Adolescência e sexo (II)

Quinta-feira, 2 Abril, 2009 at 15:21 | In Filhos / Educação dos Filhos, Moral e Sexualidade | Leave a Comment
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Segunda parte do artigo do promotor Paulo Pereira da Costa, ‘Adolescência e sexo’ (para ler a primeira parte, clique aqui). Faço alguns comentários depois:

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ADOLESCÊNCIA E SEXO (II)

Por Paulo Pereira da Costa*

Homem e mulher, se é pra se unir, que seja com laços fortes. A boa estrutura do relacionamento se obtém com o aprendizado e o amadurecimento que cada etapa proporciona. Assim, com efeito, ternura, carinho, a união se consolida e dificilmente vai ruir. Não se trata de exigir que sempre concordem em tudo. Nas etapas mais avançadas da vida a dois, quando vêm os filhos, surgem dificuldades, prováveis rusgas, mas numa relação sólida elas são superadas. E, com efeito, essa efetiva superação dos conflitos fortalece cada vez mais a união. Penso que quando se pede a garota em casamento é porque se sente algo tão forte que as palavras saem sem nenhum esforço para dizer: ‘quero você junto comigo para o resto da vida; quero amá-la agora e sempre, mesmo nos tempos mais sombrios, mesmo quando as árvores se desfolharem, as flores secarem; quero continuar amando-a mesmo quando o nosso viço tiver cedido aos efeitos do tempo, e depois que os nossos filhos se casarem e ficarmos só nós dois, entrados em anos, quando nossas forças forem suficientes apenas para um abraço, e continuarem a amá-la mesmo depois que você também se for, porque a sua lembrança me dará forças para não perder o sentido da vida’.

Puritanismo? Caretice? Pensem o que quiserem. O fato é que o modo moderninho de os adolescentes se relacionarem não tem dado bons resultados; gera filhos, mas não forma famílias; cria adultos inseguros, com propensão ao efêmero, ao fugaz, sem capacidade de assumir e manter compromissos. Quanto tempo, por exemplo, durou o casamento do Ronaldo Fenômeno com a Daniela Cicarelli? É comum mulheres dizerem que os homens interessantes estão virando raridade. Será que elas, tão permissivas, tão liberais, vulgares até, não têm grande parte de responsabilidade nisso? Será que não estão perdendo a graça? Dia desses, na TV, vi um programa no canal GNT em que uma sexóloga sessentona dá conselhos. Uma mulher apresentou a seguinte questão: o marido queria que ela o deixasse agredi-la com um chicote para machucá-la e fazê-la chorar, pois isso o excitava sexualmente. Ou seja, ele precisava humilhá-la e sentir-se superior para ter prazer. Ela disse que não estava a fim disso, mas tinha receio de não fazer o ‘jogo’ porque não queria magoá-lo. A conselheira refletiu um pouco. Pensei que ela fosse aconselhar com firmeza a mulher a mandar o marido se catar, procurar um médico, algo assim. Ela, porém, sugeriu que a mulher experimentasse uma vez e, se não gostasse, dissesse com jeitinho ao marido. Antiquado declarado, fiquei pasmo!

A mulher que aceita sofrer agressões físicas e morais, que se submete a humilhação para satisfazer desejos doentios do homem não tem amor-próprio, não se dá valor. Essa coisa de sadomasoquismo é doença e como tal deve ser tratada. Não existe uma relação no sentido mais nobre do termo se a dignidade é violada, se há violência física e moral. Amor é outra coisa, tem a ver com apreço, carinho, respeito consigo mesmo e com o outro. A visão tosca, doente mesmo, desvirtua o amor, limita-o. Esse sentimento descartável que vige não é amor. Chega de banalização, de vulgarização, de falta de essência. Os adolescentes precisam ser alertados disso pelos pais, professores e educadores em geral.


* Paulo Pereira da Costa é promotor de justiça em Piracicaba desde 1993, nascido em Ituverava, e formado em Direito pela Faculdade de Direito de Franca, Franca-SP.

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Gostaria de emendar alguns comentários sobre este artigo do Paulo Pereira da Costa, e dos conceitos por ele abordados.

Antes de qualquer coisa, por quê que achei que este artigo merecia destaque aqui, no P.A.? Simples: porque achei que o autor conseguiu ter uma visão clara e ampla dos sintomas causados na sociedade após esta ter sofrido, ao longo das últimas décadas, um bombardeio de erotização.

Além de tudo, as instituição “família” também passou e vêm passando por vários ataques à sua integridade, ao seu valor, à sacralidade do Matrimônio, que é sua base, sua fundação. Além da exposição da família à erotização já mencionada — que hoje em dia é perfeitamente observada nas novelas e nos Big Brothers –, ainda há a elevação do divórcio ao status de lei, a contracepção, a militância em favor da descriminalização do aborto, a militância em favor dos “direitos GLBT”, etc.

Além disso, há ainda a omissão dos pais na educação dos filhos, principalmente na educação afetiva e sexual. É fato que os pais católicos devem educar seus filhos para o amor, para o matrimônio, que os inimigos da Igreja e da família tentam transformar em um descartável e efêmero relacionamento, no lugar de um indissolúvel Sacramento. Hoje em dia são raros os adolescentes que recebem esse tipo de orientação em casa. Grande parte recebe esse tipo de informação das fontes erradas, e de maneira errada. Quase sempre, também a informação é errada. Os ensinantes de “educação sexual” nas escolas, por exemplo, muitas vezes inculcam nos seus alunos falsas idéias como a de que o sexo é um direito; de que o próprio prazer é um direito; de que ninguém deve dar pitaco nessa questão, que é muito pessoal e íntima; que a contracepção é uma coisa legal; que a camisinha é 100% “segura”; que sexo tem que ser “seguro”, senão é imoral… ou seja, uma sexualidade totalmente invertida, transviada. O sentido humano da afetividade sexual os adolescentes jamais aprenderão na escola, onde cogita-se até mesmo a instalação de máquinas de camisinha.

Gostaria de dar destaque a este trecho da primeira parte do artigo:

«O erotismo deve brotar naturalmente, quando o casal já possui uma boa base emocional e questões outras já estão resolvidas.»

As “questões outras” que já devem estar resolvidas na etapa em que brota o erotismo são, obviamente, as questões relativas ao casamento. A sexualidade humana, como bem esclarece a Doutrina da Igreja, mãe e mestra em matéria moral, contém em si própria, por vontade do Criador, a potencialidade da vida. Do amor entre os esposos pode surgir uma nova vida. E é um direito dos filhos nascerem: a) do amor de seus pais; e b) num ambiente familiar estável e duradouro, que permita à prole ser educada principalmente pelo exemplo de seus pais, pois é justamente na observância do testemunho dos pais que começa aquela educação afetiva e sexual doméstica já mencionada.

Penso que o próprio autor deixa isso bem claro quando continua, logo no início da segunda parte:

«Homem e mulher, se é pra se unir, que seja com laços fortes.»

Por fim, destaco o recado final do autor: os adolescentes precisam ser alertados pelos pais, professores e educadores em geral.

Meu recado particular vai para os pais: vocês têm o dever de serem os primeiros e principais educadores dos seus filhos. Eduquem-nos para o Amor, e eduquem-nos principalmente com o vosso próprio testemunho!

Paz e Bem!

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Leituras recomendadas:

Teologia do Corpo para jovens

Terça-feira, 31 Março, 2009 at 16:53 | In Teologia do Corpo | Leave a Comment
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A gentileza das legendas foi feita pelo irmão e companheiro de TOB, o amigo Daniel Pinheiro.

Paz e Bem!

Filhos: um peso ou um bem?

Sexta-Feira, 27 Março, 2009 at 16:36 | In Filhos / Educação dos Filhos, Matrimônio e Família, Moral e Sexualidade | 1 Comment
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«Muitos casais, mesmo católicos, estão dispostos a fazer grandes sacrifícios para obter uma casa ou um carro, pelo simples fatos dessas coisas serem bens. Não querem, contudo, encarar o alegre sacrifício que supõe ter filhos. Parecem não entender que a fecundidade é o maior bem que uma família pode ter.»Pe. Cormac Burke

Já há algum tempo eu estava com intenção de publicar aqui um artigo, longo mas belíssimo, do Pe. Cormac Burke, ex-juiz da Rota Romana e especialista em Teologia Moral e Direito Canônico.

Pra quem não sabe, a Rota Romana é o Supremo Tribunal da Igreja Católica, responsável, entre outras coisas, a julgar os pedidos de nulidade matrimonial.

Percebi que não poderia adiar a publicação deste artigo por causa da notícia que li hoje na Folha de S. Paulo, dizendo que o Senado aprovou um projeto que obrigará os planos de saúde a cobrir “planejamento familiar”. A questão é que, por “planejamento familiar” a lei reconhece vasectomia, laqueadura, e segundo uma lei de 1996, até fertilização in-vitro (FIV).

«Os filhos são o dom mais excelente do Matrimônio e contribuem grandemente para o bem dos próprios pais. Deus mesmo disse: “Não convém ao homem ficar sozinho” (Gn 2,18), e “criou de início o homem como varão e mulher” (Mt 19,4); querendo conferir ao homem participação especial em sua obra criadora, abençoou o varão e a mulher dizendo: “Crescei e multiplicai-vos” (Gn 1,28). Donde se segue que o cultivo do verdadeiro amor conjugal e toda a estrutura da vida familiar que daí promana, sem desprezar os outros fins do Matrimônio, tendem a dispor os cônjuges a cooperar corajosamente como amor do Criador e do Salvador que, por intermédio dos esposos, quer incessantemente aumentar e enriquecer sua família.»C.I.C. §1652

children-screensaverA Doutrina Católica sobre o matrimônio cristão ensina que os filhos são dons de Deus, concedidos pela sua infinita bondade, que permite e ordena o amor conjugal para que se frutifique. A relação conjugal, para ser verdadeiramente uma relação de amor, precisa estar aberta à vida. Os esposos que quebram voluntariamente e artificialmente o vínculo unitivo e procriativo que Deus quis que existisse naturalmente na relação sexual estão cometendo pecado grave. Estão maculando sua própria relação de amor, pois descumprem a promessa feita a Deus perante a Igreja de “aceitar de bom grado os filhos que Deus vos mandar”.

Incorrem neste erro não somente os casais que recorrem a métodos artificiais para a contracepção, mas também aqueles que recorrem à fertilização in-vitro, inseminação artificial, etc. Diz o Catecismo da Igreja Católica, em seu parágrafo 2377:

«Praticadas entre o casal, estas técnicas (inseminação e fecundação artificiais homólogas) são talvez menos claras a um juízo imediato, mas continuam moralmente inaceitáveis. Dissociam o ato sexual do ato procriador. O ato fundante da existência dos filhos já não é um ato pelo qual duas pessoas se doam uma à outra, mas um ato que remete a vida e a identidade do embrião para o poder dos médicos e biólogos, e instaura um domínio da técnica sobre a origem e a destinação da pessoa humana. Tal relação de dominação é por si contrária à dignidade e à igualdade que devem ser comuns aos pais e aos filhos”. “A procriação é moralmente privada de sua perfeição própria quando não é querida como o fruto do ato conjugal, isto é, do gesto específico da união dos esposos… Somente o respeito ao vínculo que existe entre os significados do ato conjugal e o respeito pela unidade do ser humano permite uma procriação de acordo com a dignidade da pessoa.”»

Os destaques e grifos são meus.

É preciso dizer que nem de longe é verdade o que alguns, desprovidos de informação correta acerca da Doutrina, afirmam. Por exemplo, que para a Igreja, o sexo é só pra reprodução; ou que a Igreja é contra a contracepção em qualquer circunstância. Não, não é verdade.

A Igreja realmente vê com muito bons olhos as famílias numerosas (cf. C.I.C. §2373), porém, ela reconhece que em certos casos, por razões não egoístas, os casais têm necessidade de espaçar os nascimentos dos filhos, ou suspendê-los. A Igreja não é contra a Paternidade Responsável. Ela só quer que a Paternidade Responsável seja realizada de forma não egoísta; que esteja de acordo com uma justa generosidade; e que o façam de acordo com os critérios objetivos da moralidade (cf. C.I.C. §2368). Esses critérios são explicados no parágrafo 2369 do Catecismo:

«Salvaguardando estes dois aspectos essenciais, unitivo e procriador, o ato conjugal conserva integralmente o sentido de amor mútuo e verdadeiro e a sua ordenação para a altíssima vocação do homem para a paternidade.»

Portanto, a regulação dos nascimentos só é válida para um casal cristão quando há uma justa razão para tal (uma que não seja baseada no egoísmo), e que seja um método natural, que recorra aos ritmos naturais impressos pelo Criador em cada pessoa, e não interfira artificialmente na doação mútua entre os esposos.

Uma coisa que é preciso ser dita, e que o Pe. Cormac explica muito bem em seu artigo, é que hoje em dia os filhos raramente são vistos como um bem, como um dom, como alguém que vai trazer coisas muito positivas para a família. Infelizmente até mesmo grande parte dos católicos foram contaminados com a (falsa) idéia de que um filho significa muita despesa, muita dor de cabeça, muito trabalho e um padrão de vida certamente inferior. Onde foi parar a generosidade?

Reflitamos com Pe. Cormac Burke em seu artigo, abaixo:

Continue reading Filhos: um peso ou um bem?…

Educação sexual é responsabilidade da família

Sexta-Feira, 16 Janeiro, 2009 at 13:48 | In Filhos / Educação dos Filhos, Matrimônio e Família, Moral e Sexualidade | 2 Comments
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casal-por-do-sol

Reprodução na íntegra de notícia da Zenit:

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ZP09011508 – 15-01-2009
Permalink: http://www.zenit.org/article-20544?l=portuguese

É A FAMÍLIA QUE DEVE EDUCAR SEXUALIDADE DOS FILHOS, SEGUNDO ESPECIALISTA

«A castidade é a energia espiritual que defende o amor do egoísmo»

 

Por Inma Álvarez 

CIDADE DO MÉXICO, quinta-feira, 15 de janeiro de 2009 (ZENIT.org-El Observador).- Educar a sexualidade é educar na castidade, e isso é tarefa fundamentalmente da família, onde se dá um «clima favorável» frente a «uma cultura fortemente condicionada pelos efeitos da onda de longo alcance da revolução sexual».

Assim afirmou a doutora italiana Maria Luisa Di Pietro, professora associada de Bioética na Universidade Católica do Sagrado Coração de Roma e presidente da associação Scienza & Vita (Ciência e Vida), durante sua intervenção desta quinta-feira no Congresso Mundial das Famílias que está acontecendo no México. 

Antes de tudo, é necessário, argumentou, «esclarecer o conceito de castidade», que é a «energia espiritual, que sabe defender o amor dos perigos do egoísmo e da agressividade, e sabe promovê-lo à sua plena realização». 

«A redução da sexualidade a uma mera dimensão do instinto favoreceu também, em suas manifestações mais extremas e ínfimas, a difusão da pornografia e da violência sexual», acrescentou. 

É urgente, portanto – explicou –, que as famílias assumam o papel primordial que têm na formação afetiva e moral de seus filhos. 

«A pressa por pular etapas está tornando cada vez mais difícil o amadurecimento afetivo dos jovens e está pondo em risco inclusive sua saúde», afirmou. 

Segundo a doutora Di Pietro, a educação da sexualidade «deve ter como principal objetivo indicar e motivar a que se alcancem grandes metas», entre elas «a afirmação do eu, da autoestima, do senso de dignidade própria, da capacidade de autoposse e autodomínio, da abertura de projeto, da coerência e equilíbrio interior; a aquisição de uma grande atenção para os valores da procriação, da vida e da família». 

«É necessária uma verdadeira formação dirigida à educação da vontade, dos sentimentos e das emoções – acrescentou. Conhecer-se equivale a ter um motivo a mais para aceitar com serenidade a própria realidade de homem ou de mulher e para exigir maior respeito e consideração por si mesmo e pelos demais.»

Os pais têm «a obrigação moral de educar a pessoa em sua masculinidade e feminilidade, em sua dimensão afetiva e de relação: educar a sexualidade como dom de si mesmos no amor, esse amor verdadeiro que sabe custodiar a vida». 

Os pilares de toda educação baseada no amor à pessoa, segundo a doutora, são: por um lado, «que idéia se tem do homem», e por outro, «que projeto de homem se pretende realizar». 

«Quando se renuncia à verdade sobre o homem (ao amor pela verdade), corre-se o risco de comprometer justamente a obra educativa. Se a liberdade não se introduz e arraiga em uma verdade integral da pessoa, pode conduzir o próprio homem a condutas e escolhas que reduzem o humano, ou pode converter-se em instrumento de prevaricação e de puro arbítrio ou levar a atitudes de resignação e perigoso ceticismo». 

Neste sentido, acrescentou que é necessário educar a afetividade ao mesmo tempo que o sentimento moral, ou, o que é o mesmo, a «educação para a liberdade». 

«A pessoa só se forma quando é capaz de responder à pergunta sobre qual pessoa deveria eu ser. O compromisso deve ser, então, o de ajudar o sujeito a crescer como pessoa virtuosa, ou seja, a adquirir uma aptidão permanente para fazer o bem e para fazê-lo bem.»

Os pais, especialmente durante a adolescência, devem «ajudar seus filhos a discernirem sua vocação pessoal, a descobrir o projeto que Deus tem para eles», acrescentou. 

Devem também ser conscientes de que o dever de educar moralmente os filhos é «inalienável» e que não pode ser «nem totalmente delegado a outros nem usurpado por outros». 

«De fato, não oferecer aos filhos um ambiente familiar que possa permitir uma adequada formação ao amor e à castidade significa faltar a um dever preciso», acrescentou. 

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Paz e Bem!

Duas iniciativas…

Quarta-feira, 8 Outubro, 2008 at 23:12 | In Bioética / Defesa da Vida, Matrimônio e Família, Moral e Sexualidade | Leave a Comment
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…dos americanos que eu gostaria de ver reproduzidas [ou copiadas] no Brasil.

Os dois links abaixo levam a dois websites de duas campanhas importantíssimas empreendidas por católicos norte-americanos. Gostaria muito de ver algo semelhante sendo feito no Brasil. Vejam:

Marriage Matters to Kids (www.marriagematterstokids.org) – Este site pretende ensinar a verdade sobre o matrimônio, mostrando que ele é definido pela lei natural, e não por leis humanas que pretendem principalmente nos EUA, “redefiní-lo”. E mostra o quanto é importante pras crianças crescer num ambiente verdadeiramente familiar, onde um pai e uma mãe cumprem seus papéis adequadamente. Enfim, uma tentativa excelente de mostrar porque é impossível e impensável falar-se em “casamento” entre pessoas do mesmo sexo.

Catholic Vote (www.catholicvote.com) - Infelizmente as eleições municipais no Brasil já se passaram e o que se votou está votado e não há volta. Porém, se estamos falando de Brasil, sabemos que seria interessante que uma campanha como essa tomasse vigor desde já, tendo em vistas as eleições de 2010. A campanha do site Catholic Vote pretende conscientizar os católicos quanto aos critérios para escolher os candidatos em quem votar. A idéia é mostrar que existem certos critérios que devem se sobrepor aos demais, por serem questões mais importantes, como a defesa dos direitos humanos e da família, e principalmente o direito à vida.

Paz e Bem!

Amor e Sexo

Terça-feira, 23 Setembro, 2008 at 8:04 | In Moral e Sexualidade | 8 Comments
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Tornou-se infelizmente muito comum na nossa cultura ver o amor e o sexo como duas coisas separadas, distintas, que não necessariamente precisam estar relacionadas.

Dissociar o prazer e “as coisas boas da vida” das responsabilidades, percalços e sacrifícios da vida familiar, e do ambiente de amor e de responsabilidade no qual o sexo estaria corretamente inserido, conforme os planos de Deus quando criou o homem e a mulher (cf. Gn 1,27s; 2,23s). Eis o fruto da revolução sexual. 

Trata-se de uma estratégia para destruir a família e o matrimônio. E tal estratégia não é velada, escondida. Nossa “contra-cultura” já chegou num estágio tão repulsivo que essa cisão entre o amor e o sexo já é levantada como bandeira, e até cantada em música. Leia a letra abaixo, de uma música de Rita Lee, Roberto de Carvalho e Arnaldo Jabor:

AMOR E SEXO
(Rita Lee / Roberto de Carvalho / Arnaldo Jabor)

Amor é um livro – Sexo é esporte
Sexo é escolha – Amor é sorte
Amor é pensamento, teorema
Amor é novela – Sexo é cinema
Sexo é imaginação, fantasia
Amor é prosa – Sexo é poesia
O amor nos torna patéticos
Sexo é uma selva de epiléticos

Amor é cristão – Sexo é pagão
Amor é latifúndio – Sexo é invasão
Amor é divino – Sexo é animal
Amor é bossa nova – Sexo é carnaval

Amor é para sempre – Sexo também
Sexo é do bom – Amor é do bem
Amor sem sexo é amizade
Sexo sem amor é vontade
Amor é um – Sexo é dois
Sexo antes – Amor depois

Sexo vem dos outros e vai embora
Amor vem de nós e demora

O jogo psicológico presente nos detalhes líricos é tão sutil que, às vezes, pode passar desapercebido para quem ouve a música no rádio do carro enquanto dirige, ou pra quem a ouve no som ambiente de um supermercado enquanto escolhe frutas ou a marca do sabão em pó. Todos os versos são flagrantes tentativas de se criar uma cisão entre o amor e o sexo que não existem, ou pelo menos não deveriam existir. Por exemplo: “amor é um livro, sexo é esporte” compõe uma tentativa flagrante de incutir na mente do ouvinte um falso dualismo. Como se o amor fosse uma coisa culta, para poucos; enquanto que o sexo é apenas um esporte, algo que pode e deve ser praticado por todos livremente.

Outro flagrante: “Amor sem sexo é amizade, sexo sem amor é vontade”. Posso até fazer vistas grossas para a pobreza do conceito de amor dos poetas em acreditar que “amor sem sexo seja amizade”. Mas dizer que “sexo sem amor é vontade”? Não, não é vontade. É impulso animal. Aqui são os poetas é que fazem vistas grossas, bem ao gosto da cultura da revolução sexual, de que alguém que se entrega a outra pessoa sem que ambas se amem, está consentindo que seu corpo seja usado por puro e simples prazer. Abre-se mão da sua dignidade de pessoa, transformando-se num objeto, numa coisa qualquer. Não é preciso nem dizer que essas pessoas, tão irresponsáveis, são as culpadas por tantas crianças sem pais, sem o amor de uma família, por tantos abortos, tanta desintegração e desestrutura familiar, enfim, tanta infelicidade!

Privar o ato sexual de amor é fácil. Privá-lo de suas conseqüências naturais (como um filho), é bem mais complicado, mesmo com tantos recursos imorais, como pílulas, camisinha e outros contraceptivos. Isso sem falar nas feridas que isso causa, aos poucos, no fundo da alma. Feridas que geralmente só vão ser sentidas ou reveladas quando já é bem tarde.

E pra finalizar: “sexo vem dos outros e vai embora, amor vem de nós e demora”. Eis aqui um flagrante incentivo à promiscuidade sexual. Supõe-se e encara-se com naturalidade que o efeito do sexo é passageiro, enquanto que o sexo, nos planos de Deus, deveria ser estimulado como verdadeira expressão de amor, de entrega total e eterna entre duas pessoas que se amam e que querem viver juntas, uma para a outra, para sempre. Alguém aí pensou em casamento? Eis aí a chave…

Tristemente, esse é apenas um dos muitos exemplos de ataque frontal da nossa “cultura” contra os valores da família e da vida. É preciso estar sempre de olhos bem abertos, pra que não se caia nas armadilhas que o demônio insere na TV, na música, na poesia, enfim, em toda a cultura que nos circunda, a fim de turvar nossa visão, para que enxerguemos mal o verdadeiro Bem que há no amor, na família, e no Matrimônio bem vivido

Paz e Bem!

Você já disse…?

Segunda-feira, 11 Agosto, 2008 at 16:38 | In Matrimônio e Família | Leave a Comment
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Você já disse “eu te amo” pra(o) tua(eu) esposa(marido) hoje?

Tem que ser olhando nos olhos, senão não vale. :)

Paz e Bem!

Pelo Seu Casamento

Quarta-feira, 6 Agosto, 2008 at 7:14 | In Matrimônio e Família | 3 Comments
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Navegando despropositadamente pelo site da USCCBUnited States Conference of Catholic Bishops (Conferência dos Biscos Católicos dos Estados Unidos), acabei encontrando um site, mantido pela prória Conferência Episcopal, que visa incentivar, apoiar e promover o matrimônio como instituição e como laço de amor.

Trata-se do site “For Your Marriage” (www.foryourmarriage.org), que traduzindo quer dizer: “Pelo Seu Matrimônio”. O site é riquíssimo em conteúdo, e já na página inicial traz a seguinte frase: “Resources for living happily ever after” (algo como ‘apoio para viverem felizes para sempre’).

O site é dividido em quatro grandes seções:

- For Every Couple (Para Todos os Casais), com dicas sobre vários aspectos (saúde, relacionamento, filhos, sexualidade…) para casais em todas as condições, desde namorados ou noivos até casais unidos em matrimônio, para tornar a vida a dois mais fácil, e preenchê-la de sentido e de alegria;

- Preparing for Your Marriage (Preparação para o Seu Matrimônio), com rico conteúdo para formação de casais de namorados e noivos com vistas ao Matrimônio;

- Caring for Your Marriage (Cuidando do Seu Matrimônio), esta é a seção do site de que mais gostei, pois aborda questões relativas à vida a dois após o casamento, e dá dicas para o homem, para a mulher e para o casal de atitudes pró-ativas para tornar a vida matrimonial mais saudável e feliz em todos os aspectos. A frase de abertura é interessante: “Os matrimônios bem-sucedidos não trabalham em piloto automático – ao menos não por muito tempo.”;

- About Catholic Marriage (Sobre o Matrimônio Católico), com a catequese e a doutrina da Igreja Católica sobre o Sacramento do Matrimônio, documentos da Igreja, informações sobre a cerimônia, etc.

O que o site tem de tão original, pra merecer destaque no Palavras Apenas?

Como eu disse, além de ser rico em conteúdo, com artigos escritos por bispos e especialistas como terapeutas e psicólogos, o site também tem um design muito convidativo, que facilita a navegação.

Além disso, o site ainda conta com diversos recursos de multimídia, incluindo vídeos com depoimentos de casais.

O site também aborda temas polêmicos de forma bem natural e segura (do ponto de vista doutrinal), e torna-se, por isso, fonte confiável e adequada para buscar essas informações. Refiro-me a questões complexas como, por exemplo, sexualidade, segunda união, e casamento inter-religioso (os chamados casamentos de religião “mista”, quando apenas um dos cônjuges é católico). O site contém artigos dando valiosas dicas para superar os possíveis traumas causados por situações como essas, ou para que o casal aprenda a conviver com suas diverenças.

Não é só isso. A originalidade do site também fica por conta da promoção da instituição matrimonial abordando ao mesmo tempo questões doutrinais e questões cotidianas da vida do casal. Tudo isso, tendo como foco principal os casais já unidos em matrimônio. Isso é difícil, e quem trabalha ou conhece alguém que trabalhe na Pastoral Familiar deve saber disso.

Como se não bastasse, o site parece ser apenas parte de um projeto muito maior, pois conta com material de divulgação, logotipo, pulseiras promocionais em forma de aliança (muito criativas, ver figura ao lado), e cartazes com a pergunta: “O que você já fez pelo seu matrimônio hoje?”; além de inserções publicitárias na TV para divulgação!

E finalmente, o que mais chama atenção no site é o fato de que ele faz parte de uma Iniciativa Pastoral da Conferência dos Bispos norte-americanos, na forma de um projeto plurianual destinado a comunicar o sentido e o valor da vida matrimonial para a Igreja e para a Sociedade.

No Brasil, a Conferência dos Bispos e sua Pastoral Familiar não possui nada semelhante. A CNBB poderia se inspirar nesse trabalho e incluir entre as suas preocupações — defesa do rio São Francisco, demarcação do território indígena em Roraima, e outras politicagens — algo de sumo interesse para o bem-estar das famílias católicas.

Paz e Bem!

Fidelidade

Terça-feira, 1 Julho, 2008 at 9:57 | In Matrimônio e Família | 3 Comments
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SONETO DE FIDELIDADE

por Vinícius de Moraes

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa dizer do meu amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

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O amor não é um sentimento. O amor é uma decisão livre da consciência individual.

Eu escolhi amar, um amor livre, total, fiel, e fecundo, à imagem e semelhança do Amor que primeiro amou: o Pai por suas criaturas.

Parabéns, Vanessa, pelo nosso 3° ano de Vida Matrimonial. Nem preciso dizer que minha vida só tem sentido se for ao teu lado. Que o Senhor Todo-Poderoso continue nos abençoando a cada dia, para que seja infinito enquanto dure, e que dure para a Eternidade.

EU TE AMO minha pequena! :)

Teologia do Corpo (por Christopher West) – Artigo 8

Sexta-Feira, 29 Fevereiro, 2008 at 8:59 | In Teologia do Corpo | Leave a Comment
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O CELIBATO POR AMOR DO REINO E A REALIZAÇÃO PLENA DA SEXUALIDADE HUMANA
por Christopher West

“Porque há eunucos que o são desde o ventre de suas mães, há eunucos tornados tais pelas mãos dos homens e há eunucos que a si mesmos se fizeram eunucos por amor do Reino dos céus. Quem puder compreender, compreenda.” (Mt 19,12)

Um eunuco é alguém incapaz de ter relações sexuais. Assim, quando Cristo fala sobre eunucos desde o nascimento, ele está se referindo a pessoas que são incapazes da união sexual em decorrência de algum problema de nascença. Quando ele fala sobre aqueles que se tornaram eunucos pelas mãos de homens, ele provavelmente está se referindo àquelas tristes almas que caíram sob a lâmina da castração. Mas o que é um eunuco por amor ao Reino?

Coloque-se nos sapatos (ou sandálias) de algum dos descendentes de Abraão que tenha ouvido Cristo expressar estas palavras. Você soubia e compreendia desde a sua juventude que a promessa de Deus a seu pai na fé foi de torná-lo extremamente fértil, torná-lo pai de uma multidão de nações (Gn 17,2-6). De fato, cada vez que Deus estabeleceu uma aliança com seu povo, assim como foi com Adão (Gn 1,28), Noé (Gn 9,1), Jacó (Gn 35,10-12), ou Moisés (Lv 26,9), Deus os ordenou que fossem “férteis e se multiplicassem”.

O Reino de Deus seria estabelecido pela multidão dos descendentes de Abraão. De fato, o messias veio da linhagem de Abraão. Por isso, aqueles que não podem se relacionar sexualmente (isto é, eunucos), eram vistos como amaldiçoados por Deus, e até mesmo excluídos do “Reino”.

Todavia este Jesus está dizendo que alguns homens e mulheres perfeitamente capacitados para a união sexual podem, na verdade, escolherem se abster da união sexual durante suas vidas inteiras especificamente por causa do Reino dos céus. O QUÊ?!

As palavras de Cristo marcam uma virada decisiva na revelação de Deus. É muito difícil para os filhos e filhas de Abraão compreenderem tal decisão. Na verdade, muitos dos seguidores de Jesus ao longo da história também acharam a vocação do celibato difícil de compreender. Alguns, de fato, como Cristo parecia saber, não estariam aptos a “recebê-lo” enfim.

Matrimônio, Sexo e Celibato Estão Inter-relacionados

João Paulo II oferece-nos uma revigorada perspectiva sobre o significado do celibato pelo Reino em sua série de audiências gerais conhecidas como a “teologia do corpo” (TdC). Ele demonstra que, longe de desvalorizar a sexualidade e o matrimônio, o verdadeiro celibato cristão na verdade aponta para sua realização última. De fato, nós simplesmente não podemos compreender o sentido cristão do sexo e do matrimônio a menos que compreendamos o sentido cristão do celibato.

Matrimônio, sexo e a vocação do celibato estão muito mais inter-relacionados do que poderíamos pensar a princípio. Eles são também interdependentes. Quando cada um recebe a estima e o respeito devidos, o delicado equilíbrio entre eles é mantido.

Por outro lado, se algum dos três (matrimônio, sexo ou celibato) é desvalorizado, supervalorizado ou, ainda, desrespeitado, os outros inevitavelmente sofrem. Não é coincidência, por exemplo, que a revolução sexual traga, além de um surpreendente aumento do número de divórcios, também um surpreendente declínio no número de vocações para o sacerdócio e para a vida religiosa. Também não é nenhuma coincidência que equívocos históricos sobre a vocação celibatária tenham levado a uma depreciação do sexo e do matrimônio.

Todos esses erros se originam da falha em equilibrar a tensão do paradoxo. Dizer que o celibato demonstra a satisfação plena da sexualidade não é uma contradição de termos. Isto é um paradoxo. Há algo que tortura a mente ao tentar reconciliar os (aparentemente) irreconciliáveis pólos do paradoxo. Portanto, para evitar o desconforto nós focamos num aspecto de uma verdade e acabamos por negar os outros.

Mas é precisamente pela insistente pressão da tensão do paradoxo que nós descobrimos a plena verdade. Nós precisamos encontrar nosso lar nessa tensão. Somente assim nós poderemos compreender devidamente a profunda inter-relação existente entre matrimônio, sexo e a vocação celibatária. Vamos pressionar.

O Reino, a Ressurreição e o Matrimônio

No capítulo 22 do Evangelho de Mateus (veja também Mc 12 e Lc 20), os saduceus, um grupo de judeus que não acreditavam na ressurreição dos mortos, vêm até Jesus com um enredo com o qual eles acreditaram que poderiam encurralar Jesus para que ele negasse a ressurreição também. Um homem possuía uma esposa e morreu. Um de seus irmãos a desposaram-na para para dar a seu falecido irmão uma prole, mas ele morreu também. Isto aconteceu de novo, e de novo, até que sete irmãos tivessem todos se casado com a mesma mulher, sucessivamente. Os saduceus então perguntaram a Cristo de quem ela seria esposa na ressurreição.

Cristo respondeu: “Errais não compreendendo as Escrituras nem o poder de Deus. Na ressurreição, os homens e mulheres não se casarão, e nem se darão em casamento…” (v. 29-30).

Para muitos, este ensinamento de Cristo soa amargo. Por quê? Porque nós não compreendemos nem as Escrituras e nem o poder de Deus. Se compreendêssemos, nos regozijaríamos nessas palavras. A instrução de Cristo não é uma desvalorização do matrimônio; pelo contrário, ela aponta para o propósito e sentido últimos deste maravilhoso sacramento.

O matrimônio nesta vida tem a função de prefigurar o céu onde, por toda a eternidade, nós celebraremos “as núpcias do Cordeiro” (Ap 19,7), o casamento de Cristo com sua Igreja. Este é o mais profundo desejo do coração humano – viver na eterna glória da comunhão com o próprio Deus. Por mais maravilhoso que o matrimônio e a intimidade conjugal possam ser nesta vida, é somente um sinal, um antegozo, um sacramento do que virá. O matrimônio terreno é simplesmente preparação para o matrimônio celeste.

É assim com todos os sacramentos. Eles nos preparam para o céu. Não há sacramentos no céu, não porque eles simplesmente acabarão, mas porque todos eles estarão realizados. Homens e mulheres não mais precisarão de sinais para apontá-los para o céu quando eles já estiverem lá no céu. Pense nisso como as placas indicativas de uma estrada. Se você estiver dirigindo em direção a São Paulo, você não vai mais precisar de placas indicando pra que lado fica São Paulo quando você já tiver chegado lá.

Os esposos às vezes questionam se isso significa que eles não ficarão juntos no céu. É claro que ficarão, se ambos aceitarem a proposta de casamento de Cristo, e viverem em fidelidade a Ele nesta vida. De fato, cada membro da raça humana que aceita o convite para a festa das núpcias celestes estará na mais íntima comunhão possível com todos os outros.

É a isto que chamamos de “comunhão dos santos”. Como o Catecismo diz, esta “será a realização última da unidade do gênero humano, querida por Deus desde a criação. …Os que estiverem unidos a Cristo formarão a comunidade dos remidos, ‘a cidade santa’ de Deus, ‘a Noiva, a esposa do Cordeiro’” (C.I.C., §1045).

Usando a imagem esponsal como uma analogia, nós podemos dizer que o plano de Deus desde toda a eternidade é “se casar” conosco (cf. Os 2,18). E este plano eterno foi prefigurado e revelado “desde o princípio” pela nossa criação como machos e fêmeas e nosso chamado para nos tornarmos “uma só carne”. O corpo humano possui um “sentido nupcial”, de acordo com João Paulo II, porque ele proclama e revela o plano eterno de amor de Deus – seu plano para a união nupcial entre homem e mulher e, de forma análoga, entre Cristo e a Igreja.

Como São Paulo diz, citando o Gênesis: “Por esta razão um homem deve deixar seu pai e sua mãe, e unir-se a sua esposa, e os dois se tornarão uma só carne. Este é um grande mistério, eu quero dizer em relação a Cristo e a Igreja” (Ef 5,31-32).

Cristo deixou seu Pai no céu. Ele deixou a casa de sua mãe na Terra – para dar seu corpo para sua Noiva, e assim nós pudemos nos tornar “uma só carne” com ele e nos reerguemos para a vida da Trindade por toda a eternidade.

Como João Paulo diz, isto significa que “o matrimônio e a própria procriação não determinam definitivamente o sentido original e fundamental de ser um corpo ou de ser, como um corpo, macho e fêmea. O matrimônio e a procriação simplesmente dão uma realidade concreta a este sentido nas dimensões da história” (TdC, 13/01/1982). Assim como as “dimensões da história” são plenamente realizadas, assim também será o “sentido nupcial do corpo” plenamente realizado não somente pela união de um homem e uma mulher, mas na comunhão de todos os homens e mulheres unidos pela visão de Deus face a face (cf. TdC, 09/12/1981).

O Sentido Nupcial do Celibato

Somente tendo em vista esta realidade celeste nós podemos compreender corretamente a vocação do celibato como Cristo a desejou. Cristo não chama alguns de seus seguidores a abraçar o celibado por causa do celibato, mas “por amor do Reino”. O Reino é precisamente o matrimônio celeste. Em resumo, aqueles que escolhem o celibato estão “pulando” o sacramento, em antecipação à coisa real.

Homens e mulheres celibatários caminham além das dimensões da história – enquanto continuam vivendo dentro das dimensões da história – e de forma surpreendente declaram ao mundo que o Reino de Deus está aqui (Mt 12,28). O celibato cristão, portanto, não é uma rejeição da sexualidade e do casamento. É participação na verdade e no significado plenos da sexualidade e do casamento.

Ambas as vocações, de formas particulares, são a satisfação do chamado ao “amor nupcial” revelado através dos nossos corpos. Como João Paulo II diz: “No fundamento do mesmo sentido nupcial do ser como um corpo, macho ou fêmea, aí pode ser formado o amor que compromete o homem com o casamento por toda a sua vida, mas aí pode também ser formado o amor que compromete o homem com uma vida de continência por amor do Reino dos céus” (TdC, 28/04/1982).

Nós não podemos fugir ao chamado da nossa sexualidade. Cada homem é chamado a ser ambos: um marido e um pai; cada mulher é chamada a ser ambas: uma esposa e uma mãe – ou através do casamento, ou através da vocação celibatária. Em certo sentido, homens e mulheres celibatários se tornam “ícones” da Igreja; seu noivo é Cristo. E ambos dão à luz muitos filhos espirituais.

Assim, os termos noivo e noiva, pai (padre) e mãe (madre), irmão (frade) e irmã (freira), são aplicáveis ao matrimônio, mas também ao celibato. Ambas as vocações são indispensáveis na construção da família de Deus. As vocações se complementam, e uma demonstra o significado da outra. O matrimônio revela o caráter nupcial do celibato, e o celibato revela que o propósito último do matrimônio é preparar-nos para o céu.

Celibato: o “Maior” Chamado?

A história testemunhou algumas graves distorções daquele ensinamento de São Paulo quando este diz que aquele que se casa “faz bem”, mas aquele que não se casa “faz melhor” (1Cor 7,38). Isto leva alguns a ver o matrimônio como uma vocação de “segunda classe”, para aqueles que não conseguem “lidar” com o celibado. Isto também solidifica as suspeitas errôneas de certas pessoas de que o sexo é inerentemente sujo, e somente aqueles que se abstêm dele podem ser verdadeiramente “santos”.

Tais erros levaram João Paulo II a firmemente afirmar: “A ’superioridade’ da continência sobre o matrimônio na autêntica Tradição da Igreja nunca significou menosprezo do matrimônio ou desdém quanto ao seu valor essencial. Ela não significa qualquer mudança que seja em direção ao maniqueísmo” (TdC, 07/04/1982). (Maniqueísmo é uma antiga heresia que vê as coisas do corpo como más, colocanto toda a ênfase nas realidades espirituais.)

O celibato é “melhor” ou “maior” que o matrimônio no sentido em que o céu é melhor ou maior que a Terra. O celibato, diferentemente do matrimônio, não é um sacramento do matrimônio celeste aqui na Terra. O celibato é um sinal da vida além dos sacramentos, quando nós estaremos unidos com Deus diretamente através do “Matrimônio do Cordeiro”.

De fato, eu acho um tanto infeliz o fato de definir esta vocação baseado no que ela implica em “desistir” em vez de definí-la em termos do que ela implica em “abraçar”. Uma boa parte das confusões poderiam ser evitadas se nós descrevêssemos a vocação celibatária como o “matrimônio celeste”, por exemplo.

É claro que poucos dos que escolhem seguir a vocação do celibato poderiam dizer que vivem o “céu na terra” todos os dias de suas vidas. O celibato antecede um grande bem, e isso exige sacrifício. Isso exige um sofrimento frutífero “por amor do Reino”.

Aqui se torna claro que a Igreja não mantém a vocação celibatária em tão grande consideração por acreditar que o sexo seja algo sujo. Ela mantém o celibato em tão grande consideração precisamente porque ela tem na mais alta consideração justamente aquilo que é sacrificado por amor ao Reino – a expressão sexual genital.

Se o sexo fosse algo sujo e dessacralizado, oferecê-lo como um dom a Deus seria um ato de sacrilégio (nós todos sabemos que não há nenhum mérito em abster-se do pecado na Quaresma, certo?). Mas, uma vez que o sexo é um dos mais preciosos tesouros que Deus deu à humanidade, fazer dele um dom, em retribuição a Deus, é uma das mais genuínas expressões de ação de graças (eucharistia) por um dom tão grande. O outro está recebendo-o das mãos de Deus e vivendo-o como a expressão da aliança conjugal.

Todos são chamados para uma vida de santidade pela resposta ao chamado ao “amor nupcial” estampado em seu corpo. Mas nem todos são chamados da mesma forma. “Cada um tem de Deus um dom particular: uns este, outros aquele” (1Cor 7,7).

Cada pessoa deve responder ao dom que recebeu. Se alguém é chamado para o celibato, então ele não deve escolher o matrimônio. Se alguém é chamado para o matrimônio, então ele não deve escolher o celibato. A oração é importante para ajudar a discernir a vocação.

Celibato: Testemunho de Liberdade

A vocação celibatária também proporciona um testemunho muito necessário em nossos mundo saturado de sexo, para a realidade da liberdade humana. As próprias palavras de Cristo, “alguns se fazem eunucos a si mesmos”, demonstra o caráter voluntário desta vocação. Não é algo a que as pessoas são forçadas pela Igreja. É um dom livremente dado por Deus e livremente escolhido por alguns de seus seguidores.

Por quê as pessoas esterilizam ou castram seus animais de estimação? Porque os animais não podem dizer não ao seu impulso para acasalarem-se. E ao contrário do que as típicas novelas poderiam nos fazer acreditar, nós podemos.

Eis uma das principais diferenças entre animais e seres humanos – o dom e a responsabilidade da liberdade. Nós não somos compelidos pelo instinto. Nós podemos determinar nossas próprias ações. Nós podemos dizer “sim” a um determinado comportamento, ou nós podemos dizer “não”. Se não pudermos dizer não, então não somos livres.

A sociedade tem muito a dizer sobre “liberdade sexual”. Mas liberdade sexual, no senso popular, consiste na licença para praticar o sexo sem nunca ter que dizer não. Isto não é liberdade sexual. Isso é ser escravo da libido.

O homem ou mulher que escolhe abrir mão da expressão sexual genital “por amor do Reino” demonstra que ele ou ela não está escravizado(a) por uma libido incontrolável, mas é verdadeiramente livre – livre para amar a Deus e para amar aos outros em um dom de si mesmo comovente, e sem reservas. E devo acrescentar que este é um dom de si mesmo corporalsexual. e, nesse sentido,

Anjos não podem ser celibatários. Eles não possuem corpos. Eles não são seres sexuais. De fato, de acordo com João Paulo II, o verdadeiro impulso da vocação do celibato, como aquela do matrimônio cristão, é um desejo de viver a verdade da sexualidade, redimida e purificada em Cristo.

Deus nos deu o desejo sexual “no princípio”, de acordo com João Paulo, para que ele fosse a verdadeira força para amar à imagem de Deus através do sincero dom de si mesmo. É por isso que ele chama o impulso sexual de “um vetor de aspiração com o qual nossa completa existência se desenvolve e se aperfeiçoa” (Amor e Responsabilidade, pág. 46). De acordo com a revelação cristã, existem duas formas de atender a este chamado fundamental ao amor: matrimônio e celibato (cf. Familiaris Consortio, n. 11).

É claro que, devido ao pecado, o impulso sexual não surge em nós simplesmente como o desejo de se fazer dom sincero de si mesmo. Todos nós – solteiros, casados, celibatários consagrados – precisamos lutar contra as muitas desordens e confusões da concupiscência. Mas nossa esperança é revigorada quando percebemos, como João Paulo enfatiza, que o coração é mais profundo que a concupiscência, e Cristo “reativa aquela herança mais profunda e concede a ela poder real na vida do homem” (TdC, 29/10/1980).

Isso significa que através da progressiva conversão a Cristo, nós podemos experimentar uma “real e profunda vitória” sobre a concupiscência (TdC, 22/10/1980). Se nos abrirmos à obra da redenção, o Espírito Santo na verdade impregna nosso desejo sexual “com tudo que é nobre e belo”, com “o supremo valor que é o amor” (TdC, 29/10/1980). Através deste progressivo processo de transformação nós redescobrimos o plano original de Deus para o desejo sexual e somos habilitados para pôr tal desejo a serviço do marital ou celibatário dom de si mesmo.

Novamente e sempre precisamos enfatizar: a vocação celibatária não é uma rejeição da sexualidade. Além disso, celibatários consagrados não são condenados a viver uma vida de isolamento do sexo oposto. Se alguém aborda a questão desta maneira, de acordo com João Paulo II, este alguém não está vivendo de acordo com as palavras de Cristo (cf. TdC, 28/04/1982).

“A vida humana, por sua natureza, é ‘coeduativa’” (TdC, 08/10/1980). Com isso o Santo Padre quis dizer que os sexos precisam um do outro, e eles precisam aprender a amarem-se um ao outro adequadamente para que a vida humana mantenha sua devida dignidade e equilíbrio. Isto é uma verdade tanto para celibatários consagrados quanto para pessoas casadas.

Homens e mulheres tais como Francisco e Clara de Assis, João da Cruz e Tereza d’Ávila, e Francisco de Sales e Joana de Chantal, todos estes tiveram saudáveis, santas, íntimas e celibatárias relações um com o outro. Sim, isso é perfeitamente possível. E que testemunhas de liberdade estes santos são!

Se pensamos que isto é impossível – se nós imediatamente suspeitamos de “negócios suspeitos” acontecendo em tais relacionamentos – então nós podemos nos contar entre aqueles a quem João Paulo II rotula de “os mestres da suspeição”. Os mestres da suspeição não acreditam no dom e no poder da redenção. Uma vez que a escravidão à concupiscência é tudo que eles conhecem em seus próprios corações, eles a projetam para todos os outros.

Mas como o Papa insiste: “O homem não pode tirar o coração de um estado de contínua e irreversível suspeita devido às manifestações da concupiscência da carne e da libido… A redenção é uma verdade, uma realidade, em nome da qual o homem precisa se sentir chamado, e chamado com eficácia”. De fato, ele diz: “o sentido da vida é a antítese da interpretação ‘de suspeita’” (TdC, 29/10/1980).

O Celibado é Sobrenatural

São precisamente estes “mestres da suspeição” que sustentam que o celibato é o culpado pelos vários problemas sexuais do clero amplamente noticiados em nossos jornais. “O celibato é simplesmente anti-natural”, eles dizem.

Em certo sentido estas pessoas estão certas em dizer que o celibato não é natural. Como se diz, e como Cristo revela, ele é sobrenatural. É o celibato por amor do Reino. Ao chamar alguns para renunciar ao chamado natural para o matrimônio, Cristo estabeleceu um modo de vida inteiramente novo e, assim, demonstrou o poder da Cruz para transformar vidas.

Para aqueles que estão “presos” em uma visão decaída do impulso sexual sem qualquer conceito da liberdade para a qual nós somos chamados em Cristo, a idéia de uma longa vida celibatária é completamente sem sentido. Mas para aqueles que experimentaram a transformação do seu desejo sexual em Cristo, a idéia de fazer um completo dom de sua sexualidade para Deus não somente se torna uma possibilidade, ela se torna muito atrativa.

O celibato é uma graça, um dom. Uma minoria dos seguidores de Cristo são chamados a abraçar este dom. Mas, para aqueles a quem este dom é confiado, a eles também é concedida a graça para que sejam fiéis aos seus votos, assim como as pessoas casadas recebem a graça de serem fiéis aos seus.

Em ambas as vocações, as pessoas podem rejeitar, e acontece de rejeitarem, esta graça, e violar seus votos. Certamente na maioria das típicas dioceses católicas, há uma necessidade por uma maior franqueza a respeito das feridas sexuais e pelo desenvolvimento e promoção de ministros que tragam a cura de Cristo para os que precisam, incluindo padres. Mas a solução para a infidelidade conjugal e celibatária não é ceder à fraqueza humana e redefinir a natureza dos compromissos. A solução é apontar para a Cruz como fonte da graça que ela é, uma fonte da qual nós podemos beber gratuitamente e receber poder real para viver e amar da forma como fomos chamados para viver e amar.

Além disso, as estatísticas de desvio de conduta sexual entre os padres celibatários não é maior do que a dos clérigos casados em outras denominações cristãs. Simplesmente não há evidências de que permitir ao clero o casamento resolveria ou mesmo aliviaria este problema.

Há também um perigoso equívoco implícito na idéia de que o casamento seria a solução do escândalo sexual de alguns padres. O casamento não é uma uma “válvula de escape legítima” para desejos sexuais desordenados. Pessoas casadas, não menos que as celibatárias, precisam experimentar a redenção do seu desejo sexual em Cristo. Somente assim eles poderão se amar um ao outro à imagem de Deus. Se um homem assumisse um casamento com profundas desordens sexuais, ele estaria condenando sua esposa a uma vida não como pessoa, mas como objeto sexual.

O celibato não causa desvios sexuais. É o pecado que faz isso. O ato de se casar não cura, simplesmente, as desordens sexuais. Cristo cura. A única forma de se acabar com os pecados de escândalo sexuais (cometidos por padres ou outros) é as pessoas experimentarem a redenção de sua sexualidade em Cristo.

Conclusão

Em um mundo que perdeu o céu de vista, aqueles que são “eunucos por amor ao Reino” resplandecem para nós como um testemunho brilhante do destino último da vida humana. Eles testemunham aquilo que Santo Agostinho disse muito bem: “Tu nos fizeste para Ti, ó Deus, e nosso coração não descansa até que nos repousemos em Ti”.

Como aprendemos com a Teologia do Corpo de João Paulo II, o desejo sexual e o sentido nupcial do corpo são, no final das contas, plenamente realizados nas núpcias eternas do céu. Desta perspectiva se torna claro que toda a confusão sexual do nosso mundo é simplesmente o desejo humano pelo Céu, porém, um desejo desesperado, frenético.

Somente “desembaraçando” esta confusão sexual nós poderemos começar a compreender o plano de Deus para a união nupcial como uma revelação e prefiguração da visão beatífica. Somente então conseguiremos enxergar que o celibato pelo Reino, longe de desvalorizar a sexualidade, antecipa e participa em sua plena realização final.

Nota do autor: Eu ainda acrescento o seguinte:

O Celibato Não é Intrínseco ao Sacerdócio

Ao contrário da opinião de muitos, o celibato não é essencial para um sacerdócio válido. É somente uma disciplina sustentada na Igreja do Ocidente a fim de obedecer mais fielmente ao exemplo de Cristo, o qual foi, ele próprio, um celibatário.

Nós freqüentemente esquecemos, aqui no Ocidente, que há muitas Igrejas Católicas no rito oriental (ou seja, Igrejas do Oriente em plena comunhão com o Papa) que possuem padres casados. Eles não são uma categoria de padres católicos inferior aos padres de rito romano, os quais vivem um sacerdócio celibatário. Além disso, em alguns casos, padres casados de outras denominações (anglicanos, por exemplo) que se convertem ao catolicismo, podem ser ordenados como padres no rito romano, mesmo sendo casados.

Alguns recorrem às vantagens práticas de um clero celibatário para explicar a prática da Igreja Ocidental. Muitos pastores protestantes ou padres casados podem confirmar as dificuldades de se tentar pastorear seu rebanho e cuidar de suas famílias ao mesmo tempo. Como São Paulo diz, o celibato permite que a pessoa não fique “dividida” em seu serviço, mas seja capaz de dedicar-se inteiramente ao serviço da Igreja (1Cor 7,32-34). E ainda, sem questionar o valor prático do celibato, há uma razão profunda e teológica para a disciplina do celibato para o clero ocidental.

Cristo não se casou com uma mulher específica, porque ele veio para se casar com a humanidade inteira. A Igreja é sua eterna Noiva. Padres ordenados se tornam um sacramento de Cristo. Eles tornam o amor do Noivo Celeste eficazmente presente para a Igreja, particularmente no sacrifício Eucarístico. Agindo na pessoa de Cristo, os padres também “se casam” com a Igreja.

Este importante simbolismo é melhor compreendido quando um padre também não é casado com uma mulher em particular. Mas, mais uma vez, isto não é essencial. A Igreja poderia muito bem mudar a disciplina do rito latino em algum momento do futuro e isto não alteraria a natureza essencial da ordenação sacerdotal.

Um apontamento que ainda precisa ser feito é que, se a Igreja em algum momento mudar a disciplina do celibato para o clero ocidental, aqueles que já forem ordenados não poderiam se casar. O sacramento da Sagrada Ordem imprime uma marca indelével na alma do homem que o recebe. Esta marca consagra um homem ao serviço de Cristo e da Igreja na única forma que precede sobre a consagração do matrimônio.

Um homem que já for casado pode receber o sacramento da Sagrada Ordem (no rito latino eles são limitados ao diaconato), mas um homem solteiro que receber o sacramento da Sagrada Ordem não pode se casar depois. Mesmo um diácono permanente, se fica viúvo, não pode se casar novamente.

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Nota do tradutor: Eu achei que seria importante mencionar algo que o Christopher omitiu em seu texto: quando se fala em celibato, estamos falando de uma disciplina que a Igreja de rito romano impõe aos sacerdotes. Tal disciplina é absolutamente diferente do voto de castidade que é feito pelos religiosos e religiosas das diversas Ordens que existem na Igreja, como os agostinianos, franciscanos, beneditinos, dominicanos, clarissas, carmelitas, etc. Não obstante, muita gente confunde as duas coisas (celibato e voto de castidade).A diferença essencial entre um e outro é que, enquanto o celibato é uma disciplina inerente à função sacerdotal (e que, portanto, pode ser revogada pela Igreja), o voto de castidade é um voto pessoal, uma promessa íntima de sacrifício por causa do Reino. Por isso, mesmo na hipótese de que a Igreja, em algum momento, mude a disciplina do celibato sacerdotal, para os religiosos e religiosas os votos de castidade continuariam valendo. É suficientemente óbvio que isso jamais poderia mudar, pois o casamento é totalmente incompatível com a vida monástica, conventual, etc.

Tradução e adaptação: Fabrício L. Ribeiro

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