“Papa tem razão: Aids não se detém com o preservativo”

Terça-feira, 13 Outubro, 2009 at 9:31 | In Moral e Sexualidade | Leave a Comment
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“Papa tem razão: Aids não se detém com o preservativo”

Entrevista aos doutores Renzo Puccetti e Cesare Cavoni

Por Antonio Gaspari

ROMA, quarta-feira, 7 de outubro de 2009 (ZENIT.org).- Suscitaram polêmica as declarações do cardeal de Gana, Peter Kodwo Appiah Turkson, a respeito do uso do preservativo entre um casal no qual um dos dois tem Aids.

Respondendo às perguntas de um jornalista, o relator geral do Sínodo dos Bispos para a África explicou que é mais eficaz investir em fármacos antirretrovirais que em preservativos para conter a propagação da Aids.

A resposta reabriu o debate sobre o uso dos preservativos como técnica para combater a expansão do HIV.

Sobre a questão já se havia expressado o Papa Bento XVI e se desencadeou uma tormenta nos meios de comunicação.

Para tentar compreender quais são os argumentos que subjazem ao debate e que parecem implicar tantos interesses, ZENIT entrevistou os doutores Renzo Puccetti e Cesare Cavoni, o primeiro médico e o outro professor de Bioética e jornalista de Sat2000, condutor do programa “2030 entre ciência e consciência”, que acabam de entregar ao editor o livro em italiano Il Papa ha ragione! L’Aids non se ferma con il condom (Fede & Cultura).

– O que pensam das declarações do cardeal Peter Kodwo Appiah Turkson com respeito ao uso de preservativo?

– Puccetti: Ao ler os jornais, fiquei surpreso, mas logo li a transcrição da intervenção do cardeal e então compreendi que se tratava de mais um caso de distorção da mensagem. O cardeal, em primeiro lugar, não se deteve em uma avaliação moral da questão; ao mesmo tempo, através de suas declarações, não se afastou para nada do constante ensinamento moral da Igreja.

O cardeal reconhece, como é lógico, que junto aos fármacos antirretrovirais, o uso do preservativo se opõe à propagação da Aids nos casos em que não se recorre à abstinência e à fidelidade. Está-se falando portanto de tudo que teoricamente pode ser utilizado.

O cardeal fala da experiência dos centros de saúde de Gana e da Igreja Católica, segundo os quais nas famílias nas quais se propôs o preservativo, este funcionou só se estavam decididas a manter a fidelidade. O cardeal recordou que, também no caso de pessoas sorodiscordantes, o recurso ao preservativo é fonte de uma falsa segurança, agravada pelo fato de confiar em uma manufatura.

Quando o presidente de Uganda deu luz verde à estratégia ABC (Abstinence, Be faithful, Condom) que se revelou muito eficaz em combater a epidemia da Aids e que logo foi tomada como modelo com igual êxito em outros países africanos, dizia coisas bastante similares ao que disse o cardeal: a vida não pode ser colocada em jogo confiando-a a uma fina capa de látex.

– Mas o preservativo serve ou não para deter a Aids?

– Puccetti: Não é fácil responder de forma taxativa, mas se tenho que dizer se o preservativo serve para deter a Aids nas epidemias generalizadas, a resposta que posso dar segundo o corpo de conhecimentos científicos disponíveis é “não”.

Para que pudesse funcionar, o homem deveria ser não muito diferente que um rato em uma jaula à qual antes de cada cópula alguém dosa o preservativo. Nesse caso, o preservativo poderia ser útil.

Mas como o homem não é um rato, não vive em jaulas e não há profissionais dispostos a dosar-lhe o preservativo, não há que surpreender-se de que a eficácia teórica não aconteça na vida real.

– Por que decidiram escrever um livro sobre este tema?

– Cavoni: Este livro nasce de uma triste constatação, a de que com frequência a informação fala de fatos que não conhece e, também, os deforma. É o que aconteceu durante a primeira visita do Papa à África em março deste ano.

O livro nasce desta tristeza e, também, da raiva de ver pisoteados os princípios fundamentais de uma correta informação. Ao mesmo tempo, parecia-nos necessário dar a conhecer ao público os fatos assim como sucederam e, de algum modo, abrir os olhos da opinião pública, de modo que não tome como ouro fino torpes instrumentalizações, perpetradas por motivos ideológicos, por superficialidades, ou por ambos fatores.

– Quais os argumentos para dizer que o Papa tinha razão?

– Puccetti: O livro está articulado em duas partes. Na primeira, reconstruiu-se com fidelidade absoluta o trabalho de descrição das declarações do Santo Padre; da leitura do livro se faz sumamente evidente a progressiva distorção da mensagem realizada com adendos, omissões, substituições. Logo, transcrevemos, como fazem vocês com as do cardeal Turkson, as palavras exatas do Papa ao jornalista francês que fez a pergunta sobre o preservativo. Na segunda parte do livro, resumimos o melhor que pudemos o panorama de conhecimento oferecido pela literatura científica internacional enquanto a aplicação clínica da prevenção mediante a promoção do uso do preservativo.

Dedicamos especial atenção aos números, porque consideramos que podem ser uma base de discussão compartilhada à margem da orientação religiosa.

Quando um interlocutor meu se mostra surpreso se declarações de eminentes cientistas confirmam o que diz o Papa, não posso senão deduzir disso o escasso conhecimento dos dados que no curso dos anos se sedimentaram e da amplitude das vozes que, em revistas internacionais como The Lancet ou o British Medical Journal, replicaram aos editoriais daquelas mesmas revistas.

– Por que tanto clamor pelas palavras do Papa e como se produziu a desinformação?

– Cavoni: Todos os maiores jornais nacionais e internacionais se lançaram, direta ou indiretamente, contra o pontífice, réu de ter dito que os preservativos não resolvem os problemas da África e sim, os agravam. As críticas se acentuaram logo no momento em que chegaram as observações, mais ferozes, por parte de vários expoentes de governos europeus e inclusive a resolução do Parlamento belga que pedia ao Papa que desmentisse o afirmado.

A questão é que quem toma posições tão fortes, se presume que saiba o que disse em verdade o Papa; e ao contrário não foi assim: todos falavam mas pouco haviam escutado. Tanto é assim que, em um segundo momento, muitos cientistas confirmaram os conceitos expressados por Bento XVI.

Temos de pensar que, para muitas pessoas, a primeira e única fonte de informação, ou de simples conhecimento da realidade circundante, está determinada por jornais e telejornais. Está vigente ainda, em suma, o clássico “foi dito no telejornal”, ou o “li no jornal”, e isto para confirmar a veracidade do que se soube.

Os meios de informação adquirem um princípio de autoridade potentíssimo. Se portanto as coisas, os fatos, as notícias apresentadas se baseiam em reconstruções parciais, o leitor receberá em presente uma leitura da realidade deformada, que não corresponde à verdade. Com esta técnica se pode inclusive criar uma realidade virtual paralela à real.

Se eu, devendo informar sobre as palavras do Papa, e comentá-las, não o escuto e não reproduzo corretamente, corro o risco de comentar algo que não se disse ou se disse de modo substancialmente diferente.

O problema das fontes jornalísticas, que devem ser acessíveis, etc, das que se fala tanto nestas semanas, não vale apenas, para as atas públicas das fiscalização, mas para o abc do jornalismo: ser testemunha de tudo o que se dispõe a descrever.

Não estamos falando de uma nebulosa objetividade, de imparcialidade; não, estamos falando do fato de que devo estar presente no cenário do fato que descrevo. E se isto não é possível, visto que no caso específico, não todos os jornalistas podem estar no séquito do pontífice, quando menos me permito voltar a escutar, palavra por palavra, o que de verdade disse o Papa e por que o disse.

Ao contrário, muitos se fiaram do que haviam ouvido dizer, de um primeiro texto, incorreto. O resto é história comum de desinformação.

Fonte: http://www.zenit.org/article-22894?l=portuguese

Estudo revela abundantes casos de pedofilia homossexual no sistema que cuida das crianças órfãs

Segunda-feira, 21 Setembro, 2009 at 8:46 | In Filhos / Educação dos Filhos, Moral e Sexualidade | Leave a Comment
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Estudo revela abundantes casos de pedofilia homossexual no sistema que cuida das crianças órfãs

Mary Rettig

(AgapePress) — Um pesquisador pró-família afirma que um estudo preocupante sobre o abuso de crianças órfãs (sob a supervisão do governo em lares temporários ou não) demonstra uma necessidade real de mais informações. O foco de sua preocupação imediata é um estudo do Instituto de Pesquisa de Família envolvendo o sistema público que cuida das crianças órfãs. O estudo revelou que uma percentagem desproporcionalmente elevada de casos de abuso sexual era de natureza homossexual.

O Dr. Paul Cameron do Instituto de Pesquisa de Família declara que o estudo mostrou que mais de um terço dos casos de abuso sexual dentro do sistema que cuida de crianças órfãs no Estado de Illinois eram incidentes homossexuais, e ele crê que esses números refletem o resto dos Estados Unidos. No entanto, o médico observa que um grande problema na hora de impedir tais abusos [no país inteiro] é que é extremamente difícil de obter informações de outros estados.

Cameron sente que é extremamente importante saber mais sobre essa situação trágica, e ele está suplicando ao público que pressione os que podem ajudar a tratar dessa situação. “O que precisamos”, diz ele, “e o que eu pediria que vocês fizessem é que se um político no estado em que vocês vivem afirma que [suas autoridades estão] preocupadas com isso, então por favor façam com que esse político revele essas informações ao público”.

Embora o estudo de Illinois não tivesse investigado para descobrir se os pais adotivos pedófilos eram homossexuais, o porta-voz do Instituto de Pesquisa da Família sente que suas revelações chocantes deveriam ser consideradas com todo o cuidado e tratadas com a devida seriedade. “Nesse estudo, descobrimos que 34 por cento dos estupros foram cometidos por homossexuais. Isso é totalmente inaceitável”, diz ele.

Cameron mostra que a Associação Americana de Psicologia declarou em 2004 seu apoio aos esforços para permitir que homossexuais adotem crianças ou prestem assistência a crianças órfãs. No entanto, o médico sustenta que tais associações profissionais podem estar tão emaranhadas nas tão chamadas causas de direitos iguais que ninguém se lembre do bem-estar das crianças. E o pesquisador observa que, lamentavelmente, as crianças órfãs que estão sob os cuidados do governo tendem de modo especial a acabar sendo tratadas como mercadorias. Contudo, avisa ele, embora essas crianças sejam descartadas pela sociedade, essa mesma sociedade sofrerá as conseqüências mais tarde pelos problemas que essas jovens vítimas causarão quando se tornarem adultas.

Cameron espera que o estudo do Instituto de Pesquisa de Família envolvendo pedofilia no sistema que cuida de órfãos levará a uma mudança nas políticas sobre pais adotivos, apesar das tão chamadas questões de igualdade. E ele espera que mais estudos sejam feitos e mais informações sejam dadas ao público sobre a importante questão envolvendo o bem-estar das crianças em toda a sociedade.

© 2005 AgapePress all rights reserved.

Traduzido e adaptado por Julio Severo: http://www.juliosevero.com.br/

Fonte: http://headlines.agapepress.org/archive/3/afa/142005d.asp

A mentalidade contraceptiva faz mal à família

Terça-feira, 7 Abril, 2009 at 23:30 | In Matrimônio e Família, Moral e Sexualidade | Leave a Comment
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Sexo sem conseqüências, mundo sem compromisso
Por Christopher Tollefsen

Um mundo moldado pela contracepção está longe de ser favorável ao casamento e à família.

A 25 de julho de 1968, o Papa Paulo VI publicou um documento, Humanae Vitae, em que se declarava que a pílula era incompatível com a moral católica. Teria esse fato conduzido a sua Igreja a décadas de irrelevância moral ou feito da Igreja um farol de clareza moral? Nesta entrevista, publicada originalmente no site MercatorNet, o filósofo norte-americano Christopher Tollefsen disseca do ponto de vista moral o movimento em favor dos anticoncepcionais.

MercatorNet: Recentemente, você escreveu sobre a fertilização in vitro (FIV) e outras técnicas similares que separam o sexo da reprodução, sobre os problemas éticos e as profundas implicações para o homem que elas têm. Mas gostaria que voltássemos um pouco no tempo para tratar da primeira tecnologia a separar o sexo da reprodução – os contraceptivos, especialmente a pílula, um produto eficaz e produzido em massa. Esses dois desenvolvimentos tecnológicos do século XX estão relacionados? Podemos dizer que um levou ao outro?

Christopher Tollefsen: São como os dois lados da mesma moeda. A sexualidade e a procriação, quando unidas no casamento, são as duas facetas de um bem grande e realizador, e ambas aperfeiçoam a vida dos cônjuges. Ao mesmo tempo, trazem consigo responsabilidades significativas, como todos os bens: não nos é fácil para praticar a virtude da castidade, dentro e fora do matrimônio, nem estar abertos ao dom de uma nova vida como fruto natural do amor entre os esposos.

A pílula permite que nos livremos da carga que supõe a conexão da sexualidade tanto com o matrimônio como com os filhos. Teremos as crianças de acordo com as nossas regras agora – talvez num casamento, talvez não. E a conseqüência lógica disso é que a FIV nos permite controlar mais e melhor a procriação. Em alguns casos, a FIV constitui uma reposta compreensível, embora eu a julgue errada, à incapacidade de conceber de alguns casais. Acontece que cada vez mais tem sido usada para garantir que teremos os tipos de filhos que quisermos, filhos livres de alguma doença, por exemplo, ou dotados de certos atributos que outros não têm.

Infelizmente, tanto a contracepção como a reprodução assistida são hoje vistas não apenas como coisas aceitáveis, mas como obrigações morais. Em última análise, penso que o assunto tem a ver com a nossa recusa em aceitar qualquer coisa que escape totalmente ao nosso controle – não é atrativo encarar a vida humana e a sexualidade como dons, porque isso revelaria que não somos os autores integrais da nossa própria existência. E, tristemente, a nossa resposta ao sofrimento, mesmo o sofrimento da esterilidade, segue essa mesma linha. O sofrimento é inteiramente um mal e deve ser rejeitado precisamente por estar fora do nosso controle, por ser uma ameaça à nossa “divindade” (a nossa descrição do sofrimento como algo “gratuito” também traz o caráter de algo que não escolhemos). Mas o cristianismo sempre ofereceu uma resposta redentora para os nossos sofrimentos ao ligá-los com os sofrimentos de Alguém que, sendo Deus, assumiu a forma de escravo.

MercatorNet: Houve uma reação negativa generalizada, entre os católicos inclusive, quando o Papa Paulo VI publicou a sua encíclica sobre a vida humana – Humanae Vitae - em que explicava por que a contracepção (diferentemente da abstinência periódica) era inaceitável do ponto de vista teológico e mesmo do ponto de vista meramente humano. A reação foi surpreendente, pois havia então apenas uns dez anos que a pílula estava disponível. Evidentemente, já devia estar em curso há algum tempo uma mudança de atitudes. Quais foram os antecedentes filosóficos dessa típica “revolta de 1968″?

Tollefsen: Com certeza, a aceitação geral de uma mentalidade utilitarista ou conseqüencialista, tanto na filosofia como na cultura política, contribuiu muito para essa revolta. A visão de que conseqüências boas podem tornar corretas ou mesmo obrigatórias algumas ações serviu de desculpa para muitos teólogos que afirmavam não existirem absolutos morais e que a moral sexual e reprodutiva precisava levar em conta o bem integral dos casais, unidos ou não pelo matrimônio. Só que essa é uma visão das coisas pelo avesso. Como disse o Papa João Paulo II na Encíclica Veritatis Splendor, os mandamentos estão para proteger os bens e o desenvolvimento do homem, e isso vale também para o ensinamento da Igreja acerca da contracepção.

MercatorNet: Sexo antes do casamento, uniões livres em vez de matrimônio, infidelidade conjugal, aumento nas taxas de divórcio: esses e outros males foram todos atribuídos à contracepção. Não seria simplificar demais as coisas? Seria a chamada mentalidade contraceptiva assim tão fundamental na determinação das tendências da sociedade contemporânea?

Tollefsen: É difícil menosprezar o profundo impacto que a contracepção teve na sociedade, embora não se possa dizer que há sempre uma relação direta de causa e efeito; não queremos dizer, por exemplo, que os casamentos vão fracassar porque as pessoas tomam anticoncepcionais. Mas a contracepção possibilita um mundo em que a castidade pré-conjugal deixa de ser necessária, o que por sua vez cria um mundo em que a castidade conjugal também é mais difícil. Cria-se um mundo em que há uma tremenda pressão em ambos os esposos para que se dediquem ao trabalho e adiem os filhos, o que faz surgir mais tensões na família. Além disso, parece bem plausível que a idéia de que temos o direito de satisfazer irrestritamente os nossos desejos sexuais teve um papel considerável no crescimento da indústria pornográfica, que causou sérios danos à família. Assim, o resultado final de um mundo amplamente moldado pela contracepção é um mundo bem pouco amistoso para com o casamento e a família.

MercatorNet: O conceito de “planejamento familiar” já se tornou popular na sociedade. Você acha esse termo problemático? O termo “paternidade responsável”, que é o empregado pela Igreja Católica, é melhor? Por quê?

Tollefsen: Bem, um dos problemas é que “planejamento familiar” quase sempre é um eufemismo para aborto sob demanda. E sem dúvida a idéia de “planejamento” pode parecer demasiado técnica, como é patente em diversas formas de reprodução assistida. Mas acho que também seria um erro deixar de lado a idéia acima mencionada, que a sexualidade e a procriação implicam responsabilidades; os casais podem ter motivos de peso para espaçar os filhos ou evitar a concepção por um certo tempo. Assim, o termo “paternidade responsável” parece dar uma boa noção daquilo a que um casal está chamado a viver.

MercatorNet: Uma das afirmações mais controversas acerca da contracepção é que ela conduz à difusão do aborto. Muitas pessoas conscienciosas ficam zangadas e estarrecidas diante de tal afirmação, mas será que não se estão enganando a si próprias?

Tollefsen: Receio que sim. A contracepção possibilitou algo que muitos seres humanos sempre desejaram: sexo sem conseqüências. Antes do século XX, as conseqüências do sexo fora do casamento eram geralmente a gravidez, de vez em quando alguma doença e quase sempre uma reputação bastante rebaixada. Mas a tecnologia contraceptiva diminui a ocorrência da primeira e da terceira conseqüências… até certo ponto, claro. Não elimina completamente a possibilidade de gravidez; assim, o sexo sem conseqüências, mesmo com o uso generalizado de contraceptivos, permanece inatingível se não se tem acesso ao aborto. Por isso, parece-me natural que uma pessoa pró-vida que se opõe ao aborto passe a ser uma pessoa pró-vida que propõe a castidade dentro e fora do casamento.

MercatorNet: Algumas pessoas não vêem diferença entre a contracepção e as técnicas naturais para o controle da fertilidade – o chamado planejamento familiar natural -, uma vez que a finalidade desejada é a mesma: “nada de bebês desta vez”. Há diferença moral ou filosófica entre essas duas coisas?

Tollefsen: Contracepção significa: não querer bebês e garantir que a concepção não vai acontecer. Essa decisão de prevenir um eventual bebê parece-me contrária à vida humana. Por outro lado, os esposos claramente não têm a obrigação de ter relações em todas as ocasiões possíveis, e têm vários bons motivos para se absterem algumas vezes. Durante o período fértil, o efeito da abstinência é às vezes desejável, de maneira que a abstinência é permissível. Isso é bem diferente de optar por evitar absolutamente a concepção de um bebê.

MercatorNet: Afirmar que o uso da pílula é antiético é ir contracorrente. Você teria umas palavras bem redondas para fazer as pessoas pensarem no assunto?

Tollefsen: Acho que as pessoas deveriam perguntar-se se o mundo tornado possível pela pílula – um mundo em que as relações sexuais não implicam compromisso numa união permanente e exclusiva com a esperança de filhos, e em que o casamento é quase sempre visto como uma parceria para o aumento do patrimônio e do status, sendo as crianças um item opcional -, se esse mundo as fez mais felizes, ou fez mais felizes os seus amigos e parentes. Uma resposta honesta a essa pergunta provavelmente as deixaria surpresas.

Christopher Tollefsen

Professor adjunto de filosofia na University of South Carolina e co-autor, com Robert P. George, do livro “Embryo: A Defense of Human Life” (Doubleday, 2008). É também membro do Witherspoon Institute of Princeton, New Jersey.

Fonte: MercatorNet
Link: http://www.mercatornet.com/
Tradução: Quadrante

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Leia mais:

Castidade no casamento

Segunda-feira, 6 Abril, 2009 at 23:04 | In Moral e Sexualidade | 2 Comments
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Você acha que castidade e casamento combinam? Ou acha que a castidade se vive até o casamento?

Veja este vídeo de Jason Evert e reflita:

Tradução e legendas: Daniel Pinheiro

Paz e Bem!

Adolescência e sexo (II)

Quinta-feira, 2 Abril, 2009 at 15:21 | In Filhos / Educação dos Filhos, Moral e Sexualidade | Leave a Comment
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Segunda parte do artigo do promotor Paulo Pereira da Costa, ‘Adolescência e sexo’ (para ler a primeira parte, clique aqui). Faço alguns comentários depois:

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ADOLESCÊNCIA E SEXO (II)

Por Paulo Pereira da Costa*

Homem e mulher, se é pra se unir, que seja com laços fortes. A boa estrutura do relacionamento se obtém com o aprendizado e o amadurecimento que cada etapa proporciona. Assim, com efeito, ternura, carinho, a união se consolida e dificilmente vai ruir. Não se trata de exigir que sempre concordem em tudo. Nas etapas mais avançadas da vida a dois, quando vêm os filhos, surgem dificuldades, prováveis rusgas, mas numa relação sólida elas são superadas. E, com efeito, essa efetiva superação dos conflitos fortalece cada vez mais a união. Penso que quando se pede a garota em casamento é porque se sente algo tão forte que as palavras saem sem nenhum esforço para dizer: ‘quero você junto comigo para o resto da vida; quero amá-la agora e sempre, mesmo nos tempos mais sombrios, mesmo quando as árvores se desfolharem, as flores secarem; quero continuar amando-a mesmo quando o nosso viço tiver cedido aos efeitos do tempo, e depois que os nossos filhos se casarem e ficarmos só nós dois, entrados em anos, quando nossas forças forem suficientes apenas para um abraço, e continuarem a amá-la mesmo depois que você também se for, porque a sua lembrança me dará forças para não perder o sentido da vida’.

Puritanismo? Caretice? Pensem o que quiserem. O fato é que o modo moderninho de os adolescentes se relacionarem não tem dado bons resultados; gera filhos, mas não forma famílias; cria adultos inseguros, com propensão ao efêmero, ao fugaz, sem capacidade de assumir e manter compromissos. Quanto tempo, por exemplo, durou o casamento do Ronaldo Fenômeno com a Daniela Cicarelli? É comum mulheres dizerem que os homens interessantes estão virando raridade. Será que elas, tão permissivas, tão liberais, vulgares até, não têm grande parte de responsabilidade nisso? Será que não estão perdendo a graça? Dia desses, na TV, vi um programa no canal GNT em que uma sexóloga sessentona dá conselhos. Uma mulher apresentou a seguinte questão: o marido queria que ela o deixasse agredi-la com um chicote para machucá-la e fazê-la chorar, pois isso o excitava sexualmente. Ou seja, ele precisava humilhá-la e sentir-se superior para ter prazer. Ela disse que não estava a fim disso, mas tinha receio de não fazer o ‘jogo’ porque não queria magoá-lo. A conselheira refletiu um pouco. Pensei que ela fosse aconselhar com firmeza a mulher a mandar o marido se catar, procurar um médico, algo assim. Ela, porém, sugeriu que a mulher experimentasse uma vez e, se não gostasse, dissesse com jeitinho ao marido. Antiquado declarado, fiquei pasmo!

A mulher que aceita sofrer agressões físicas e morais, que se submete a humilhação para satisfazer desejos doentios do homem não tem amor-próprio, não se dá valor. Essa coisa de sadomasoquismo é doença e como tal deve ser tratada. Não existe uma relação no sentido mais nobre do termo se a dignidade é violada, se há violência física e moral. Amor é outra coisa, tem a ver com apreço, carinho, respeito consigo mesmo e com o outro. A visão tosca, doente mesmo, desvirtua o amor, limita-o. Esse sentimento descartável que vige não é amor. Chega de banalização, de vulgarização, de falta de essência. Os adolescentes precisam ser alertados disso pelos pais, professores e educadores em geral.


* Paulo Pereira da Costa é promotor de justiça em Piracicaba desde 1993, nascido em Ituverava, e formado em Direito pela Faculdade de Direito de Franca, Franca-SP.

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Gostaria de emendar alguns comentários sobre este artigo do Paulo Pereira da Costa, e dos conceitos por ele abordados.

Antes de qualquer coisa, por quê que achei que este artigo merecia destaque aqui, no P.A.? Simples: porque achei que o autor conseguiu ter uma visão clara e ampla dos sintomas causados na sociedade após esta ter sofrido, ao longo das últimas décadas, um bombardeio de erotização.

Além de tudo, as instituição “família” também passou e vêm passando por vários ataques à sua integridade, ao seu valor, à sacralidade do Matrimônio, que é sua base, sua fundação. Além da exposição da família à erotização já mencionada — que hoje em dia é perfeitamente observada nas novelas e nos Big Brothers –, ainda há a elevação do divórcio ao status de lei, a contracepção, a militância em favor da descriminalização do aborto, a militância em favor dos “direitos GLBT”, etc.

Além disso, há ainda a omissão dos pais na educação dos filhos, principalmente na educação afetiva e sexual. É fato que os pais católicos devem educar seus filhos para o amor, para o matrimônio, que os inimigos da Igreja e da família tentam transformar em um descartável e efêmero relacionamento, no lugar de um indissolúvel Sacramento. Hoje em dia são raros os adolescentes que recebem esse tipo de orientação em casa. Grande parte recebe esse tipo de informação das fontes erradas, e de maneira errada. Quase sempre, também a informação é errada. Os ensinantes de “educação sexual” nas escolas, por exemplo, muitas vezes inculcam nos seus alunos falsas idéias como a de que o sexo é um direito; de que o próprio prazer é um direito; de que ninguém deve dar pitaco nessa questão, que é muito pessoal e íntima; que a contracepção é uma coisa legal; que a camisinha é 100% “segura”; que sexo tem que ser “seguro”, senão é imoral… ou seja, uma sexualidade totalmente invertida, transviada. O sentido humano da afetividade sexual os adolescentes jamais aprenderão na escola, onde cogita-se até mesmo a instalação de máquinas de camisinha.

Gostaria de dar destaque a este trecho da primeira parte do artigo:

«O erotismo deve brotar naturalmente, quando o casal já possui uma boa base emocional e questões outras já estão resolvidas.»

As “questões outras” que já devem estar resolvidas na etapa em que brota o erotismo são, obviamente, as questões relativas ao casamento. A sexualidade humana, como bem esclarece a Doutrina da Igreja, mãe e mestra em matéria moral, contém em si própria, por vontade do Criador, a potencialidade da vida. Do amor entre os esposos pode surgir uma nova vida. E é um direito dos filhos nascerem: a) do amor de seus pais; e b) num ambiente familiar estável e duradouro, que permita à prole ser educada principalmente pelo exemplo de seus pais, pois é justamente na observância do testemunho dos pais que começa aquela educação afetiva e sexual doméstica já mencionada.

Penso que o próprio autor deixa isso bem claro quando continua, logo no início da segunda parte:

«Homem e mulher, se é pra se unir, que seja com laços fortes.»

Por fim, destaco o recado final do autor: os adolescentes precisam ser alertados pelos pais, professores e educadores em geral.

Meu recado particular vai para os pais: vocês têm o dever de serem os primeiros e principais educadores dos seus filhos. Eduquem-nos para o Amor, e eduquem-nos principalmente com o vosso próprio testemunho!

Paz e Bem!

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Leituras recomendadas:

Adolescência e sexo

Quarta-feira, 1 Abril, 2009 at 10:54 | In Filhos / Educação dos Filhos, Moral e Sexualidade | 1 Comment
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O artigo abaixo foi escrito por Paulo Pereira da Costa, promotor de Justiça e autor do livro ‘Pensando na Vida’, e publicado recentemente em duas partes (dois sábados consecutivos) no Editorial do jornal Comércio da Franca, o principal jornal da minha cidade.

Com a autorização do autor, reproduzo aqui seu artigo:

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ADOLESCÊNCIA E SEXO

Por Paulo Pereira da Costa*

O garoto de 16 anos fala para as colegas que aquela menina de 15 é bonita. Ela fica envaidecida ao saber. Rola um clima e logo os dois estão “ficando”, melhor dizendo, agarrando-se pelos cantos, frenética e lascivamente. Depois disso ele pensa se deve pedi-la em namoro. Não, eu não troquei a ordem. É assim mesmo que a coisa funciona. Ou seja, não funciona. O que começa errado dura pouco. Logo ele não quer mais nada com ela. E ela ainda sai no lucro se não pintar uma gravidez. Não estou delirando. Vejam o número de adolescentes grávidas e, pior, abandonadas. As mulheres estão iniciando a vida sexual cedo demais, sem terem a real noção do que é intimidade, do que é amor. E os homens também. Há coisas na vida que precisam esperar porque requerem certo preparo; outras as devem preceder numa sequência lógica e natural, sem forçar a barra. A adolescente precisa conhecer a si mesma, física e mentalmente, saber da sua natureza, de como funciona o seu corpo. Cada um no casal tem de saber da sua real condição. A mulher não é um mero objeto de satisfação da libido do homem. Nem ele dela. Uma relação verdadeira, sadia, não se sustenta apenas no prazer sexual. Ambos precisam ter consciência disso e quanto mais cedo melhor, pois é daí que vem o imprescindível respeito mútuo, que vai conservar o amor.

A pessoa precisa aprender cedo a valorizar-se, ter noção do tempo para cada coisa, preservar a intimidade para compartilhar com o par certo e na hora certa, enxergar o amor na sua grandiosidade, na sua sublimidade; conter a precipitação, aproveitar cada momento, fazer a vida passar em slow motion. Em Dom Casmurro, de Machado de Assis, Bentinho, com 15 anos, um dia consegue convencer Capitu a deixá-lo pentear os longos cabelos dela. Diz ele: “Continuei a alisar os cabelos com muito cuidado, e dividi-os em duas porções iguais, para compor as duas tranças. Não as fiz logo, nem assim depressa, como podem supor os cabeleireiros de ofício, mas devagar, devagarinho, saboreando pelo tacto aqueles fios grossos, que eram parte dela. (…) e a sensação era um deleite (…). Desejei penteá-los por todos os séculos dos séculos, tecer duas tranças que pudessem envolver o infinito por um número inominável de vezes”. É por aí. É fantástica aquela fase inicial, de olhares furtivos, de ficarem ambos vermelhos quando os olhos se cruzam e denunciam a recíproca observação, de um “oi” tímido.

O namoro deve vir depois de se conhecerem melhor, sentirem que existe mesmo uma química, admiração recíproca, afinidade suficiente para um passo à frente, quando do fundo do coração ele pode dizer a ela: “sinto a vida mais leve quando a vejo, com sua presença parece que tudo se encaixa, gosto de vê-la sorrir, do seu jeito de falar, ajeitar o cabelo, de como você se senta, gosto de você; quero passar mais tempo contigo e compartilhar os meus segredos, desejos, sonhos”. É salutar que no início haja um quê de platônico, em que o simples andar de mãos dadas já seja algo mágico, suficiente para dar a sensação de ter o mundo sob os pés. Depois vem mais intimidade, mas também é uma fase para aferir se o sentimento que une o casal é forte o suficiente. O erotismo deve brotar naturalmente, quando o casal já possui uma boa base emocional e questões outras já estão resolvidas. (segue)


* Paulo Pereira da Costa é promotor de justiça em Piracicaba desde 1993, nascido em Ituverava, e formado em Direito pela Faculdade de Direito de Franca, Franca-SP.

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Não deixem de ler a segunda parte do artigo de Paulo Pereira da Costa.

Paz e Bem!

Filhos: um peso ou um bem?

Sexta-Feira, 27 Março, 2009 at 16:36 | In Filhos / Educação dos Filhos, Matrimônio e Família, Moral e Sexualidade | 1 Comment
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«Muitos casais, mesmo católicos, estão dispostos a fazer grandes sacrifícios para obter uma casa ou um carro, pelo simples fatos dessas coisas serem bens. Não querem, contudo, encarar o alegre sacrifício que supõe ter filhos. Parecem não entender que a fecundidade é o maior bem que uma família pode ter.»Pe. Cormac Burke

Já há algum tempo eu estava com intenção de publicar aqui um artigo, longo mas belíssimo, do Pe. Cormac Burke, ex-juiz da Rota Romana e especialista em Teologia Moral e Direito Canônico.

Pra quem não sabe, a Rota Romana é o Supremo Tribunal da Igreja Católica, responsável, entre outras coisas, a julgar os pedidos de nulidade matrimonial.

Percebi que não poderia adiar a publicação deste artigo por causa da notícia que li hoje na Folha de S. Paulo, dizendo que o Senado aprovou um projeto que obrigará os planos de saúde a cobrir “planejamento familiar”. A questão é que, por “planejamento familiar” a lei reconhece vasectomia, laqueadura, e segundo uma lei de 1996, até fertilização in-vitro (FIV).

«Os filhos são o dom mais excelente do Matrimônio e contribuem grandemente para o bem dos próprios pais. Deus mesmo disse: “Não convém ao homem ficar sozinho” (Gn 2,18), e “criou de início o homem como varão e mulher” (Mt 19,4); querendo conferir ao homem participação especial em sua obra criadora, abençoou o varão e a mulher dizendo: “Crescei e multiplicai-vos” (Gn 1,28). Donde se segue que o cultivo do verdadeiro amor conjugal e toda a estrutura da vida familiar que daí promana, sem desprezar os outros fins do Matrimônio, tendem a dispor os cônjuges a cooperar corajosamente como amor do Criador e do Salvador que, por intermédio dos esposos, quer incessantemente aumentar e enriquecer sua família.»C.I.C. §1652

children-screensaverA Doutrina Católica sobre o matrimônio cristão ensina que os filhos são dons de Deus, concedidos pela sua infinita bondade, que permite e ordena o amor conjugal para que se frutifique. A relação conjugal, para ser verdadeiramente uma relação de amor, precisa estar aberta à vida. Os esposos que quebram voluntariamente e artificialmente o vínculo unitivo e procriativo que Deus quis que existisse naturalmente na relação sexual estão cometendo pecado grave. Estão maculando sua própria relação de amor, pois descumprem a promessa feita a Deus perante a Igreja de “aceitar de bom grado os filhos que Deus vos mandar”.

Incorrem neste erro não somente os casais que recorrem a métodos artificiais para a contracepção, mas também aqueles que recorrem à fertilização in-vitro, inseminação artificial, etc. Diz o Catecismo da Igreja Católica, em seu parágrafo 2377:

«Praticadas entre o casal, estas técnicas (inseminação e fecundação artificiais homólogas) são talvez menos claras a um juízo imediato, mas continuam moralmente inaceitáveis. Dissociam o ato sexual do ato procriador. O ato fundante da existência dos filhos já não é um ato pelo qual duas pessoas se doam uma à outra, mas um ato que remete a vida e a identidade do embrião para o poder dos médicos e biólogos, e instaura um domínio da técnica sobre a origem e a destinação da pessoa humana. Tal relação de dominação é por si contrária à dignidade e à igualdade que devem ser comuns aos pais e aos filhos”. “A procriação é moralmente privada de sua perfeição própria quando não é querida como o fruto do ato conjugal, isto é, do gesto específico da união dos esposos… Somente o respeito ao vínculo que existe entre os significados do ato conjugal e o respeito pela unidade do ser humano permite uma procriação de acordo com a dignidade da pessoa.”»

Os destaques e grifos são meus.

É preciso dizer que nem de longe é verdade o que alguns, desprovidos de informação correta acerca da Doutrina, afirmam. Por exemplo, que para a Igreja, o sexo é só pra reprodução; ou que a Igreja é contra a contracepção em qualquer circunstância. Não, não é verdade.

A Igreja realmente vê com muito bons olhos as famílias numerosas (cf. C.I.C. §2373), porém, ela reconhece que em certos casos, por razões não egoístas, os casais têm necessidade de espaçar os nascimentos dos filhos, ou suspendê-los. A Igreja não é contra a Paternidade Responsável. Ela só quer que a Paternidade Responsável seja realizada de forma não egoísta; que esteja de acordo com uma justa generosidade; e que o façam de acordo com os critérios objetivos da moralidade (cf. C.I.C. §2368). Esses critérios são explicados no parágrafo 2369 do Catecismo:

«Salvaguardando estes dois aspectos essenciais, unitivo e procriador, o ato conjugal conserva integralmente o sentido de amor mútuo e verdadeiro e a sua ordenação para a altíssima vocação do homem para a paternidade.»

Portanto, a regulação dos nascimentos só é válida para um casal cristão quando há uma justa razão para tal (uma que não seja baseada no egoísmo), e que seja um método natural, que recorra aos ritmos naturais impressos pelo Criador em cada pessoa, e não interfira artificialmente na doação mútua entre os esposos.

Uma coisa que é preciso ser dita, e que o Pe. Cormac explica muito bem em seu artigo, é que hoje em dia os filhos raramente são vistos como um bem, como um dom, como alguém que vai trazer coisas muito positivas para a família. Infelizmente até mesmo grande parte dos católicos foram contaminados com a (falsa) idéia de que um filho significa muita despesa, muita dor de cabeça, muito trabalho e um padrão de vida certamente inferior. Onde foi parar a generosidade?

Reflitamos com Pe. Cormac Burke em seu artigo, abaixo:

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Cardeal Pujats: Família x homossexualismo

Segunda-feira, 16 Março, 2009 at 14:49 | In Fé e Igreja, Moral e Sexualidade | 1 Comment
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Achei importante destacar aqui esta entrevista do Cardeal Janis Pujats, Arcebispo de Riga, capital da Letônia, porque vejo que muitos cristãos, católicos principalmente, acham que o homossexualismo é uma questão de foro íntimo, uma “opção” sexual legítima, e acham que não há nenhum motivo para preocupação e para participação na luta contra os supostos “direitos dos homossexuais”.

Não, o homossexualismo não é uma opção sexual, mas uma perversão sexual. Um desvio de conduta que leva o ser humano pra longe do que ele foi criado para ser. Longe do amor verdadeiro.

E não, o homossexualismo não é uma questão de foro íntimo. Uma sociedade cujas leis defendam e promovam uma depravação sexual grave como esta será uma sociedade totalmente transformada, com seus valores ameaçados, e a principal ameaça é contra a sua instituição mais básica e mais fundamental: a família.

O cristão não pode ser indiferente ao problema do homossexualismo. Como diz o próprio Cardeal Pujats:

“São indiferentes ao problema do homossexualismo os que não crêem em Deus e os cristãos que não consideram a sua fé como algo importante.”

Trago agora a entrevista do Cardeal Pujats, conforme publicada na Revista Catolicismo, e reproduzida no site Fátima em Foco On-line.

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Perversões sexuais não são direitos humanos

O Cardeal Pujats, Arcebispo de Riga, capital da Letônia, esclarece o problema do homossexualismo, indica meios para lutar contra essa prática pecaminosa e expõe as razões pelas quais ele a combate, pois não se trata de uma orientação sexual, mas de perversão sexual

Cardeal Janis Pujats, da Letônia

Cardeal Janis Pujats, da Letônia

Em 1984, o Cardeal Janis Pujats, quando ainda simples sacerdote, foi declarado pela KGB persona non grata e transferido para uma paróquia do interior de sua pátria, a Letônia, então dominada pelo regime comunista. Basta este fato para nos revelar o quanto ele é sumamente persona grata para os católicos.

Nascido em Navireni, no ano de 1930, foi ordenado sacerdote em 1951. Lecionou História da Arte e Liturgia no seminário da capital da Letônia. De 1979 a 1984 foi vigário-geral da arquidiocese de Riga.

Em 1988 recebeu o título de prelado honorário do Papa, tendo sido nomeado arcebispo em 1991. Sete anos depois foi designado por João Paulo II Cardeal de Riga – primeiramente “in pectore”, e três anos mais tarde tal nomeação foi dada a público.

Sua Eminência o Cardeal Pujats é um baluarte na luta contra a difusão do homossexualismo, atuando publicamente contra as chamadas “paradas homossexuais”, e apelando ao governo letão para que proíba tais manifestações.

O cardeal concedeu entrevista a nosso colaborador Sr. Valdis Grinsteins, também de origem letã, por ocasião de sua recente viagem à Letônia.

Catolicismo – O que favorece a expansão do homossexualismo?

Cardeal Pujats – De um lado, o homossexualismo é favorecido pelo enorme culto do sexo, que se propaga através dos meios modernos de comunicação de massa, e também pelo fato de que esse vício tem sido até oficialmente promovido em alguns países, em nome dos mal-entendidos “direitos do homem”. De outro lado, o caminho para o homossexualismo é aberto pela falta de fé e pelo enpedernimento moral de grande parte da sociedade.

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O que dizer para meu filho se ele me perguntar sobre o meu passado?

Terça-feira, 3 Março, 2009 at 17:08 | In Filhos / Educação dos Filhos, Matrimônio e Família, Moral e Sexualidade | 2 Comments
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Por Mary Beth Bonacci*, tradução livre, original em Ignatius Insight.

«Seja o que você disser, cuidado com a Síndrome do “Felizes Para Sempre”.»

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Na noite passada, tive um adorável jantar com cinco mulheres realmente maravilhosas.

As mulheres eram todas mães que pertenciam a um clube de leitura, e elas me convidaram mais para discutir o novo livro que estou escrevendo, o qual será muito parecido com meu livro Real Love (tradução livre: Amor de Verdade), mas voltado para o intuito de responder aos questionamentos de pais e educadores.

O que eu queria saber dessas mulheres era seus próprios questionamentos. Depois de vinte e poucos anos dando palestras para pais e mães, eu passei a ter uma boa idéia do que se passa pelas suas cabeças. Mas em Real Love eu usei questionamentos reais dos adolescentes reais, e eu quero fazer o mesmo neste livro. Então, estas adoráveis mulheres convidaram-me para passar uma noite batendo-papo.

Foi uma discussão bem legal. Elas tinham um monte de perguntas — e um monte de idéias — em uma vasta gama de tópicos relacionados à questão da castidade. Mas a maior parte da noite passamos discutindo a principal questão que aterroriza os corações dos pais: “O que dizer para o meu filho se ele me perguntar sobre o meu passado?”.

Eu posso sentir o quanto isso seria assustador. Os pais se orgulham por manter relações honestas com seus filhos. Eles querem que seus filhos tomem decisões melhores do que eles próprios tomaram. Então, eles devem partilhar informações sobre os erros que cometeram no passado e as conseqüências desses erros, esperando que seus filhos se beneficiem com a informação? Ou isso os torna hipócritas, por esperar que seus filhos vivam de uma forma em que eles mesmos falharam?

Eu normalmente respondo à pergunta com outra pergunta: Quando você era adolescente, você alguma vez perguntou aos seus pais sobre suas vidas sexuais antes do matrimônio? A resposta normalmente é horrorizada: “Ah não, eu nunca nem sonhei em perguntar pra eles uma coisa assim”.

Por quê você não deveria perguntar aos seus pais? Porque esta é uma questão pessoal. Porque o assunto reside numa área do outro lado de O Divino Entre Pais e Filhos, que no meu tempo ninguém ousava violar.

Talvez haja algo a aprender aqui.

Eu sei que hoje em dia os pais querem estar mais perto de seus filhos, e isso não é ruim. Mas devem existir limites. E tais limites incluem informações sobre a vida sexual de seus pais.

Por quê? Porque sexo é algo privado. É sagrado. Os pais têm um certo direito à privacidade em sua própria relação. Ela não deve ser um grande livro aberto que a família inteira possa ler à vontade.

Alguns pais pensam que é melhor compartilhar seus próprios erros pessoais com seus filhos. Eles pensam que irão explicar como esses erros os machucaram, as conseqüências que eles viveram como resultado, e seus filhos podem se beneficiar da experiência e não cometer os mesmos erros.

Eis o problema deste pensamento. Os filhos não são como nós. Seu processamento cognitivo é muito mais concreto. Eles não são tão bons quanto gostaríamos em “pegar” conceitos abstratos e descrições. Eles ficam muito mais impressionados com aquilo que eles podem ver agora do que com histórias de coisas que aconteceram num passado remoto. Você pode descrever seu passado com detalhadíssimos pormenores. E ainda assim, o que seu filho vê? Provavelmente um pai ou uma mãe relativamente atraente, relativamente bem-sucedido financeiramente para quem parece, de modo geral, estar dando tudo certo. E então ele pensa: “Eu posso fazer o que a mamãe fez e, no final, vai dar tudo certo”.

Eu chamo isso de Síndrome do Felizes Para Sempre. E ela é muito, muito perigosa.

É claro que há situações em que um pai ou mãe terá que explicar os erros do passado. Por exemplo, uma data de nascimento que não coincide com o aniversário de casamento. Um meio-irmão. Qualquer informação pública, óbvia ou que possa ser facilmente descoberta, obviamente tem de ser tratada. Neste caso, os pais devem fazer o melhor que podem. Se um filho nasceu como resultado de um “erro”, e especialmente quando falando com este filho, afirme o seu valor e esteja certo de que ele ou ela compreendeu que o erro foram as circunstâncias ou o momento, e não a criança. Enfatize as dificuldades e como eles teriam sido aliviados se o momento ou as circunstâncias tivessem sido diferentes. E então afirme a criança novamente. E novamente, e novamente.

Além disso, eu recomendo fortemente que os pais se empenhem em criar um ambiente onde os filhos compreendam que há uma certa esfera de privacidade em torno do matrimônio de seus pais — não porque há qualquer coisa má sobre ele, mas por causa da sacralidade de sua intimidade.

A próxima questão lógica é sobre hipocrisia. Eu sou uma hipócrita se eu espero que meus filhos vivam um padrão no qual eu própria falhei? Não. A definição de hipócrita é alguém que defende uma coisa enquanto faz o oposto. Em outras palavras, você seria um hipócrita se você esperasse que seus filhos vivessem em castidade enquanto você vivesse de maneira não-casta em sua vida pessoal. Isso é muito diferente de ter cometido erros, ter vivido as conseqüências e não querer que seus filhos encarem as mesmas conseqüências.

Veja, a meta aqui é mais do que simplesmente manter seus filhos longe de relações sexuais. É instigar neles o sentido da beleza, do significado e da sacralidade da união sexual dentro da união matrimonial.

Não apenas fale com eles sobre isso. Viva isso.

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* Mary Beth Bonacci é internacionalmente conhecida por suas palestras e escritos sobre amor, castidade e sexualidade. Desde 1986 ela falou para dezenas de milhares de jovens, incluindo 75 mil pessoas em 1993 na Jornada Mundial da Juventude em Denver, Colorado, EUA. Ela aparece freqüentemente no rádio e em programas da TV, incluindo várias participações na MTV.

Mary Beth escreveu dois livros, We’re on a Mission from God (tradução livre: Estamos em uma Missão Divina) e Real Love, e também escreve regularmente uma coluna para várias publicações. Ela produziu numerosos vídeos, incluindo sua novíssima série de filmes, também intitulado Real Love. Seu vídeo Sex and Love: What’s a Teenager to Do? (t.l.: Sexo e Amor: O Que Um Adolescente Faz) recebeu em 1996 o prêmio Crown Award for Best Youth Curriculum.

Mary Beth é bacharel em Comunicação Organizacional pela Universidade de San Francisco, e é mestre em Teologia Matrimonial e Familiar pelo Instituto João Paulo II, na Universidade Lateranense. Ela também foi nomeada doutora honorífica em Comunicações pela Universidade Franciscana de Steubenville, e está listada em Outstanding Young Woman of America for 1997. Seu apostolado, Real Love Incorporated é dedicado a apresentar a verdade sobre os ensinamentos da Igreja sobre sexualidade, castidade e matrimônio.

Educação sexual é responsabilidade da família

Sexta-Feira, 16 Janeiro, 2009 at 13:48 | In Filhos / Educação dos Filhos, Matrimônio e Família, Moral e Sexualidade | 2 Comments
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Reprodução na íntegra de notícia da Zenit:

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ZP09011508 – 15-01-2009
Permalink: http://www.zenit.org/article-20544?l=portuguese

É A FAMÍLIA QUE DEVE EDUCAR SEXUALIDADE DOS FILHOS, SEGUNDO ESPECIALISTA

«A castidade é a energia espiritual que defende o amor do egoísmo»

 

Por Inma Álvarez 

CIDADE DO MÉXICO, quinta-feira, 15 de janeiro de 2009 (ZENIT.org-El Observador).- Educar a sexualidade é educar na castidade, e isso é tarefa fundamentalmente da família, onde se dá um «clima favorável» frente a «uma cultura fortemente condicionada pelos efeitos da onda de longo alcance da revolução sexual».

Assim afirmou a doutora italiana Maria Luisa Di Pietro, professora associada de Bioética na Universidade Católica do Sagrado Coração de Roma e presidente da associação Scienza & Vita (Ciência e Vida), durante sua intervenção desta quinta-feira no Congresso Mundial das Famílias que está acontecendo no México. 

Antes de tudo, é necessário, argumentou, «esclarecer o conceito de castidade», que é a «energia espiritual, que sabe defender o amor dos perigos do egoísmo e da agressividade, e sabe promovê-lo à sua plena realização». 

«A redução da sexualidade a uma mera dimensão do instinto favoreceu também, em suas manifestações mais extremas e ínfimas, a difusão da pornografia e da violência sexual», acrescentou. 

É urgente, portanto – explicou –, que as famílias assumam o papel primordial que têm na formação afetiva e moral de seus filhos. 

«A pressa por pular etapas está tornando cada vez mais difícil o amadurecimento afetivo dos jovens e está pondo em risco inclusive sua saúde», afirmou. 

Segundo a doutora Di Pietro, a educação da sexualidade «deve ter como principal objetivo indicar e motivar a que se alcancem grandes metas», entre elas «a afirmação do eu, da autoestima, do senso de dignidade própria, da capacidade de autoposse e autodomínio, da abertura de projeto, da coerência e equilíbrio interior; a aquisição de uma grande atenção para os valores da procriação, da vida e da família». 

«É necessária uma verdadeira formação dirigida à educação da vontade, dos sentimentos e das emoções – acrescentou. Conhecer-se equivale a ter um motivo a mais para aceitar com serenidade a própria realidade de homem ou de mulher e para exigir maior respeito e consideração por si mesmo e pelos demais.»

Os pais têm «a obrigação moral de educar a pessoa em sua masculinidade e feminilidade, em sua dimensão afetiva e de relação: educar a sexualidade como dom de si mesmos no amor, esse amor verdadeiro que sabe custodiar a vida». 

Os pilares de toda educação baseada no amor à pessoa, segundo a doutora, são: por um lado, «que idéia se tem do homem», e por outro, «que projeto de homem se pretende realizar». 

«Quando se renuncia à verdade sobre o homem (ao amor pela verdade), corre-se o risco de comprometer justamente a obra educativa. Se a liberdade não se introduz e arraiga em uma verdade integral da pessoa, pode conduzir o próprio homem a condutas e escolhas que reduzem o humano, ou pode converter-se em instrumento de prevaricação e de puro arbítrio ou levar a atitudes de resignação e perigoso ceticismo». 

Neste sentido, acrescentou que é necessário educar a afetividade ao mesmo tempo que o sentimento moral, ou, o que é o mesmo, a «educação para a liberdade». 

«A pessoa só se forma quando é capaz de responder à pergunta sobre qual pessoa deveria eu ser. O compromisso deve ser, então, o de ajudar o sujeito a crescer como pessoa virtuosa, ou seja, a adquirir uma aptidão permanente para fazer o bem e para fazê-lo bem.»

Os pais, especialmente durante a adolescência, devem «ajudar seus filhos a discernirem sua vocação pessoal, a descobrir o projeto que Deus tem para eles», acrescentou. 

Devem também ser conscientes de que o dever de educar moralmente os filhos é «inalienável» e que não pode ser «nem totalmente delegado a outros nem usurpado por outros». 

«De fato, não oferecer aos filhos um ambiente familiar que possa permitir uma adequada formação ao amor e à castidade significa faltar a um dever preciso», acrescentou. 

***

Paz e Bem!

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