Os filhos medrosos

Terça-feira, 17 Novembro, 2009 at 9:11 | In Filhos / Educação dos Filhos | Leave a Comment
Tags: , , , , , , , , , ,

Há medos instintivos: como a galinha foge ao ver pela primeira vez a raposa, o homem recua diante do que lhe representa perigo. Quando o perigo é determinado e conhecido, o medo revigora o homem para a luta ou para a fuga. Quando, porém, a pessoa teme sem saber ao certo o que nem porque, não tendo para onde fugir, toma o tormentoso caminho da angústia.

É instintivamente que as crianças de dois meses estremecem com ruídos súbitos ou com uma luz mais viva que de repente se acende. E mais tarde choram em face de um desconhecido, correm de animais, recuam ante o fogo, gritam quando as suspendem bruscamente ou as giram, etc.

Medo ao desconhecido

Tudo o que é súbito, intenso ou desconhecido produz medo à criança. É por isso que seus terrores são tanto mais numerosos quanto maior é sua ignorância das coisas. Vejam como se apavora facilmente um pequenino de dois a quatro anos. À medida que ele for tomando conhecimento da vida, vai perdendo muitos medos, a menos que uma errada educação os agrave e multiplique.

Ensina-se o medo

A criança é extremamente sugestionável: aprende com facilidade o que vê e escuta.

Se vê a mãe subir à cadeira por causa de uma barata, o pai espavorido com o número 13, as irmãs apavoradas com o trovão, etc., é natural que tome as mesmas ridículas atitudes. Assim se explicam os idiotas pavores de escuro, máscaras, cor preta, soldado, velho mendigo, sangue, etc.

Do ambiente doméstico lhe vêm outros medos: lobisomem, fantasmas, almas de outro mundo, cadáveres, doenças, micróbios, tabus alimentares, supertições mil, personagens imaginários e até reais, mas que antes devem infundir simpatia – soldado, padre, médico, dentista, mendigo…

Há medos cultivados pelos adultos. Pais, incapazes de se fazerem obedecer, apelam para intimidações; empregadas, para acalmarem as crianças, ou as fazerem comer, dormir, etc., ameaçam-nas com a guarda ou bicho-papão! Mães os sugerem a ponto de deformar a criança.

As sugestões provêm também de histórias macabras, filmes impressionantes (entre estes citamos os “infantis” “Branca de Neve” e “Chapeuzinho Vermelho”), certas revistas de quadrinhos, que vão povoando a imaginação das crianças de cenas de violências e sangue, de personagens agressivos e medonhos, e de perigos que ameaçaram outras crianças.

Recomendações excessivas


- “Não subam nas árvores, para não caírem

- “Não joguem bola, para não se feriem”

- “Não corram na bicicleta, para não quebrarem a espinha”

- “Não se debrucem na janela, que é muito perigoso”

- “Não tomem chuviscos, para não ficarem tuberculosos”

São lições de poltroneria, de falta de iniciativa, de caráter varonil! O que vale é que, em sua maioria, as crianças as desprezam… E se as não desprezam prejudicam-se!

Vida doméstica

Calma e tranqüila, a vida da família espalha nas crianças confiança e bem-estar. Agitada e procelosa, infunde-lhes desassossego e insegurança, levando-as ao medo difuso, gerador de angústias. Se a família é agitada por brigas do casal, por cenas de alcoolismo ou perturbação mental, não admira sejam os filhos agitados por sobressaltos ao menor ruído ou alteração de vozes…

Evitemos o medo

Não pretendemos extirpar da criança todos os medos. Não creio que seja isto possível aos adultos normais. Por mais fortes que sejamos, temos sempre algum medo, embora não o confessemos com facilidade, pois não é lá muito honroso… Procuremos, contudo, evitá-lo nas crianças.

Dar segurança

Um ambiente de segurança, em que os adultos não falem de medos e não os tenham desnecessariamente, é condição essencial. Medo gera medo; segurança estabelece segurança. Amadas, felizes, sentir-se-ão em garantia as crianças. Mesmo em face de perigos, portem-se os pais com moderação e tranqüilidade, sem espantos, porque espanto produz medo.

Ambiente normal

Dê-se aos pequeninos um ambiente normal, habituando-os aos rumores comuns da casa (sem exagerados silêncios para dormirem), à meia luz do quarto para repouso diurno, à escuridão para a noite (e assim se elimina o medo à escuridão).

A criança forte

É necessário dar à criança confiança em si : sono suficiente, alimento, exercício físico, jogos de bola, corrida, exercícios de bicicleta… Isso lhe dá segurança. Arranhou? Mercúrio-cromo… Quebrou? Engessa… Se os companheiros fazem isto tudo, e ela não o faz, por medo, sentir-se-á inferiorizada. O essencial é educar uma criança sadia de corpo e espírito.

Não meter medo

Vigiar para não se falar do que mete medo às crianças; nem a família, nem as empregadas. E quando elas o ouvirem de estranhos, reduzir as coisas a suas verdadeiras dimensões, apontando o ridículo dos que temem o inofensivo.

Não ridicularizar

Quando a criança tem medo (é impossível não o ter), evite-se ridicularizá-la. Mesmo que não haja motivo real, há o subjetivo: ela vê o perigo, porque crê nele! Ridicularizar outros medrosos está certo; a própria criança não, porque isso a inibe e a inferioriza.

Confiança em Deus

Nós, que não compreendemos a educação sem o fator religioso, devemos valorizar, com a criança, a confiança em Deus: Ele nos protege. Pense a criança em Deus, invoque-O, e fique tranqüila.

Temores benéficos

Sempre que haja um perigo real, a criança deve saber temê-lo, a fim de evitá-lo. O melhor será saber com evitá-lo… A boa educação requer que não apenas se conheçam os perigos, mas se saiba evitá-los – preparando a criança para isto.

O temor de Deus

O grande temor de que o educador deve impregnar seus pupilos é aquele a que o Espírito Santo chama “o princípio da sabedoria” (Prov. 1,7). Quem tem na alma, firme e profundo, o temor de Deus, está em condições de resistir a todos os perigos e vencer todos os temores.

Teme-se o pecado, porque é ofensa ao Pai, muito mais do que pela conseqüência de levar ao inferno. Teme-se o perigo de pecar, porque as fragilidades da natureza não precisam mais de experiências para prová-las. Teme-se as más companhias, porque são elementos de perdição mais perniciosos que o próprio demônio.

Educar para o temor de Deus é educar para a sabedoria, porque o “temor do Senhor é a própria sabedoria” (Jo 28,28). É educar para o horror ao mal e o amor ao bem. É educar para a coragem, a fortaleza, a energia, a coerência – virtudes que estão faltando assustadoramente a nossos contemporâneos. É preparar homens que, em face do dever, saberão cumpri-lo sem olhar conveniências subalternas, porque desconhecem o medo da opinião alheia e não se apavoram dos instáveis julgamentos humanos.

É para esta educação que nos devemos orientar.

(Corrija o seu filho – Mons. Álvaro Negromonte)

Fonte: http://a-grande-guerra.blogspot.com/2009/11/os-filhos-medrosos.html

Estudo revela abundantes casos de pedofilia homossexual no sistema que cuida das crianças órfãs

Segunda-feira, 21 Setembro, 2009 at 8:46 | In Filhos / Educação dos Filhos, Moral e Sexualidade | Leave a Comment
Tags: , , , , , ,

Estudo revela abundantes casos de pedofilia homossexual no sistema que cuida das crianças órfãs

Mary Rettig

(AgapePress) — Um pesquisador pró-família afirma que um estudo preocupante sobre o abuso de crianças órfãs (sob a supervisão do governo em lares temporários ou não) demonstra uma necessidade real de mais informações. O foco de sua preocupação imediata é um estudo do Instituto de Pesquisa de Família envolvendo o sistema público que cuida das crianças órfãs. O estudo revelou que uma percentagem desproporcionalmente elevada de casos de abuso sexual era de natureza homossexual.

O Dr. Paul Cameron do Instituto de Pesquisa de Família declara que o estudo mostrou que mais de um terço dos casos de abuso sexual dentro do sistema que cuida de crianças órfãs no Estado de Illinois eram incidentes homossexuais, e ele crê que esses números refletem o resto dos Estados Unidos. No entanto, o médico observa que um grande problema na hora de impedir tais abusos [no país inteiro] é que é extremamente difícil de obter informações de outros estados.

Cameron sente que é extremamente importante saber mais sobre essa situação trágica, e ele está suplicando ao público que pressione os que podem ajudar a tratar dessa situação. “O que precisamos”, diz ele, “e o que eu pediria que vocês fizessem é que se um político no estado em que vocês vivem afirma que [suas autoridades estão] preocupadas com isso, então por favor façam com que esse político revele essas informações ao público”.

Embora o estudo de Illinois não tivesse investigado para descobrir se os pais adotivos pedófilos eram homossexuais, o porta-voz do Instituto de Pesquisa da Família sente que suas revelações chocantes deveriam ser consideradas com todo o cuidado e tratadas com a devida seriedade. “Nesse estudo, descobrimos que 34 por cento dos estupros foram cometidos por homossexuais. Isso é totalmente inaceitável”, diz ele.

Cameron mostra que a Associação Americana de Psicologia declarou em 2004 seu apoio aos esforços para permitir que homossexuais adotem crianças ou prestem assistência a crianças órfãs. No entanto, o médico sustenta que tais associações profissionais podem estar tão emaranhadas nas tão chamadas causas de direitos iguais que ninguém se lembre do bem-estar das crianças. E o pesquisador observa que, lamentavelmente, as crianças órfãs que estão sob os cuidados do governo tendem de modo especial a acabar sendo tratadas como mercadorias. Contudo, avisa ele, embora essas crianças sejam descartadas pela sociedade, essa mesma sociedade sofrerá as conseqüências mais tarde pelos problemas que essas jovens vítimas causarão quando se tornarem adultas.

Cameron espera que o estudo do Instituto de Pesquisa de Família envolvendo pedofilia no sistema que cuida de órfãos levará a uma mudança nas políticas sobre pais adotivos, apesar das tão chamadas questões de igualdade. E ele espera que mais estudos sejam feitos e mais informações sejam dadas ao público sobre a importante questão envolvendo o bem-estar das crianças em toda a sociedade.

© 2005 AgapePress all rights reserved.

Traduzido e adaptado por Julio Severo: http://www.juliosevero.com.br/

Fonte: http://headlines.agapepress.org/archive/3/afa/142005d.asp

Sobre filhos e valores, ou melhor, imposição de valores

Quinta-feira, 3 Setembro, 2009 at 8:47 | In Bioética / Defesa da Vida, Filhos / Educação dos Filhos, Matrimônio e Família | 1 Comment
Tags: , , , , , , ,

«O casal nunca abortou um filho – e, como se sabe, o procedimento do aborto movimenta uma indústria de milhões de dólares nos EUA. O motivo da “inconveniência” da família Duggar é que ela vive bem usando roupas usadas e sem receber “dinheiro público” para cuidar de seus filhos.»

Leia n’O Possível e O Extraordinário sobre o casal Duggar, do Arkansas, nos EUA; sobre seus 18 (quase 19) filhos; e principalmente sobre o que isso tem a ver com o dinheiro movimentado pela indústria do aborto.

Paz e Bem!

Ideologia de Gênero, a imbecilidade da vez

Sexta-Feira, 3 Julho, 2009 at 21:17 | In Feminilidade / Anti-Feminismo, Filhos / Educação dos Filhos, Matrimônio e Família | 3 Comments
Tags: , , , , , , , ,

sexo-generoLeiam o que vai abaixo, extraído do blog Mulher 7 por 7, da revista Época. Comento depois:

***

Pais não revelam sexo de sua criança de dois anos e meio (por Kátia Mello)

Alguns pais decidem não querer saber o sexo da criança durante a gestação. Esperam pela hora do parto para descobrirem se é um menino ou uma menina. Um casal de 24 anos na Suécia levou esta prática além dessa realidade. Eles se recusam a dizer o sexo de sua criança, que já tem dois anos e meio de idade. “Queremos que Pop cresça com maior liberdade e que não seja forçado a um gênero que o/a moldará”, disse a mãe. Pop (um nome fictício para proteção da criança) usa vestidos e também calças masculinas e seu cabelo muda do estilo feminino para o masculino a cada manhã. Apesar de Pop saber as diferenças entre um menino e uma menina, os pais se recusam a adotar pronomes para chamar a criança. A controversa atitude do casal gerou um intenso debate no país.

O jornal sueco que entrevistou os pais, The Local, conversou com a pediatra sueca Anna Nodenström do Instituto Karolinska sobre os efeitos a longo prazo no comportamento da criança. “Afetará a criança, mas é difícil de dizer se fará mal a ela”, diz a pediatra. “Não sei o que os pais querem com isso, mas certamente ela será diferente”, completou. Anna ainda afirmou que quando Pop entrar na escola, se seu gênero ainda for desconhecido, ela chamará muito a atenção dos coleguinhas.

A psicóloga canadense Susan Pinker autora do livro The Sexual Paradox, também entrevistada pelo jornal sueco, disse que será difícil manter incógnito o sexo da criança por muito mais tempo. “As crianças são curiosas sobre suas identidades e tendem a gravitar em torno das de mesmo sexo no começo da infância”.

Pop logo ganhará um irmãozinho ou irmãzinha, porque a mãe está grávida. Ela afirmou que irão revelar o gênero ”quando Pop quiser”.

***

Eis o tipo de aberração à qual a tal “ideologia de gênero” dá origem.

A ideologia de gênero, loucura da vez entre os modernos, “descolados”, não é tão nova assim. Pra quem nunca ouviu falar, é fruto do pensamento marxista (saiba mais neste artigo do Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz). Fundamentalmente, ela diz que não existe um homem natural, nem uma mulher natural. O ser humano nasceria neutro, e a sociedade é que se encarregaria de determinar, ou “impor”, como preferem dizer seus defensores, os papéis de homem ou mulher ao indivíduo. Conforme fosse crescendo e se amadurecendo, o ser humano poderia “adotar” um gênero qualquer, independente de seu sexo biológico. A teoria da ideologia de gênero diz também que a atração heterossexual é muitas vezes “aprendida”, e não inata ao ser humano. Além disso, também diz que o instinto maternal não existe. É algo a que as mulhere são submetidas, uma imposição sócio-cultural.

É claro que um pensamento como este deve ser rechaçado com muito vigor, principalmente pelos cristãos, pois é uma profunda ameaça à família e até mesmo à própria humanidade, pois contraria o direito natural em seus fundamentos mais básicos!

Não é preciso ser nenhum profundo conhecedor da psicologia, ou antropologia, ou seja lá o que for, pra imaginar o dano que os pais da notícia acima estão causando à personalidade e ao caráter sexual de seu(ua) filho(a), na ânsia de protegê-lo(a). Ao invés de educar e conduzir seu(ua) filho(a) a uma descoberta saudável de sua verdadeira identidade sexual (aquela que Deus lhe concedeu, biológica e intelectualmente), os pais dessa criança a educam de forma que ela cresça acreditando que o papel sexual é optativo, que a sexualidade não tem nenhuma função vinculada à vida, que as relações de amor entre as pessoas não passa de uma busca egoísta por prazer, e que nada pode ser duradouro e verdadeiro.

A cada dia que passa o testemunho dos casais cristãos é mais e mais necessário. Devemos dar a nossa vida, se preciso for, para defender a ordem que Deus estabeleceu na criação do mundo. Que o homem assuma seu papel de homem e encontre, assim, sua liberdade. Que a mulher assuma seu papel de mulher e encontre, assim, sua liberdade, porque a verdade é que liberta (Jo 8,32). Já dizia Dom Bosco, se não me engano: “Ser livre não é fazer aquilo que se deseja. Ser livre é desejar aquilo que se deve fazer.”

Pax et Bonum!

Saiba mais:

1963: Discurso de Paulo VI às Famílias Numerosas

Quarta-feira, 29 Abril, 2009 at 10:46 | In A Voz do Santo Padre, Filhos / Educação dos Filhos, Matrimônio e Família | 1 Comment
Tags: , , , , ,

DISCURSO DE PAULO VI À FEDERAÇÃO NACIONAL DAS ASSOCIAÇÕES DAS FAMÍLIAS NUMEROSAS

Sábado, 14 de dezembro de 1963

famiglianumerosaCom comovida alegria vos dirigimos as nossas paternas boas-vindas, diletos filhos e filhas, que nos trazem nesta manhã o afeto de todas as famílias numerosas da Itália. Ao receber, de fato, os distintos representantes da Federação Nacional das Associações de famílias numerosas, e as duas Associações romana e lombarda, o nosso coração se abre para saudar todas aquelas famílias, cuja fecundidade, coroada por um magnífico florescimento de filhos, é clara demonstração de uma alta e corajosa concepção da família, e de fé viva e consciente.

Retornam ao nosso pensamento as amáveis ocasiões, nas quais em Milão fomos consolados pelo encontro com os Dirigentes da Associação lombarda, que vemos aqui hoje representada por seu Presidente e por um grosso número de membros; e nos é caro recordar como ela desejou sempre manter-nos informados de suas solicitudes e ânsias, de seus projetos e propósitos, com o intuito de levantar e valorizar energias tão preciosas e caras. Hoje aquele conforto se renova, porque ao lado dos amigos de um tempo, vemos os amigos da nossa diocese romana, reunidos na sua Associação, unidos à Federação Nacional e ao seu notável e caro Presidente.

Diletos filhos,

Vós esperais uma palavra de elogio e de encorajamento do humilde Vigário de Jesus Cristo; e como não poderia dizer-lhe de todo o coração, Ele que bem conhece a vossa posição na sociedade, as dificuldades e as provas que encontram, as aspirações e ideais que vos movem? A vossa presença no mundo é um testemunho de fé, de coragem, de otimismo; é um ato de confiança viva e total na Providência Divina, e uma celebração eloqüente dos valores mais altos e santos da família; é um atestado de reta consciência moral, em uma sociedade e em um particular momento que apresentam, às vezes, sintomas preocupantes de egoísmo, de indiferença, de hedonismo estreito e freqüentemente conformista aos costumes decadentes.

Vós tens uma grande e complexa função a cumprir: aquela de defender, junto com outras nossas beneméritas iniciativas, o instituto familiar, na sagrada e inviolável firmeza dos sentimentos e dos vínculos que a constituem, aquela de honrar a família na sua primária finalidade, que é aquela de ser nascente bendita e fecunda da vida humana, aquela de assistir os lares onde a prole é numerosa e há a necessidade de particular cuidado e de solidariedade social, aquela de sugerir aos legisladores a emanação de peculiares provimentos jurídicos idôneos para confortar os núcleos domésticos em sua orgânica e natural coesão e no cumprimento de sua missão educativa, aquela de oferecer à sociedade o exemplo e a apologia de famílias exemplares, as quais pela abundância mesma dos filhos experimentam exercícios de virtude humana e cristã de altíssimo valor, e derivam muitas vezes mais profundas e admiráveis expressões de amor mútuo, de piíssima religiosidade, de incomparáveis afetos e de pura felicidade.

Nós não hesitamos, portanto, em comparar esta vossa atividade a respeito da sociedade moderna, ao fermento evangélico que, embora exíguo e pouco aparente, faz fermentar a massa (cf. Mt 13,33), permeando-a e levantando-a toda; e por isso amamos atestar-vos a nossa paterna simpatia, com o encorajamento de continuar com perseverante confiança no caminho, que realizas junto com os vossos filhinhos: caminho muitas vezes duro e desconfortável, mas também bendito de tanta satisfação humana e, sobretudo, de copiosas graças celestes, que vos preparam uma luminosa coroa no Céu.

Coragem, diletos filhos e filhas: nós estamos com vocês na oração cotidiana, a fim de que o Senhor vos acompanhe sempre com seu terníssimo e providente amor, sustentando-vos no cumprimento dos vossos deveres de educadores e de plasmadores de consciências, ajudando-vos a superar as provas, confortando-vos sempre, em cada hora da vossa vida.

E invocando-vos os dons contínuos da sua paz, transmitimos a todos vós, aqui presentes, aos que vos são caros, às vossas Associações e a todas as famílias numerosas da Itália, nossa propícia Bênção Apostólica.

Tradução livre. Original em http://www.vatican.va/holy_father/paul_vi/speeches/1963/documents/hf_p-vi_spe_19631214_famiglie_it.html.

Adolescência e sexo (II)

Quinta-feira, 2 Abril, 2009 at 15:21 | In Filhos / Educação dos Filhos, Moral e Sexualidade | Leave a Comment
Tags: , , , , , , , , ,

Segunda parte do artigo do promotor Paulo Pereira da Costa, ‘Adolescência e sexo’ (para ler a primeira parte, clique aqui). Faço alguns comentários depois:

———

ADOLESCÊNCIA E SEXO (II)

Por Paulo Pereira da Costa*

Homem e mulher, se é pra se unir, que seja com laços fortes. A boa estrutura do relacionamento se obtém com o aprendizado e o amadurecimento que cada etapa proporciona. Assim, com efeito, ternura, carinho, a união se consolida e dificilmente vai ruir. Não se trata de exigir que sempre concordem em tudo. Nas etapas mais avançadas da vida a dois, quando vêm os filhos, surgem dificuldades, prováveis rusgas, mas numa relação sólida elas são superadas. E, com efeito, essa efetiva superação dos conflitos fortalece cada vez mais a união. Penso que quando se pede a garota em casamento é porque se sente algo tão forte que as palavras saem sem nenhum esforço para dizer: ‘quero você junto comigo para o resto da vida; quero amá-la agora e sempre, mesmo nos tempos mais sombrios, mesmo quando as árvores se desfolharem, as flores secarem; quero continuar amando-a mesmo quando o nosso viço tiver cedido aos efeitos do tempo, e depois que os nossos filhos se casarem e ficarmos só nós dois, entrados em anos, quando nossas forças forem suficientes apenas para um abraço, e continuarem a amá-la mesmo depois que você também se for, porque a sua lembrança me dará forças para não perder o sentido da vida’.

Puritanismo? Caretice? Pensem o que quiserem. O fato é que o modo moderninho de os adolescentes se relacionarem não tem dado bons resultados; gera filhos, mas não forma famílias; cria adultos inseguros, com propensão ao efêmero, ao fugaz, sem capacidade de assumir e manter compromissos. Quanto tempo, por exemplo, durou o casamento do Ronaldo Fenômeno com a Daniela Cicarelli? É comum mulheres dizerem que os homens interessantes estão virando raridade. Será que elas, tão permissivas, tão liberais, vulgares até, não têm grande parte de responsabilidade nisso? Será que não estão perdendo a graça? Dia desses, na TV, vi um programa no canal GNT em que uma sexóloga sessentona dá conselhos. Uma mulher apresentou a seguinte questão: o marido queria que ela o deixasse agredi-la com um chicote para machucá-la e fazê-la chorar, pois isso o excitava sexualmente. Ou seja, ele precisava humilhá-la e sentir-se superior para ter prazer. Ela disse que não estava a fim disso, mas tinha receio de não fazer o ‘jogo’ porque não queria magoá-lo. A conselheira refletiu um pouco. Pensei que ela fosse aconselhar com firmeza a mulher a mandar o marido se catar, procurar um médico, algo assim. Ela, porém, sugeriu que a mulher experimentasse uma vez e, se não gostasse, dissesse com jeitinho ao marido. Antiquado declarado, fiquei pasmo!

A mulher que aceita sofrer agressões físicas e morais, que se submete a humilhação para satisfazer desejos doentios do homem não tem amor-próprio, não se dá valor. Essa coisa de sadomasoquismo é doença e como tal deve ser tratada. Não existe uma relação no sentido mais nobre do termo se a dignidade é violada, se há violência física e moral. Amor é outra coisa, tem a ver com apreço, carinho, respeito consigo mesmo e com o outro. A visão tosca, doente mesmo, desvirtua o amor, limita-o. Esse sentimento descartável que vige não é amor. Chega de banalização, de vulgarização, de falta de essência. Os adolescentes precisam ser alertados disso pelos pais, professores e educadores em geral.


* Paulo Pereira da Costa é promotor de justiça em Piracicaba desde 1993, nascido em Ituverava, e formado em Direito pela Faculdade de Direito de Franca, Franca-SP.

———

Gostaria de emendar alguns comentários sobre este artigo do Paulo Pereira da Costa, e dos conceitos por ele abordados.

Antes de qualquer coisa, por quê que achei que este artigo merecia destaque aqui, no P.A.? Simples: porque achei que o autor conseguiu ter uma visão clara e ampla dos sintomas causados na sociedade após esta ter sofrido, ao longo das últimas décadas, um bombardeio de erotização.

Além de tudo, as instituição “família” também passou e vêm passando por vários ataques à sua integridade, ao seu valor, à sacralidade do Matrimônio, que é sua base, sua fundação. Além da exposição da família à erotização já mencionada — que hoje em dia é perfeitamente observada nas novelas e nos Big Brothers –, ainda há a elevação do divórcio ao status de lei, a contracepção, a militância em favor da descriminalização do aborto, a militância em favor dos “direitos GLBT”, etc.

Além disso, há ainda a omissão dos pais na educação dos filhos, principalmente na educação afetiva e sexual. É fato que os pais católicos devem educar seus filhos para o amor, para o matrimônio, que os inimigos da Igreja e da família tentam transformar em um descartável e efêmero relacionamento, no lugar de um indissolúvel Sacramento. Hoje em dia são raros os adolescentes que recebem esse tipo de orientação em casa. Grande parte recebe esse tipo de informação das fontes erradas, e de maneira errada. Quase sempre, também a informação é errada. Os ensinantes de “educação sexual” nas escolas, por exemplo, muitas vezes inculcam nos seus alunos falsas idéias como a de que o sexo é um direito; de que o próprio prazer é um direito; de que ninguém deve dar pitaco nessa questão, que é muito pessoal e íntima; que a contracepção é uma coisa legal; que a camisinha é 100% “segura”; que sexo tem que ser “seguro”, senão é imoral… ou seja, uma sexualidade totalmente invertida, transviada. O sentido humano da afetividade sexual os adolescentes jamais aprenderão na escola, onde cogita-se até mesmo a instalação de máquinas de camisinha.

Gostaria de dar destaque a este trecho da primeira parte do artigo:

«O erotismo deve brotar naturalmente, quando o casal já possui uma boa base emocional e questões outras já estão resolvidas.»

As “questões outras” que já devem estar resolvidas na etapa em que brota o erotismo são, obviamente, as questões relativas ao casamento. A sexualidade humana, como bem esclarece a Doutrina da Igreja, mãe e mestra em matéria moral, contém em si própria, por vontade do Criador, a potencialidade da vida. Do amor entre os esposos pode surgir uma nova vida. E é um direito dos filhos nascerem: a) do amor de seus pais; e b) num ambiente familiar estável e duradouro, que permita à prole ser educada principalmente pelo exemplo de seus pais, pois é justamente na observância do testemunho dos pais que começa aquela educação afetiva e sexual doméstica já mencionada.

Penso que o próprio autor deixa isso bem claro quando continua, logo no início da segunda parte:

«Homem e mulher, se é pra se unir, que seja com laços fortes.»

Por fim, destaco o recado final do autor: os adolescentes precisam ser alertados pelos pais, professores e educadores em geral.

Meu recado particular vai para os pais: vocês têm o dever de serem os primeiros e principais educadores dos seus filhos. Eduquem-nos para o Amor, e eduquem-nos principalmente com o vosso próprio testemunho!

Paz e Bem!

———

Leituras recomendadas:

Adolescência e sexo

Quarta-feira, 1 Abril, 2009 at 10:54 | In Filhos / Educação dos Filhos, Moral e Sexualidade | 1 Comment
Tags: , , , , , ,

O artigo abaixo foi escrito por Paulo Pereira da Costa, promotor de Justiça e autor do livro ‘Pensando na Vida’, e publicado recentemente em duas partes (dois sábados consecutivos) no Editorial do jornal Comércio da Franca, o principal jornal da minha cidade.

Com a autorização do autor, reproduzo aqui seu artigo:

———

ADOLESCÊNCIA E SEXO

Por Paulo Pereira da Costa*

O garoto de 16 anos fala para as colegas que aquela menina de 15 é bonita. Ela fica envaidecida ao saber. Rola um clima e logo os dois estão “ficando”, melhor dizendo, agarrando-se pelos cantos, frenética e lascivamente. Depois disso ele pensa se deve pedi-la em namoro. Não, eu não troquei a ordem. É assim mesmo que a coisa funciona. Ou seja, não funciona. O que começa errado dura pouco. Logo ele não quer mais nada com ela. E ela ainda sai no lucro se não pintar uma gravidez. Não estou delirando. Vejam o número de adolescentes grávidas e, pior, abandonadas. As mulheres estão iniciando a vida sexual cedo demais, sem terem a real noção do que é intimidade, do que é amor. E os homens também. Há coisas na vida que precisam esperar porque requerem certo preparo; outras as devem preceder numa sequência lógica e natural, sem forçar a barra. A adolescente precisa conhecer a si mesma, física e mentalmente, saber da sua natureza, de como funciona o seu corpo. Cada um no casal tem de saber da sua real condição. A mulher não é um mero objeto de satisfação da libido do homem. Nem ele dela. Uma relação verdadeira, sadia, não se sustenta apenas no prazer sexual. Ambos precisam ter consciência disso e quanto mais cedo melhor, pois é daí que vem o imprescindível respeito mútuo, que vai conservar o amor.

A pessoa precisa aprender cedo a valorizar-se, ter noção do tempo para cada coisa, preservar a intimidade para compartilhar com o par certo e na hora certa, enxergar o amor na sua grandiosidade, na sua sublimidade; conter a precipitação, aproveitar cada momento, fazer a vida passar em slow motion. Em Dom Casmurro, de Machado de Assis, Bentinho, com 15 anos, um dia consegue convencer Capitu a deixá-lo pentear os longos cabelos dela. Diz ele: “Continuei a alisar os cabelos com muito cuidado, e dividi-os em duas porções iguais, para compor as duas tranças. Não as fiz logo, nem assim depressa, como podem supor os cabeleireiros de ofício, mas devagar, devagarinho, saboreando pelo tacto aqueles fios grossos, que eram parte dela. (…) e a sensação era um deleite (…). Desejei penteá-los por todos os séculos dos séculos, tecer duas tranças que pudessem envolver o infinito por um número inominável de vezes”. É por aí. É fantástica aquela fase inicial, de olhares furtivos, de ficarem ambos vermelhos quando os olhos se cruzam e denunciam a recíproca observação, de um “oi” tímido.

O namoro deve vir depois de se conhecerem melhor, sentirem que existe mesmo uma química, admiração recíproca, afinidade suficiente para um passo à frente, quando do fundo do coração ele pode dizer a ela: “sinto a vida mais leve quando a vejo, com sua presença parece que tudo se encaixa, gosto de vê-la sorrir, do seu jeito de falar, ajeitar o cabelo, de como você se senta, gosto de você; quero passar mais tempo contigo e compartilhar os meus segredos, desejos, sonhos”. É salutar que no início haja um quê de platônico, em que o simples andar de mãos dadas já seja algo mágico, suficiente para dar a sensação de ter o mundo sob os pés. Depois vem mais intimidade, mas também é uma fase para aferir se o sentimento que une o casal é forte o suficiente. O erotismo deve brotar naturalmente, quando o casal já possui uma boa base emocional e questões outras já estão resolvidas. (segue)


* Paulo Pereira da Costa é promotor de justiça em Piracicaba desde 1993, nascido em Ituverava, e formado em Direito pela Faculdade de Direito de Franca, Franca-SP.

———

Não deixem de ler a segunda parte do artigo de Paulo Pereira da Costa.

Paz e Bem!

Filhos: um peso ou um bem?

Sexta-Feira, 27 Março, 2009 at 16:36 | In Filhos / Educação dos Filhos, Matrimônio e Família, Moral e Sexualidade | 1 Comment
Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

«Muitos casais, mesmo católicos, estão dispostos a fazer grandes sacrifícios para obter uma casa ou um carro, pelo simples fatos dessas coisas serem bens. Não querem, contudo, encarar o alegre sacrifício que supõe ter filhos. Parecem não entender que a fecundidade é o maior bem que uma família pode ter.»Pe. Cormac Burke

Já há algum tempo eu estava com intenção de publicar aqui um artigo, longo mas belíssimo, do Pe. Cormac Burke, ex-juiz da Rota Romana e especialista em Teologia Moral e Direito Canônico.

Pra quem não sabe, a Rota Romana é o Supremo Tribunal da Igreja Católica, responsável, entre outras coisas, a julgar os pedidos de nulidade matrimonial.

Percebi que não poderia adiar a publicação deste artigo por causa da notícia que li hoje na Folha de S. Paulo, dizendo que o Senado aprovou um projeto que obrigará os planos de saúde a cobrir “planejamento familiar”. A questão é que, por “planejamento familiar” a lei reconhece vasectomia, laqueadura, e segundo uma lei de 1996, até fertilização in-vitro (FIV).

«Os filhos são o dom mais excelente do Matrimônio e contribuem grandemente para o bem dos próprios pais. Deus mesmo disse: “Não convém ao homem ficar sozinho” (Gn 2,18), e “criou de início o homem como varão e mulher” (Mt 19,4); querendo conferir ao homem participação especial em sua obra criadora, abençoou o varão e a mulher dizendo: “Crescei e multiplicai-vos” (Gn 1,28). Donde se segue que o cultivo do verdadeiro amor conjugal e toda a estrutura da vida familiar que daí promana, sem desprezar os outros fins do Matrimônio, tendem a dispor os cônjuges a cooperar corajosamente como amor do Criador e do Salvador que, por intermédio dos esposos, quer incessantemente aumentar e enriquecer sua família.»C.I.C. §1652

children-screensaverA Doutrina Católica sobre o matrimônio cristão ensina que os filhos são dons de Deus, concedidos pela sua infinita bondade, que permite e ordena o amor conjugal para que se frutifique. A relação conjugal, para ser verdadeiramente uma relação de amor, precisa estar aberta à vida. Os esposos que quebram voluntariamente e artificialmente o vínculo unitivo e procriativo que Deus quis que existisse naturalmente na relação sexual estão cometendo pecado grave. Estão maculando sua própria relação de amor, pois descumprem a promessa feita a Deus perante a Igreja de “aceitar de bom grado os filhos que Deus vos mandar”.

Incorrem neste erro não somente os casais que recorrem a métodos artificiais para a contracepção, mas também aqueles que recorrem à fertilização in-vitro, inseminação artificial, etc. Diz o Catecismo da Igreja Católica, em seu parágrafo 2377:

«Praticadas entre o casal, estas técnicas (inseminação e fecundação artificiais homólogas) são talvez menos claras a um juízo imediato, mas continuam moralmente inaceitáveis. Dissociam o ato sexual do ato procriador. O ato fundante da existência dos filhos já não é um ato pelo qual duas pessoas se doam uma à outra, mas um ato que remete a vida e a identidade do embrião para o poder dos médicos e biólogos, e instaura um domínio da técnica sobre a origem e a destinação da pessoa humana. Tal relação de dominação é por si contrária à dignidade e à igualdade que devem ser comuns aos pais e aos filhos”. “A procriação é moralmente privada de sua perfeição própria quando não é querida como o fruto do ato conjugal, isto é, do gesto específico da união dos esposos… Somente o respeito ao vínculo que existe entre os significados do ato conjugal e o respeito pela unidade do ser humano permite uma procriação de acordo com a dignidade da pessoa.”»

Os destaques e grifos são meus.

É preciso dizer que nem de longe é verdade o que alguns, desprovidos de informação correta acerca da Doutrina, afirmam. Por exemplo, que para a Igreja, o sexo é só pra reprodução; ou que a Igreja é contra a contracepção em qualquer circunstância. Não, não é verdade.

A Igreja realmente vê com muito bons olhos as famílias numerosas (cf. C.I.C. §2373), porém, ela reconhece que em certos casos, por razões não egoístas, os casais têm necessidade de espaçar os nascimentos dos filhos, ou suspendê-los. A Igreja não é contra a Paternidade Responsável. Ela só quer que a Paternidade Responsável seja realizada de forma não egoísta; que esteja de acordo com uma justa generosidade; e que o façam de acordo com os critérios objetivos da moralidade (cf. C.I.C. §2368). Esses critérios são explicados no parágrafo 2369 do Catecismo:

«Salvaguardando estes dois aspectos essenciais, unitivo e procriador, o ato conjugal conserva integralmente o sentido de amor mútuo e verdadeiro e a sua ordenação para a altíssima vocação do homem para a paternidade.»

Portanto, a regulação dos nascimentos só é válida para um casal cristão quando há uma justa razão para tal (uma que não seja baseada no egoísmo), e que seja um método natural, que recorra aos ritmos naturais impressos pelo Criador em cada pessoa, e não interfira artificialmente na doação mútua entre os esposos.

Uma coisa que é preciso ser dita, e que o Pe. Cormac explica muito bem em seu artigo, é que hoje em dia os filhos raramente são vistos como um bem, como um dom, como alguém que vai trazer coisas muito positivas para a família. Infelizmente até mesmo grande parte dos católicos foram contaminados com a (falsa) idéia de que um filho significa muita despesa, muita dor de cabeça, muito trabalho e um padrão de vida certamente inferior. Onde foi parar a generosidade?

Reflitamos com Pe. Cormac Burke em seu artigo, abaixo:

Continue reading Filhos: um peso ou um bem?…

O que dizer para meu filho se ele me perguntar sobre o meu passado?

Terça-feira, 3 Março, 2009 at 17:08 | In Filhos / Educação dos Filhos, Matrimônio e Família, Moral e Sexualidade | 2 Comments
Tags: , , , , , , , , ,

Por Mary Beth Bonacci*, tradução livre, original em Ignatius Insight.

«Seja o que você disser, cuidado com a Síndrome do “Felizes Para Sempre”.»

rearviewmirror

Na noite passada, tive um adorável jantar com cinco mulheres realmente maravilhosas.

As mulheres eram todas mães que pertenciam a um clube de leitura, e elas me convidaram mais para discutir o novo livro que estou escrevendo, o qual será muito parecido com meu livro Real Love (tradução livre: Amor de Verdade), mas voltado para o intuito de responder aos questionamentos de pais e educadores.

O que eu queria saber dessas mulheres era seus próprios questionamentos. Depois de vinte e poucos anos dando palestras para pais e mães, eu passei a ter uma boa idéia do que se passa pelas suas cabeças. Mas em Real Love eu usei questionamentos reais dos adolescentes reais, e eu quero fazer o mesmo neste livro. Então, estas adoráveis mulheres convidaram-me para passar uma noite batendo-papo.

Foi uma discussão bem legal. Elas tinham um monte de perguntas — e um monte de idéias — em uma vasta gama de tópicos relacionados à questão da castidade. Mas a maior parte da noite passamos discutindo a principal questão que aterroriza os corações dos pais: “O que dizer para o meu filho se ele me perguntar sobre o meu passado?”.

Eu posso sentir o quanto isso seria assustador. Os pais se orgulham por manter relações honestas com seus filhos. Eles querem que seus filhos tomem decisões melhores do que eles próprios tomaram. Então, eles devem partilhar informações sobre os erros que cometeram no passado e as conseqüências desses erros, esperando que seus filhos se beneficiem com a informação? Ou isso os torna hipócritas, por esperar que seus filhos vivam de uma forma em que eles mesmos falharam?

Eu normalmente respondo à pergunta com outra pergunta: Quando você era adolescente, você alguma vez perguntou aos seus pais sobre suas vidas sexuais antes do matrimônio? A resposta normalmente é horrorizada: “Ah não, eu nunca nem sonhei em perguntar pra eles uma coisa assim”.

Por quê você não deveria perguntar aos seus pais? Porque esta é uma questão pessoal. Porque o assunto reside numa área do outro lado de O Divino Entre Pais e Filhos, que no meu tempo ninguém ousava violar.

Talvez haja algo a aprender aqui.

Eu sei que hoje em dia os pais querem estar mais perto de seus filhos, e isso não é ruim. Mas devem existir limites. E tais limites incluem informações sobre a vida sexual de seus pais.

Por quê? Porque sexo é algo privado. É sagrado. Os pais têm um certo direito à privacidade em sua própria relação. Ela não deve ser um grande livro aberto que a família inteira possa ler à vontade.

Alguns pais pensam que é melhor compartilhar seus próprios erros pessoais com seus filhos. Eles pensam que irão explicar como esses erros os machucaram, as conseqüências que eles viveram como resultado, e seus filhos podem se beneficiar da experiência e não cometer os mesmos erros.

Eis o problema deste pensamento. Os filhos não são como nós. Seu processamento cognitivo é muito mais concreto. Eles não são tão bons quanto gostaríamos em “pegar” conceitos abstratos e descrições. Eles ficam muito mais impressionados com aquilo que eles podem ver agora do que com histórias de coisas que aconteceram num passado remoto. Você pode descrever seu passado com detalhadíssimos pormenores. E ainda assim, o que seu filho vê? Provavelmente um pai ou uma mãe relativamente atraente, relativamente bem-sucedido financeiramente para quem parece, de modo geral, estar dando tudo certo. E então ele pensa: “Eu posso fazer o que a mamãe fez e, no final, vai dar tudo certo”.

Eu chamo isso de Síndrome do Felizes Para Sempre. E ela é muito, muito perigosa.

É claro que há situações em que um pai ou mãe terá que explicar os erros do passado. Por exemplo, uma data de nascimento que não coincide com o aniversário de casamento. Um meio-irmão. Qualquer informação pública, óbvia ou que possa ser facilmente descoberta, obviamente tem de ser tratada. Neste caso, os pais devem fazer o melhor que podem. Se um filho nasceu como resultado de um “erro”, e especialmente quando falando com este filho, afirme o seu valor e esteja certo de que ele ou ela compreendeu que o erro foram as circunstâncias ou o momento, e não a criança. Enfatize as dificuldades e como eles teriam sido aliviados se o momento ou as circunstâncias tivessem sido diferentes. E então afirme a criança novamente. E novamente, e novamente.

Além disso, eu recomendo fortemente que os pais se empenhem em criar um ambiente onde os filhos compreendam que há uma certa esfera de privacidade em torno do matrimônio de seus pais — não porque há qualquer coisa má sobre ele, mas por causa da sacralidade de sua intimidade.

A próxima questão lógica é sobre hipocrisia. Eu sou uma hipócrita se eu espero que meus filhos vivam um padrão no qual eu própria falhei? Não. A definição de hipócrita é alguém que defende uma coisa enquanto faz o oposto. Em outras palavras, você seria um hipócrita se você esperasse que seus filhos vivessem em castidade enquanto você vivesse de maneira não-casta em sua vida pessoal. Isso é muito diferente de ter cometido erros, ter vivido as conseqüências e não querer que seus filhos encarem as mesmas conseqüências.

Veja, a meta aqui é mais do que simplesmente manter seus filhos longe de relações sexuais. É instigar neles o sentido da beleza, do significado e da sacralidade da união sexual dentro da união matrimonial.

Não apenas fale com eles sobre isso. Viva isso.

———

* Mary Beth Bonacci é internacionalmente conhecida por suas palestras e escritos sobre amor, castidade e sexualidade. Desde 1986 ela falou para dezenas de milhares de jovens, incluindo 75 mil pessoas em 1993 na Jornada Mundial da Juventude em Denver, Colorado, EUA. Ela aparece freqüentemente no rádio e em programas da TV, incluindo várias participações na MTV.

Mary Beth escreveu dois livros, We’re on a Mission from God (tradução livre: Estamos em uma Missão Divina) e Real Love, e também escreve regularmente uma coluna para várias publicações. Ela produziu numerosos vídeos, incluindo sua novíssima série de filmes, também intitulado Real Love. Seu vídeo Sex and Love: What’s a Teenager to Do? (t.l.: Sexo e Amor: O Que Um Adolescente Faz) recebeu em 1996 o prêmio Crown Award for Best Youth Curriculum.

Mary Beth é bacharel em Comunicação Organizacional pela Universidade de San Francisco, e é mestre em Teologia Matrimonial e Familiar pelo Instituto João Paulo II, na Universidade Lateranense. Ela também foi nomeada doutora honorífica em Comunicações pela Universidade Franciscana de Steubenville, e está listada em Outstanding Young Woman of America for 1997. Seu apostolado, Real Love Incorporated é dedicado a apresentar a verdade sobre os ensinamentos da Igreja sobre sexualidade, castidade e matrimônio.

Educação sexual é responsabilidade da família

Sexta-Feira, 16 Janeiro, 2009 at 13:48 | In Filhos / Educação dos Filhos, Matrimônio e Família, Moral e Sexualidade | 2 Comments
Tags: , , , , , ,

 

casal-por-do-sol

Reprodução na íntegra de notícia da Zenit:

***

ZP09011508 – 15-01-2009
Permalink: http://www.zenit.org/article-20544?l=portuguese

É A FAMÍLIA QUE DEVE EDUCAR SEXUALIDADE DOS FILHOS, SEGUNDO ESPECIALISTA

«A castidade é a energia espiritual que defende o amor do egoísmo»

 

Por Inma Álvarez 

CIDADE DO MÉXICO, quinta-feira, 15 de janeiro de 2009 (ZENIT.org-El Observador).- Educar a sexualidade é educar na castidade, e isso é tarefa fundamentalmente da família, onde se dá um «clima favorável» frente a «uma cultura fortemente condicionada pelos efeitos da onda de longo alcance da revolução sexual».

Assim afirmou a doutora italiana Maria Luisa Di Pietro, professora associada de Bioética na Universidade Católica do Sagrado Coração de Roma e presidente da associação Scienza & Vita (Ciência e Vida), durante sua intervenção desta quinta-feira no Congresso Mundial das Famílias que está acontecendo no México. 

Antes de tudo, é necessário, argumentou, «esclarecer o conceito de castidade», que é a «energia espiritual, que sabe defender o amor dos perigos do egoísmo e da agressividade, e sabe promovê-lo à sua plena realização». 

«A redução da sexualidade a uma mera dimensão do instinto favoreceu também, em suas manifestações mais extremas e ínfimas, a difusão da pornografia e da violência sexual», acrescentou. 

É urgente, portanto – explicou –, que as famílias assumam o papel primordial que têm na formação afetiva e moral de seus filhos. 

«A pressa por pular etapas está tornando cada vez mais difícil o amadurecimento afetivo dos jovens e está pondo em risco inclusive sua saúde», afirmou. 

Segundo a doutora Di Pietro, a educação da sexualidade «deve ter como principal objetivo indicar e motivar a que se alcancem grandes metas», entre elas «a afirmação do eu, da autoestima, do senso de dignidade própria, da capacidade de autoposse e autodomínio, da abertura de projeto, da coerência e equilíbrio interior; a aquisição de uma grande atenção para os valores da procriação, da vida e da família». 

«É necessária uma verdadeira formação dirigida à educação da vontade, dos sentimentos e das emoções – acrescentou. Conhecer-se equivale a ter um motivo a mais para aceitar com serenidade a própria realidade de homem ou de mulher e para exigir maior respeito e consideração por si mesmo e pelos demais.»

Os pais têm «a obrigação moral de educar a pessoa em sua masculinidade e feminilidade, em sua dimensão afetiva e de relação: educar a sexualidade como dom de si mesmos no amor, esse amor verdadeiro que sabe custodiar a vida». 

Os pilares de toda educação baseada no amor à pessoa, segundo a doutora, são: por um lado, «que idéia se tem do homem», e por outro, «que projeto de homem se pretende realizar». 

«Quando se renuncia à verdade sobre o homem (ao amor pela verdade), corre-se o risco de comprometer justamente a obra educativa. Se a liberdade não se introduz e arraiga em uma verdade integral da pessoa, pode conduzir o próprio homem a condutas e escolhas que reduzem o humano, ou pode converter-se em instrumento de prevaricação e de puro arbítrio ou levar a atitudes de resignação e perigoso ceticismo». 

Neste sentido, acrescentou que é necessário educar a afetividade ao mesmo tempo que o sentimento moral, ou, o que é o mesmo, a «educação para a liberdade». 

«A pessoa só se forma quando é capaz de responder à pergunta sobre qual pessoa deveria eu ser. O compromisso deve ser, então, o de ajudar o sujeito a crescer como pessoa virtuosa, ou seja, a adquirir uma aptidão permanente para fazer o bem e para fazê-lo bem.»

Os pais, especialmente durante a adolescência, devem «ajudar seus filhos a discernirem sua vocação pessoal, a descobrir o projeto que Deus tem para eles», acrescentou. 

Devem também ser conscientes de que o dever de educar moralmente os filhos é «inalienável» e que não pode ser «nem totalmente delegado a outros nem usurpado por outros». 

«De fato, não oferecer aos filhos um ambiente familiar que possa permitir uma adequada formação ao amor e à castidade significa faltar a um dever preciso», acrescentou. 

***

Paz e Bem!

Blog no WordPress.com. | Theme: Pool by Borja Fernandez.
Entries and comments feeds.