,

Igor C. Franco

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Assine a petição acima e manifeste seu apoio a Dom José Cardoso Sobrinho contra os ataques perpetrados pela mídia e pelos políticos. Clique no endereço abaixo:

http://www.petitiononline.com/provida/petition.html

Paz e Bem!

Apoio a Dom José

Segunda-feira, 9 Março, 2009 at 9:27 | In Bioética / Defesa da Vida | 6 Comments
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Dom José Cardoso Sobrinho

Diante de tanta ofensa, calúnia, mentira e perseguição contra Dom José Cardoso Sobrinho, Arcebispo de Olinda e Recife, por causa de sua atuação impecável como sucessor dos Apóstolos na defesa da vida e no pastoreio das almas que lhe foram confiadas, eu me senti compelido a manifestar aqui meu apoio a ele. Mas, após ler a carta aberta enviada pelo Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz, do Pró-Vida de Anápolis, eu percebi que não havia mais nada a ser dito. O Pe. Lodi já disse tudo!

Reproduzo aqui, conforme recebido por e-mail.

Paz e Bem!

———

DOM JOSÉ CARDOSO SOBRINHO, O MÁRTIR EM DEFESA DA VIDA

Prezado Dom José Cardoso Sobrinho
aorpe@ig.com.br

Louvada seja Aquela que nos trouxe o Autor da Vida!

Aqui em Roma, em meio aos estudos de Bioética, desejaria ter mais calma  para escrever esta carta de elogio à sua brilhante atuação como pastor diante da Arquidiocese de Olinda e Recife. Temo, porém, pecar por omissão se deixar para depois algo que deveria escrever hoje em apoio à sua defesa da vida de três crianças.

Sim, três são as crianças que o senhor defendeu: uma menina de nove anos, violentada pelo padrasto, e duas crianças gêmeas geradas neste ato de violência.

Em meu trabalho pró-vida, várias vezes deparei-me com casos de adolescentes ou crianças vítimas de estupro. Enquanto as feministas ofereciam aborto, nós, cristãos, oferecíamos acolhida, hospedagem, assistência espiritual e acompanhamento durante a gestação, parto e puerpério.
As crianças geradas em um estupro costumam ser alvo de um carinho especial de suas mães. Longe de perpetuar a lembrança da violência sofrida (como dizem alguns penalistas), o bebê serve de um doce remédio para o trauma do estupro. Podendo doar o bebê após o parto, elas se assustam só de pensar em ficar longe dele. Tremem ao se lembrar que um dia cogitaram em abortá-lo.
O aborto, além de ser uma monstruosidade maior que o estupro, causa um trauma adicional à mulher violentada. A idéia do aborto como “alívio” para o estupro é uma falsidade que deveria ser banida dos livros de Direito Penal.

A imprensa que acusa o senhor teve o cuidado de não revelar como o aborto foi feito. E com razão. Pois enquanto os defensores da vida mostram com alegria a linda criança concebida em um estupro, os abortistas não podem mostrar os restos mortais dos bebês que foram assassinados. Em se tratando de dois bebês de quatro meses, é possível que os médicos tenham feito uma cesariana para extraí-los do ventre materno. E depois? Depois, devem tê-los jogado no lixo, esperando que morressem. Uma cena nada agradável, nem digna de quem professa a Medicina. Os autores desse assassínio precisaram ter o sangue frio de um algoz para olhar nos olhos de suas duas vítimas abortadas. Mas é a pura realidade.

Outro argumento usado pelos abortistas é que a menina-mãe, por causa de sua tenra idade, não poderia levar até o fim a gravidez. Por isso, o aborto seria “necessário” para salvar a vida dela. Evidentemente, como o senhor sabe, tudo isso é mentira. A menina não estava prestes a morrer nem o aborto se apresentava como a “solução”. Uma gravidez como a dela exigiria um acompanhamento adequado. Médicos que honrassem o seu juramento fariam  tudo para salvar os gêmeos, esperando que eles chegassem a uma idade gestacional em que poderiam sobreviver a uma operação cesariana. Afinal, para que servem as nossas UTIs neonatais?
Talvez os bebês morressem espontaneamente durante a gravidez. Mas os médicos não carregariam a culpa por esse aborto espontâneo.

Aos que levianamente criticam o senhor, defendendo o aborto como meio para salvar a vida da mãe, eu proponho o seguinte caso.
Suponhamos que, de fato, o aborto pudesse “curar” alguém. Façamos de conta que, em alguma hipótese, o aborto seja “terapêutico”. Estaríamos diante de um caso semelhante ao de uma mulher que, oprimida pela fome durante o cerco de Jerusalém (ano 70 d.C), matou e devorou o próprio filho recém-nascido. O episódio é narrado pelo historiador Flávio Josefo. O raciocínio é o mesmo. Se a mulher não matasse seu filho, ambos morreriam de fome. Ao matá-lo, pelo menos uma das vidas foi salva.
Quem aplaude o aborto como meio para salvar a vida da mãe, deve, por coerência, aplaudir a atitude desse mulher que matou o filho para salvar a própria vida.

O senhor sabe muito bem – mas há muitos que não sabem e não querem saber – que nunca é lícito matar diretamente um inocente, nem sequer para salvar outro inocente. Por isso, o senhor está de parabéns por ter cumprido sua missão, que não é a de matar, mas a de dar a vida por suas ovelhas.

Permita-me agora referir-me a uma das mentiras que estão sendo apregoadas. A grande imprensa vem apregoando que, no caso da pobre menina de nove anos, o aborto foi legal. Ora, isso é absurdo. Não há aborto “legal” no Brasil, assim como não há furto “legal”. Nossa Constituição, que protege o direito à propriedade (por isso, não há furto “legal”), também reconhece a inviolabilidade do direito à vida (por isso não há aborto “legal”). O que os médicos fizeram, aos olhos da lei penal, foi um crime. Ocorre que, nem sempre a pena  é aplicada ao criminoso. Há hipóteses, chamadas de “escusas absolutórias“, em que a pena não se aplica, embora subsista o crime. Um exemplo típico é o do furto praticado em prejuízo de ascendente, descendente ou cônjuge (art. 181, CP). Quem pratica tal furto (por exemplo, o filho que furta do pai) comete crime. No entanto, por razões de política criminal (como a preservação da intimidade da família) em tal caso o furto não se pune. Analogamente o aborto, que é semprecrime, tem dois casos em que a pena não se aplica: I – se não há outro meio (que não o aborto) para salvar a vida da gestante; II – se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido do consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal (art. 128, CP).

O médico que pratica aborto em ambas as hipóteses comete crime. A lei não autoriza a praticar o crime, mas pode deixar de aplicar a pena após o crime consumado.
Como, porém, houve crime, faz-se necessário um inquérito policial. A polícia, indiciando os médicos e outras pessoas envolvidas, verificará se de fato foram preenchidos os requisitos para a não-aplicação da pena. Em outras palavras: verificará se a atitude dos médicos, além de ilegal e criminosa, é também passível de sanção penal.

Pode ser que o delegado de polícia chegue, por exemplo, à conclusão – nada improvável – de que o  consentimento da mãe da menina foi obtido mediante fraude ou coação. Nesse caso, uma vez comprovada a invalidade do consentimento, a conduta dos médicos se enquadrará no artigo 125 do Código Penal (aborto provocado sem o consentimento da gestante), cuja pena é reclusão de três a dez anos.

Se os genitores da menina gestante foram vítimas de fraude ou coação, será possível ainda acionar judicialmente os médicos requerendo uma reparação civil de danos. Claro que nada repara a perda de duas vidas, nem o trauma sofrido pela menina de nove anos submetida ao aborto, mas uma indenização serviria como meio de advertência para os profissionais da morte.

Escrevo tudo isso para dizer que o senhor está do lado, não apenas da lei de Deus, mas também da lei dos homens. O senhor é digno de aplausos pela Igreja Católica e pelo direito positivo brasileiro.

Peço que o senhor não desanime. Estamos do seu lado. E, mais ainda, o Senhor da Vida está do seu lado!

Os ataques que o senhor sofre por todos os lados, até mesmo por pessoas de dentro da Igreja, fazem-me lembrar o que predisse Jesus: “Não penseis que vim trazer paz à terra. Não vim trazer paz, mas espada. Com efeito, vim contrapor o homem ao seu pai, a filha à  sua mãe e a nora à sua sogra. Em suma: os inimigos do homem serão os seus próprios familiares” (Mt 10,34-36).

As injúrias, as perseguições, as calúnias, tudo isso que o senhor está fazendo deve ser para nós, não só motivo de dor, mas motivo de grande alegria. Com efeito, assim se pronunciou Jesus na última das bem-aventuranças:
Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por causa de mim.
Alegrai-vos e regozijai-vos, porque será grande a vossa recompensa nos céus,
pois foi assim que perseguiram os profetas, que vieram antes de vós
” (Mt 5,11-12).

Parabéns, Dom José Cardoso Sobrinho!
Subscreve o seu admirador, pedindo-lhe a bênção.

O escravo de Jesus em Maria,

--
Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz
Presidente do Pró-Vida de Anápolis
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"Coração Imaculado de Maria, livrai-nos da maldição do aborto"

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