Declaração de Madrid

Segunda-feira, 23 Março, 2009 at 16:24 | In Bioética / Defesa da Vida, Fé e Razão / Ciência e Religião | 2 Comments
Tags: , , ,

Trago aqui, por sugestão do Pe. Javier, LC, a Declaração de Madrid, um manifesto já publicado no blog Contra o Aborto, ao qual já subscrevem mais de 1200 cientistas e intelectuais.

Cartaz de campanha da Conferência Episcopal Espanhola

Cartaz de campanha da Conferência Episcopal Espanhola

A iniciativa é da Conferência Episcopal Espanhola, que também está promovendo a campanha do cartaz acima, sobre a qual você pode ler no Deus lo Vult.

Abaixo, a Declaração de Madrid, que segundo o Pe. Javier, seria chamada a princípio de “Manifesto dos 300″, mas que agora já passa de 1200 signatários:

***

DECLARAÇÃO DE MADRID

«Os abaixo assinantes, professores de universidade, pesquisadores, acadêmicos, e intelectuais de diferentes profissões, ante a iniciativa do Grupo Socialista no Congresso, por meio da Subcomissão do aborto, de promover a total liberação do aborto, assinamos o presente Manifesto em defesa da vida humana em sua etapa inicial, embrionária e fetal e rechaçamos sua instrumentalização ao serviço de lucrativos interesses econômicos ou ideológicos.

Em primeiro lugar, reclamamos uma correta interpretação dos dados da ciência em relação com a vida humana em todas suas etapas e a este respeito desejamos se tenham em consideração os seguintes feitos:

a) Existe suficiente evidência científica de que a vida começa no momento da fecundação. Os conhecimentos mais atuais assim o demonstram: a Genética assinala que a fecundação é o momento em que se constitui a identidade genética singular; a Biologia Celular explica que os seres pluricelulares se constituem a partir de uma única célula inicial, o zigoto, em cujo núcleo se encontra a informação genética que se conserva em todas as células e é a que determina a diferenciação celular; a Embriologia descreve o desenvolvimento e demonstra sua continuidade sem interrupção.

b) O zigoto é a primeira realidade corporal do ser humano. Depois da fusão dos núcleos gaméticos materno e paterno, o núcleo resultante é o centro coordenador do desenvolvimento, que reside nas moléculas de DNA, resultado da adição dos genes paternos e maternos em uma combinação nova e singular.

c) O embrião (da fecundação até a oitava semana) e o feto (a partir da oitava semana) são as primeiras fases do desenvolvimento de um novo ser humano e no claustro materno não interfere em de nenhum órgão da mãe e nem em sua sustentabilidade, embora dependa desta para seu próprio desenvolvimento.

d) A natureza biológica do embrião e do feto humano é independente da forma como foi originada, bem seja proveniente de uma reprodução natural ou produto de reprodução assistida.

e) Um aborto não é só a «interrupção voluntária da gravidez», mas um ato simples e cruel de «interrupção de uma vida humana».

f) É preciso que a mulher a quem se proponha abortar adote livremente sua decisão, depois de um conhecimento informado e preciso do procedimento e das conseqüências.

g) O aborto é um drama com duas vítimas: alguém morre e a outra sobrevive e sofre diariamente as conseqüências de uma decisão dramática e irreparável. Quem aborta é sempre a mãe e quem sofre as conseqüências também, embora seja o resultado de uma relação compartilhada e voluntária.

h) É portanto preciso que as mulheres que decidam abortar conheçam as seqüelas psicológicas de tal ato e em particular do quadro psicopatológico conhecido como o «Síndrome Pós-aborto» (quadro depressivo, sentimento de culpa, pesadelos recorrentes, alterações de conduta, perda de auto-estima, etc.).

i) Dada a trascendência do ato para o qual se procura a intervenção de pessoal médico é preciso respeitar a liberdade de objeção de consciência nesta matéria.

j) O aborto é além disso uma tragédia para a sociedade. Uma sociedade indiferente à matança de perto de 120.000 bebês ao ano é uma sociedade fracassada e doente.

k) Longe de supor a conquista de um direito para a mulher, uma Lei do aborto sem limitações deixaria a mulher como a única responsável por um ato violento contra a vida de seu próprio filho.

l) O aborto é especialmente duro para uma jovem de 16-17 anos, a quem se pretende privar da presença, do conselho e do apoio de seus pais para tomar a decisão de seguir com a gravidez ou abortar. Obrigar uma jovem de tão pouca idade a decidir sozinha é uma irresponsabilidade e uma forma clara de violência contra a mulher.

Desta forma, consideramos que as conclusões que o Grupo Socialista no Congresso, por meio da Subcomissão do aborto, serão encaminhadas ao Governo para que sejam dados prazos de implementação, o que agravará a situação atual e não escuta a sociedade, que longe de desejar uma nova Lei para legitimar um ato violento para o não nascido e para sua mãe, reclama uma regulação para deter os abusos e a fraudes legais cometidas nos centros onde se praticam os abortos».

Fdo.:

Nicolás Jouve (Catedrático de Genética; DNI 1154811)

Francisco Ansón (Escritor; DNI 847005)

Cessar Nombela (Catedrático de Microbiologia; 1346619S)

Francisco Javier do Arco (Biólogo, Filósofo e Escritor; DNI: 00138438-N)

Vicente Bellver (Professor Titular Filosofia do Direito: DNI: 24335564T)

Luís Franco Beira (Catedrático de Bioquímica: DNI é 02.464.829B)

…/…
Seguem um milhar de adesões a data de 17 de março de 2009, e seguem aumentando

***

Paz e Bem!

Fim do mundo?

Terça-feira, 1 Abril, 2008 at 9:14 | In Fé e Razão / Ciência e Religião | Leave a Comment
Tags: , ,

O fim do mundo está próximo?

Estamos acostumados a ver fanáticos religiosos profetizando a proximidade do fim do mundo. Desta vez, quem faz tal “profecia” é a própria ciência. MEDO! :-|

Leia mais:

O que vai acontecer com os embriões descongelados?

Sexta-Feira, 7 Março, 2008 at 9:59 | In Bioética / Defesa da Vida, Fé e Razão / Ciência e Religião | Leave a Comment
Tags: , , , , ,

Reproduzo aqui um vídeo sobre o assunto, e um artigo muito pertinente, de Sílvio Medeiros:

———

———

O que o STF vai dizer ao Vinícius?
Por Silvio Medeiros, comunicólogo (PUC/PR)

Essa é a pergunta que fica se nossos ministros decidirem que a destruição de embriões humanos é licita em nome da ciência. Não só o STF, mas a grande imprensa, as clínicas de fertilização (ansiosos para dar um fim aos seus onerosos embriões), os cadeirantes que se jogaram no chão no momento da votação, todos deverão prestar contas ao pequeno Vinícius, este menininho que antes de ir parar no útero de sua mãe passou oito anos congelado num tanque de nitrogênio líquido [1].

Até agora ele é o brasileiro que mais tempo passou congelado para poder finalmente ver a luz do sol. E é cada dia maior a legião de crianças que se ajuntam a ele e a Laina Beasley, norte americana, nascida em 2005 e congelada por 13 anos [2], e que criam uma interrogação irrespondível nas nossas legislações que permitem a destruição dessas vidas humanas no seu primeiro estágio para pesquisa.

Sim, eles merecerão explicações. Foram chamados de inviáveis, descartáveis [3], amontoado de células [4], coisas e não pessoas (talvez um bem de consumo?) [5], mas estão aí. Tudo porque estavam há mais de 3 anos congelados numa clínica que não pediram para ir, e por isso mesmo negociados numa corte que opinou democraticamente se poderiam ser destruídos num laboratório. Merecerão boas explicações pelo que fizeram mesmo sendo possível criar células-tronco embrionária sem necessidade de se destruir embrião algum [6].

A justificativa de que eram “pré-embriões” (embriões não implantados), não vai adiantar pois um ser humano pode até ser privado de um ambiente favorável para seu desenvolvimento e ainda assim continuar humano. A justificativa de que ainda não haviam passado pela fase de nidação também nada pode resolver pois um ser humano não perde sua indentidade quando impedido de se alimentar. A justificativa de que ainda não detinham células do tecido nervoso também será insuficiente quando entenderem que o sistema nervoso humano só se completa anos depois do nascimento, e que nem por isso eliminamos nossos bebês recém-nascidos.

Todos temos direito a viver com dignidade, mas quem ousará definir do que é feita essa tal dignidade? O ministro Celso Mello defende a destruição de embriões humanos visando a possibilidade de uma vida digna para os que sofrem de doenças hoje incuráveis [7]. Mas caro ministro, desde quando limitação física reduz a dignidade humana? Desde quando o grau de drama de uma pessoa é critério ético para acabar com uma vida alheia?

O ministro relator, Carlos Britto, atrelou ainda a cura da limitação neurológica do filho de Diogo Mainardi às pesquisas com embriões humanos [8]. É claro que absolutamente todos queremos essa cura, mas quereríamos a custa da vida de um Vinícius, de uma Laina, de qualquer um? Pode-se pensar: não estaríamos matando ninguém pois eles ainda não existiam. Talvez não a olho nú, mas num microscópio veríamos todos eles muito bem. Cada um com um sexo, com uma cor de olhos e de cabelos, impressões digitais, tom de voz, tudo traçado em seus irrepetíveis DNAs. Se dissessemos um “oi” para o Vinícius, não seria para Laina. Se ainda acompanhássemos sua gestação, não nasceria nenhum outro do que aquele que vimos anteriormente com apenas 100 células. Poderia até ter outro nome, mas seria o mesmo. Somos porque fomos preservados desde o início.

De minha parte direi para o Vinícius se a extração de células-tronco embrionárias forem aprovadas pelo STF, que apesar do país em que vive afirmar que sua vida em um dado momento foi descartável, manipulável, violável, mesmo assim, ele possui um valor incalculável desde sempre, uma dignidade inalienável, intrínseca pelo fato de pertencer a raça humana; que apesar de ter sido relativizado por uma ética pragmática, não poderá jamais ser menor do que aquilo que realmente é: um ser humano pleno, completo, merecedor de todo respeito; que apesar de muitos cientistas terem o perdido como experimento, numerosos são aqueles que ganham com sua vida. Direi enfim, que existem leis que estão acima das nossas porque existem antes de nós, e que nos ensinam a não matar para salvar porque no fim, somos todos iguais.

[1] disponível em: http://www.bomdiabauru.com.br/index.asp?jbd=3&id=241&mat=97120
[2] disponível em: http://www.timesonline.co.uk/tol/news/world/us_and_americas/article540837.ece
[3] disponível em: http://www.stf.gov.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=84389
[4] disponível em: http://www2.oabsp.org.br/asp/jornal/materias.asp?edicao=86&pagina=2112&tds=7⊂=0&sub2=0&pgNovo=67
[5] disponível em: http://www.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe0603200803.htm
[6] disponível em: http://noticias.uol.com.br/ultnot/2005/08/22/ult27u50831.jhtm
[7] disponível em: http://www.stf.gov.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=84385
[8] disponível em: http://www.stf.gov.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=84390

———

Vejam que o artigo do Sílvio propõe muitas perguntas. Quero saber: quem responde?

Leia mais:

A pílula do dia seguinte e o início da vida

Quinta-feira, 14 Fevereiro, 2008 at 4:09 | In Bioética / Defesa da Vida, Fé e Razão / Ciência e Religião | 1 Comment
Tags: , , , ,

P�lula do Dia SeguinteTive recentemente uma discussão com outro blogueiro, que criticou a Arquidiocese de Recife taxando-a de “cega” pela atitude do Arcebispo Dom José Cardoso Sobrinho, por este ter recorrido à Justiça contra a decisão da Prefeitura de Recife de distribuir pílulas do dia seguinte durante o carnaval.

Me manifestei porque a atitude de Dom José não foi uma atitude “cega”. Antes, foi uma atitude de um cidadão como qualquer outro (com plenos direitos de recorrer à Justiça contra as decisões do Estado). Foi uma atitude em defesa da própria Constituição Federal, que em seu artigo 5º garante a inviolabilidade do direito à vida.

Meu argumento contra o blogueiro foi o mesmo de Dom José: a pílula do dia seguinte (eufemisticamente chamada de “contracepção de emergência”) é abortiva, e o aborto é proibido no Brasil.

A partir daí, a argumentação do blogueiro foi de que a pílula não é abortiva, conforme foi dito pelo parecer técnico das próprias médicas da promotoria do Ministério Público, e que culminou na aprovação da distribuição da pílula.

Conforme bem lembrado pelo amigo Wagner Luís, em seu blog O Possível e o Extraordinário, o próprio fabricante do Levonelle, cujo princípio ativo é o levonorgestrel, comumente utilizado com esta finalidade, informa em seu site a ação do medicamento. Vejamos:

———-

“About Levonelle
Levonelle is an emergency contraceptive available from accredited pharmacies. Levonelle is thought to work by:

  • stopping or delaying the ovaries from releasing an egg
  • preventing sperm from fertilizing an egg you may already have released.
  • stopping a fertilised egg from attaching itself to the lining of the uterus”

———-

Traduzindo, as três principais ações do fármaco levonorgestrel são: a) inibir a ovulação; b) dificultar a locomoção dos espermatozóides imedindo-os de chegar ao óvulo; e c) impedir a chamada “nidação” ou “aninhamento” do óvulo fecundado (zigoto) nas paredes do útero (endométrio).

Vê-se portanto que o Levonelle não é apenas um contraceptivo, pois ele não age apenas na inibição ou na prevenção contra a contracepção, mas ele “aborta” uma concepção já iniciada impedindo o embrião de seguir seu curso natural, ou seja, aninhar-se no endométrio para poder nutrir-se e continuar seu desenvolvimento.

Após mostrar isso para o blogueiro, mais uma vez ele fez malabarismo com sua argumentação, dizendo que o zigoto e o embrião não têm vida antes da nidação. Argumento muito utilizado por defensores da pílula do dia seguinte e também dos cientistas sem ética que destroem embriões humanos para estudos.

Pois bem, vemos portanto que o ponto central, não só desse debate entre o blogueiro e eu, como em toda a questão bioética em torno do uso de células-tronco embrionárias é uma só: “Quando começa a vida humana?”.

A Igreja teria argumentos teológicos e metafísicos suficientes para responder esta pergunta. Mas não é usando a Teologia e a Metafísica que a Igreja responde a esta pergunta. É usando a própria ciência. É a biologia, a medicina e a genética que, ao longo dos anos, com base em observações, estudos e pesquisas, determinou que a vida se inicia na concepção, ou seja, no momento em que o óvulo maduro é fecundado pelo espermatozóide. Neste momento surge um organismo novo, que já envia “mensagens” para o corpo da mãe, informando-o de que um novo ser está ali, presente. Surge também um indivíduo geneticamente novo, inédito, exclusivo, cujo DNA não é igual ao do pai, nem igual ao da mãe.

Para comprovar o que estou dizendo, utilizo o trecho da “Carta do Rio”, documento redigido durante o VII Conclave da Federação Brasileira das Academias de Medicina, recebida pelo Prof. Felipe Aquino e publicada por ele em seu blog.

Segundo informações do próprio professor, a Federação Brasileira das Academias de Medicina é o órgão que reúne as Academias Estaduais e a Academia Nacional de Medicina. Vejamos o que diz o documento:

“1. Bioética

A pessoa humana é a referência inicial de todos os demais valores em qualquer civilização digna deste nome. A transmissão da vida é confiada pela natureza a um ato interpessoal e consciente, portanto livre e responsável, tendo em vista a dignidade da Pessoa Humana e sua procriação.

2. Inicio da Vida Humana

Com os atuais conhecimentos da Biologia molecular, da genética e da embriologia, é um fato cientificamente comprovado que a Vida Humana tem inicio na fusão do óvulo com o espermatozóide, quando se forma o zigoto, que começa a existir e a operar como uma unidade desde o momento da fecundação. Possui um genoma especificamente humano que lhe confere uma identidade biológica única e irrepetível, portanto, uma individualidade de sua espécie. É o executor do seu próprio desenvolvimento de maneira coordenada, gradual e sem solução de continuidade.

3. Engenharia Genética

A ciência e a tecnologia devem ser colocadas a serviço da Vida Humana, respeitando a dignidade e os direitos fundamentais da pessoa humana.”

Eis a prova de que é a ciência (e não a religião) quem diz que a vida humana se inicia na concepção. A Igreja Católica apenas acolheu o que diz a ciência.

Agora, um pouquinho de Lógica. Então, vamos ao silogismo:

  • Premissa maior: Toda eliminação precoce da vida humana intra-uterina caracteriza aborto;
  • Premissa menor: A pílula do dia seguinte provoca uma eliminação precoce da vida humana intra-uterina;
  • Conclusão: Logo, a pílula do dia seguinte é abortiva.

Simples assim!

Duas coisas ficam claras como água límpida: 1) A Arquidiocese de Recife não é cega; 2) Vê-se, também, que o Ministério Público adotou uma postura inconstitucional e, pior que isso, baseada numa mentira.

Há muitos outros aspectos éticos pra se abordar a respeito da pílula do dia seguinte, como por exemplo, o mal que ela provoca no organismo da mulher (uma vez que trata-se de uma verdadeira “bomba hormonal”). Mas isso eu deixo nas referências para o leitor tirar suas próprias conclusões.

Paz e Bem!

Leia mais:

Ciência vs. Religião / Fé vs. Razão

Segunda-feira, 4 Fevereiro, 2008 at 11:07 | In A Voz do Santo Padre, Fé e Igreja, Fé e Razão / Ciência e Religião | 5 Comments
Tags: , ,

Há apenas alguns dias, o Papa foi obrigado a cancelar um discurso que faria na abertura do ano letivo da Universidade “La Sapienza”, em Roma, devido a uma manifestação contrária de alunos da Universidade, e de parte dos docentes contra a presença de “uma voz religiosa e obscurantista como a do Papa” dentro da Universidade. Os manifestantes falavam a favor da Ciência e da Razão, contra a Igreja, acusando-a de colocar a Fé acima da Razão.

Grande mentira, desnecessário dizer. Pra qualquer um que estude o assunto de forma isenta, fica claro que a Igreja nunca defendeu que a Fé deve estar acima da razão, mas sim, que ambas têm o mesmo peso, e qualquer desequilíbrio entre as duas pode causar sérios danos à alma humana:

“A fé e a razão (‘fides et ratio’) constituem como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade. Foi Deus quem colocou no coração do homem o desejo de conhecer a verdade e, em última análise, de O conhecer a Ele, para que, conhecendo-O e amando-O, possa chegar também à verdade plena sobre si próprio (cf. Ex 33, 18; Sal 2726, 8-9; 6362, 2-3; Jo 14, 8; 1 Jo 3, 2).”João Paulo II, na Carta Encíclica Fides et Ratio

O problema é que tanto os estudantes daquela universidade quanto a mídia em geral, adoram mostrar ao mundo inteiro os perigos de se submeter a razão à fé, mas jamais evidenciam os efeitos do processo contrário, ou seja, de se exaltar e valorizar a ciência e a razão em detrimento da fé.

Para mostrar o quão perniciosa pode ser a ciência quando ela não está amparada pela moral e pela ética religiosa, publico aqui este artigo de Cristiane Rozicki. Leiam:

———-

A indústria da morte: cenário Frankenstein
Dos corpos de mortos cardíacos a fetos abortados e a nova indústria de células-tronco
por Cristiane Rozicki
___

Há mais acontecendo neste planeta tecnologicamente tão evoluído, no entanto, estupidamente canibalesco, onde a indústria da morte está escondida inclusive nas falsas polêmicas que chegam à mídia oficial diante dos olhares da população e na oferta de procedimentos cirúrgicos de cosmética, beleza e protética dentária. Ainda existe o mercado do transplantes de pele nos casos de queimados (BARBER, N. 2001, p. 37-39):

“há uma indústria escondida para a qual não são apresentadas estatísticas publicamente e as agências de doação (de órgãos humanos e outras partes do corpo) fingem surpresa e raiva quando perguntadas por isto”.

Este é o mercado para doadores de corpos de pessoas completamente mortas, nos quais os corações e tudo o mais parou. “São pessoas chamadas de doadores mortos cardíacos. Eles estão realmente mortos”.

“Os órgãos vitais delas não são usados devido a deterioração durante o processo agonizante. Mas os corpos daquelas pessoas completamente mortas ainda são matéria-prima para atividades cirúrgicas que variam de substituições de válvula de coração a procedimentos triviais como cirurgia cosmética”. “(…) a indústria é alimentada por partes importadas de corpos, produtos colhidos de americanos mortos’’.

Existe interferência governamental para estimular a doação dos corpos dos mortos. Em 1998 Clinton conseguiu legislação que fez hospitais norte-americanos receberem pagamentos (para os gastos de ordem médica) “para pressionar os parentes do defunto a assinar formalmente o consentimento para várias formas de coleta. Isto aumentou o número de mortos cardíacos doados para a coleta (…)”. Poder “Valer mais Morto do Que Vivo”? (BARBER, .N. 2001. p. 37-38).

Há mais para observar. Tratam-se de fatos relacionados com a legalização do aborto e muito bem aproveitados nos setores voltados ao mercado dos produtos de beleza, entre outros, tais como cirurgias para aumentar o tamanho do pênis, usando pedaços de corpos humanos, de pessoas mortas (BARBER, N. 2001, p. 38). A indústria de cosméticos utiliza fetos abortados (BARBER, N. 2001, p. 37). E até acontece o uso das células dos fetos abortados em injeções para um suposto rejuvenescimento neuronal, isso visando os doentes de Parkinson e Alzheimer (BARBER, N. 2001, p. 104). Neste último caso da utilização das células de fetos, é desconsiderando que a cura do Mal de Parkinson já foi descobeta [1].

Mercados que terão e têm consumidores certos nos países ricos, e grandes países fornecedores de matéria-prima. As nações do terceiro mundo e chamadas em desenvolvimento que admitirem a legalização do aborto serão fornecedoras certos de fetos (entre outras partes de corpos humanos). O Brasil por exemplo, já conhecido no negócio internacional do tráfico de órgãos humanos [2], está na lista dos possíveis fornecedores de fetos às indústrias de cosméticos e muito mais. Em “Cenário ou Enredo Frankstein”, da obra “The Nasty Side Of Organ Transplanting – The Cannibalistic Nature of Transplant Medicin”, p. 104, obra de Norm Barber: “O Lado Sórdido do Transplante de Órgão – A Natureza Canibalesca da Medicina Transplantista [3]:

“Enredo Frankenstein”

“Nós temos ouvido falar tudo destes procedimentos de células-tronco, como se fossem novidades maravilhosas, promovidas pela indústria de biotecnologia. Dois professores universitários que começaram a própria companhia deles para comercializar células-tronco ou tecnologia de clonagem/clones, e há pouco precisaram de alguns milhões de dólares de investimento iniciante. O enredo vai desde aí (desse começo) há cinco e dez anos, que projetaram que muitas doenças principais serão uma coisa do passado e tudo o que eles precisam é algum investimento especulativo e nesse sentido já foi mostrado interesse no mundo inteiro de muitos países.”“Oh, e devem ser anuladas leis e sentimentos que questionam a decência desta ciência nova.”

“As células-tronco são obtidas dos fetos. Tecnologia semelhante são os fetos in-vitro, resultados da fertilização artificial ou bebês de tubo de ensaio”.

“Outra fonte é de um feto abortado“.

Segundo Barber, o enredo Frankenstein não termina simplesmente aí. São necessários cinco fetos para tratar um paciente de Parkinson ou Alzheimer provisória e temporariamente porque o tratamento não é permanente. O produto de abortos pode se tornar um componente crucial de procedimentos médicos e as razões para abortos podem ser subvertidas a interesses da biotecnologia“, da tecnologia industrial.

“Então nós poderemos ser forçados a manter só a produção de fetos abortados para continuar a tecnologia da indústria médica.” (BARBER, N. 2001, p. 37).

Os danos à saúde da mulher:

Ainda, o aborto traz várias e graves conseqüências: danos à saúde das mulheres, física e psicologicamente. Mulheres que abortam podem ter problemas em gestações futuras, isso se não tiverem lesões que levaram à perda definitiva do útero. Pode ocorrer: má formação dos fetos posteriores, morte perinatal, nascimento de crianças pré-maturas, necessidade de cesarianas, são exemplos. Além disso, o feto é sensível e sofre as dores da destruição no aborto. A mulher também tem dores intensas durante o aborto e depois. Por isso o aborto já foi chamado, pela autora, de violência contra a mulher. Pouco se vê comentários sobre os prejuízos que o aborto causa à saúde da mulher. De hemorragias, perfurações e demasiada evacuação do útero, tem-se complicações graves que não são divulgadas.[4]

:::::::::::

Notas:

[1] COIMBRA, C. G., JUNQUEIRA, V. .B. .C. Brazilian Journal of Medical and Biological Research.. Braz J Med Biol Res, October 2003, Volume 36(10). 1409-1417. High doses of riboflavin and the elimination of dietary red meat promote the recovery of some motor functions in Parkinson’s disease patients. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-879X2003001000019&lng=pt&nrm=iso

[2] CPI do Tráfico de Órgãos Humanos. Acusação de homicídio feita em 23 de junho de 2004, durante audiência pública. Notícia da Câmara de Deputados. Disponível em: http://www.camara.gov.br/internet/agencia/materias.asp?pk=52656. Acesso em: 8 de setembro de 2004. COIMBRA, Celso Galli. Réplica, que desmascara a fraude do CFM, no site www.biodireito-medicina.com.br. COIMBRA, Celso Galli. Comentários relativos às respostas encaminhadas pelo CFM à Procuradoria da República do Rio Grande do Sul aos quesitos formulados para avaliação da validade científica e ética dos critérios estabelecidos no Brasil para o diagnóstico de morte encefálica através da Resolução CFM 1.480/1997. Réplica, que desmascara a fraude do CFM. Disponível em: http://www.biodireito-medicina.com.br/website/download/morte/replica_cfm_010304.rtf

[3] BARBER, Norm. The Nasty Side of Organ Transplanting. 1a. ed. m: http://www.geocities.com/organdonate/.Copyright 2001 Norm Barber, PO Box 64, Kensington Park, South Australia, Australia, 5068, All Rights Reserved. p. 104.

[4] Aborto: danos e conseqüências. Tradução de DOMINGOS ANTONIO CAMPAGNOLO. Vida Humana Internacional, 45 S.W. 71st Ave., Miami, Flórida 33144 – USA Tel: (305) 260-0560; FAX : (305) 260-0595; E-mail: latinos@vidahumana.org – Publicado pela Associação Nacional Provida e Pró-Família com autorização de VIDA HUMANA INTERNACIONAL. Disponível em:
http://www.providafamilia.org/danos.htm. Acesso em: 11/jan/2006.

———-

Para saber mais sobre o assunto, leia:

Defendi Dom José e fui censurado

Quinta-feira, 31 Janeiro, 2008 at 11:32 | In Bioética / Defesa da Vida, Fé e Razão / Ciência e Religião | 7 Comments
Tags: , , , ,
Veio parar em minha caixa postal um post de um blog que eu nem conhecia, de um tal Joel, falando o que considero asneiras, contra Dom José C. Sobrinho, Arcebispo de Olinda e Recife, por sua postura em relação à distribuição do “kit carnavalesco abortivo”, com as pílulas-bombas-hormonais-do-dia-seguinte.

O autor do blog não parece ser uma pessoa muito entendida a respeito de assuntos de leis, e muito menos de moral religiosa. Mas, como o filósofo Olavo de Carvalho costuma repetir ad nauseam, no Brasil todo mundo acha que tem que dar opinião sobre tudo, não é?

Postei um comentário defendendo o ponto de vista de Dom José (e da doutrina católica), e acabamos, eu e o tal Joel, travando um pequeno e saudável debate. Saudável até o ponto em que, na minha última resposta, fui sumariamente censurado. O autor do blog alegou ofensas pessoais. Como eu não fiz ofensa nenhuma, e além disso ele resolveu me ignorar, vou colocar aqui, no meu próprio blog, a minha resposta que ele censurou, já que este aqui é o espaço que eu tenho — aqui ninguém me censura, ok?

Em verde está a minha fala, e em vermelho, faço citações das falas do Joel.

Paz e Bem!

———-

Joel, você me diz:

Espero que possamos manter essa discussão de forma madura e sem sarcasmos. Não estou aqui para dar aula para ninguém, apenas respondi de forma detalhada sobre um assunto pertinente ao aborto e sua fisiologia de um modo geral. Não tenho a mínima intenção de moderar/vetar seus comentários,mas para isso, peço-lhe apenas que tratemos este “fórum” como adultos.

Minha intenção era essa (discussão madura) desde o início. Mas estranhei sinceramente sua “aula” de educação sexual. Repito: não preciso dela, e achei uma petulância sem tamanho sua tentativa de “ministrá-la”.

Gostaria de lembrá-lo que a noção de realidade da mente humana é tênue, a realidade em si é inapreensível aos sentidos e até mesmo ao intelecto humano, que trabalha com probabilidades e modelos. Somos guiados pelos nossos sentidos,raciocínio, impressões, convicções e sentimentos mas adotar “nossa” verdade como a “verdade” absoluta seria um erro.

Li certa vez uma frase que dizia “uma pessoa de bom senso é lúcida, sábia e nunca discorda de você”. Quando você diz que a pílula é abortiva, será realmente que você está certo e todos os outros estão errados? A promotoria de Recife está errada? O parecer técnico expedido está errado? Você pode realmente afirmar que os médicos, cientístas e tantos estudiosos mundo a fora estão errados embasando-se unicamente em suas convicções Fabrício?

Primeiramente, eu não estou obrigando ninguém a concordar comigo. Estou apenas fazendo um convite ao bom senso. Quem foi que disse que a ciência é dona da verdade? Quer dizer que vivemos numa ditadura científica? O que eu quero dizer é que a própria ciência não é absoluta, ou seja, há na ciência quem acredite e defenda que a pílula do dia seguinte seja abortiva, e há quem acredite e defenda que não seja*. O bom senso sempre indica o caminho do “benefício da dúvida”. Neste caso, por moral ou imoral, seria melhor escolher não utilizá-la. É uma questão de lógica.

Quanto às tuas afirmações sobre que a realidade é inapreensível, acho que você anda lendo muito Descartes. Leia um pouco de Kant. Vai te fazer bem ampliar um pouco seus horizontes. A realidade é bem palpável, amigo. Não se iluda pegando o bonde do relativismo.

Mesmo que o fosse [aborto], você deu a devida atenção ao trecho “A contracepção de emergência age ANTES disso: evita a ovulação e atrapalha a mobilidade dos espermatozóides, não permitindo que cheguem às trompas e, conseqüentemente, a fecundar o óvulo.” onde explica que fecundação não chega a acontecer?

Meu amigo, veja sua “cegueira” (acho que posso falar assim, uma vez que você se dirigiu assim a Dom José simplesmente porque ele exerceu um direito legítimo): você tem certeza de que a pílula do dia seguinte age antes da fecundação, sempre?! Mais uma vez eu lhe convido ao bom senso de dar o benefício da dúvida. Nem sempre a pílula do dia seguinte age antes da fecundação. Eu até ousaria dizer que essa hipótese só acontece na minoria dos casos, mas não direi pois não tenho números pra comprovar. A questão é que as pílulas do dia seguinte são distribuídas por aí sem nenhum critério. E como diria o Reinaldo Azevedo, são verdadeiras bombas hormonais.

Isso é não é um eufemismo e sim uma definição empregada meramente ao fato de ser uma contracepção pós ato sexual, talvez seja hora de rever alguns conceitos.

Uma contracepção pós ato sexual e, por isso, com um risco enorme de provocar uma interrupção voluntária de gravidez (outro eufemismo para “aborto”). Voluntária porque há esse risco. Basta ler a bula. Quanto ao convite para rever conceitos: sinta-se convidado para o mesmo!

Uma outra questão pra você refletir: o Ministério da Saúde fala em usar todos os recursos possíveis para evitar gravidezes indesejadas e doenças sexualmente transmissíveis. Do pondo de vista lógico-racional: você acha saudável a associação que a Prefeitura de Recife faz entre Carnaval e a “contracepção de emergência”? Você não vê, aí, um “libera geral” que pode incentivar inconscientemente ainda mais a proliferação de doenças sexualmente transmissíveis?

Paz e Bem!

* A própria bula dos fármacos vendidos como “pílula do dia seguinte” são muito claras: são abortivos, na medida em que a pessoa, ao tomar, não sabe se a fecundação do óvulo pelo espermatozóide já aconteceu ou não. O fármaco age tanto antes quanto depois da fecundação, impedindo o embrião de se instalar nas paredes do endométrio, e causando um aborto químico. Portanto, quem está mentindo? A verdade, meu amigo, só tem um lado.

A Importância de que Haja Médicos Católicos

Terça-feira, 29 Janeiro, 2008 at 10:07 | In Bioética / Defesa da Vida, Fé e Razão / Ciência e Religião | 1 Comment
Tags: , , , ,

A revista científica “The Lancet” reivindicou junto à Igreja o reconhecimento dos anticoncepcionais orais e pedindo sua distribuição entre as mulheres, argumentando que um suposto estudo havia indicado a ação destes fármacos contra o câncer de ovários.

Graças a Deus, que é o Sumo Bem, existem médicos católicos, que prezam pelo bem-estar e pela saúde das mulheres e de toda a sociedade. O presidente da Federação Internacional de Associações de Médicos Católicos – F.I.A.M.C., emitiu um comunicado esclarecendo que a publicação científica não foi “nada científica” nos seus métodos.

A F.I.A.M.C. não desmentiu, simplesmente, o suposto estudo. A F.I.A.M.C. foi mais além, e recordou que a Agência Internacional de Pesquisa do Câncer, da O.M.S., publicou em 2005 a constatação de que os anticoncepcionais orais combinados são possíveis cancerígenos!

«Como resultado dos efeitos secundários destes fármacos, inclusive o câncer, temos de dizer que neste caso ‘The Lancet’ e a mídia, ao reproduzir seu chamado, foram claramente irresponsáveis» [Dr. Josep Maria Simon Castellví, presidente da F.I.A.M.C.]

A agência católica de notícias ZENIT dá mais detalhes sobre o fato.

E nesta sexta-feira, o assunto do artigo de Christopher West sobre a Teologia do Corpo será exatamente a mentalidade contraceptiva e a paternidade responsável do ponto de vista da moral cristã. Não percam!

Paz e Bem!

No Tobacco

Quinta-feira, 31 Maio, 2007 at 14:26 | In Fé e Razão / Ciência e Religião | 2 Comments

Nos últimos dias estive fazendo um “check up” médico. Meu triglicérides e meu colesterol estão um pouco acima do desejável. Estou iniciando _ sob orientação de meu médico, é claro _ uma dieta rigorosa por 70 dias pra tentar detectar se meus altos índices de colesterol e triglicérides são decorrentes de alimentação inadequada, ou se eu tenho algum problema metabólico.

De alguns dias pra cá, tenho me preocupado mais com a minha saúde. Nunca fui muito preocupado com isso, mas tenho pensado… já estou com 24 anos, tenho problemas de colesterol, triglicérides, hipertensão e diabetes na família. Vendo por este lado, minha alimentação sempre foi muito inapropriada, pois eu gosto muito de tudo aquilo que eu deveria justamente evitar (queijos, ovos, carnes gordurosas, pizzas, massas, pães, roscas, cerveja, cerveja e cerveja…), já fui fumante por 3, quase 4 anos… Fumei pouco tempo, mas foi a maior bobagem que fiz na vida. Quase não consegui parar.

Muita gente não consegue parar de fumar porque o cigarro causa dependência não só química, mas também psicológica. Pra conseguir parar de fumar eu tentei, várias vezes, jogar meus cigarros no lixo. Algumas vezes cheguei a jogar maços de cigarro cheios, novinhos, na lixeira, decidido a não mais voltar a tragar um cigarro. Mas não adiantava. Quando a vontade batia, eu procurava uma loja de conveniência, e aquele “ritual” se repetia: compra o cigarro, compra o isqueiro, abre a embalagem, sente o cheiro, acende o cigarro… ah… me lembro até hoje da sensação de prazer. Por isso, jogar os cigarros no lixo não funcionava. Eu sempre sentia vontade de repetir o “ritual”. Pra parar de fumar eu tive que manter perto de mim um maço de cigarro sempre cheio, e um isqueiro. O cigarro estava ali, e dependeria somente de mim. Eu teria que vencer somente a vontade de fumar, e não a vontade de repetir os “ritual”.

Hoje em dia eu, um ex-fumante, sinto desconforto com a fumaça de cigarros alheios, mas ainda me lembro do prazer que sentia com as tragadas, e sei que é difícil parar, principalmente pessoas que já fumam há muito mais tempo.

A indústria do cigarro no Brasil é desleal. Eles fazem lobbys, campanhas de marketing em todo tipo de estabelecimento (inclusive e principalmente em bares e restaurantes), e, veja que irônico: patrocinam até esportes! Assista a uma corrida de Fórmula 1 se estiver duvidando. Isso sem falar nos fumantes “charmosos”, com “boa aparência” e “bem-sucedidos” que aparecem nos filmes, séries e novelas, mostrando uma imagem que em nada condiz com a provável imagem futura daqueles que se deleitam com o prazer mortal do tabaco.

Hoje, 31 de maio, é o Dia Mundial Sem Tabaco, e eu gostaria de homenagear todas as pessoas que, como eu, pararam de fumar. Saibam todos vocês que somos verdadeiros heróis, pois fazendo o sacrifício de deixar de fumar, estamos poupando não somente nossa própria saúde como a de todas as pessoas que nos cercam diariamente.

Aproveito para divulgar aqui um web site de apoio aos fumantes que desejam parar de fumar:

http://www.queroparardefumar.com.br

A todos os ex-fumantes, vamos celebrar nossa vitória promovendo a saúde, motivando fumantes a também vencerem esse vício tão mal-cheiroso. Juntos, podemos vencer a indústria do tabaco.

A todos os fumantes que desejam parar, força! ;-)

Ciência e Religião

Quarta-feira, 25 Abril, 2007 at 2:30 | In Fé e Igreja, Fé e Razão / Ciência e Religião | 1 Comment


Hoje em dia é normal acreditar que ciência e religião são opostos, incompatíveis, um repele o outro.
Em nome de um estado cada vez mais laico, anti-religiosos usam a ciência como pretexto até para tornar legal o assassinato de fetos indefesos.

No meio de tudo isso, surgiu alguém cujo depoimento eu gostei de ler: Francis F. Collins, o cientista que acredita em Deus.

Vale a pena ler seu depoimento. Infelizmente está em inglês. Não prometo nada, mas vou tentar traduzir. Pra quem se vira bem com a língua dos yankees, aqui vai o link.

Absurdo Monumental

Terça-feira, 7 Fevereiro, 2006 at 12:13 | In Fé e Razão / Ciência e Religião | 1 Comment

Quanto mais conheço os pensamentos do Olavo, mais me afasto de preconceitos que tinha a seu respeito e mais passo a respeitá-lo.

Hoje gostaria de trazer para o meu blog um excelente artigo, no qual ele expressa em palavras muito do que penso e sinto também a respeito do assunto.

Boa leitura!

=====

Absurdo monumental

Olavo de Carvalho
Diário do Comércio, 22 de agosto de 2005

Enquanto o povo inteiro se emociona com a mirabolante sucessão de escândalos do Mensalão, outros acontecimentos, mais discretos porém ainda mais reveladores da ruína moral e intelectual da nação, podem passar totalmente despercebidos.

Escolhi este porque é, em si, um monumento ao desastre.

O leitor sabe que quem torce pelo Flamengo é flamenguista, quem vota no Maluf é malufista, quem se dói de amores por Lula é lulista, quem quer ver o comunismo implantado no mundo é comunista. Mas, segundo decisão unânime da Primeira Turma Recursal dos Juizados Especiais do DF, quem defende a prática do aborto não pode ser chamado de abortista. Ah, isso não. O Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz, do Pró-Vida de Anápolis, SP, entidade que luta contra a legalização do aborto, foi condenado a pagar R$ 4.250,00 de multa por ter designado com esse termo uma notória defensora (bem subsidiada pela fundação MacArthur, é claro) do direito de matar bebês no ventre de suas mães, em quantidade ilimitada, a mero pedido das ditas cujas. Pior: o sacerdote foi informado pela autoridade judicial de que doravante deve abster-se de usar a palavra proibida não só ao falar da mencionada senhora, ou senhorita, mas de qualquer outra pessoa, por mais abor(CENSURADO)ista que seja.

Não sei o nome dos juízes que compõem a Turma. Mas sei que das duas uma: ou a proibição que baixaram se aplica a todos os cidadãos brasileiros ou exclusivamente ao Pe. Lodi. Na primeira hipótese, os signatários dessa nojeira ultrapassaram formidavelmente suas atribuições de magistrados e se autopromoveram a legisladores, com o agravante de que usaram dessa inexistente prerrogativa para instaurar, pela primeira vez na História universal da jurisprudência, a proibição de palavras (e logo de um termo banal do idioma, consagrado em dicionários e em pelo menos 24 mil citações no Google). Na segunda, terão negado a um cidadão em particular o direito de livre expressão desfrutado por todos os demais, configurando o mais descarado episódio de discriminação pessoal já registrado nos anais do hospício judicial brasileiro.

Num caso, usurpam a autoridade do Congresso e a usam para baixar uma lei digna da Rainha de Copas. Noutro, infringem a Constituição que lhes incumbe defender.

Bem, uma ordem que tem dois significados possíveis, antagônicos entre si e cada um absurdo em si mesmo, é, com toda a evidência, uma ordem sem significado nenhum.

Como obedecê-la, portanto? Obedecer a uma ordem é traduzir o seu significado em atos. Não havendo significado, a obediência é impossível. Ninguém pode se curvar a ela sem anular, no ato, os princípios constitucionais e legais que fundamentam a autoridade mesma de quem a emitiu.

Aos juízes da Turma Recursal cabe, portanto, a invenção desta novidade jurídica absoluta: a sentença auto-anulatória.

Se pretendem seriamente que ela seja cumprida, portanto, os magistrados brasilienses violam não somente um dos princípios fundamentais do Direito, que reza “ad impossibilia nemo tenetur” (ninguém é obrigado a fazer o impossível), mas também as leis da lógica elementar, a ordem causal da ação humana e, enfim, a estrutura inteira da realidade. Perto disso, aquele famoso prefeito de cidade do interior que mandou revogar a lei da gravidade foi um primor de modéstia, já que suspendeu somente uma das leis da mecânica clássica, deixando o resto da ordem universal em paz. O próprio Deus jamais sonhou remexer tão fundo os pilares do cosmos como o pretenderam os meritíssimos, já que anunciou desfazer no Juízo Final tão-somente o universo corpóreo presentemente conhecido, conservando intactos o princípio de identidade e os nexos de causa e efeito, sem o que não poderia julgar os vivos e muito menos os mortos. Sto. Tomás de Aquino ensinava que a onipotência divina não tem limites externos mas os tem internos: não pode anular-se a si própria, decretando uma absurdidade intrínseca. Para os juízes da Turma Recursal, isso não é obstáculo de maneira alguma.

Se os leitores pensam que a comédia parou por aí, enganam-se. Uma sentença que não tem sentido lógico requer interpretação psicológica. Mas quando tentamos sondar a obscuridade mental de onde suas excelências extraíram o fruto patético de suas caraminholações, defrontamo-nos com uma dificuldade insuperável: ou esses juízes compreendem o sentido do que assinaram, ou então assinaram a esmo, de supetão, num arrebatamento paroxístico que só poderia alegar em defesa própria o atenuante da insanidade. No primeiro caso, são um grupo revolucionário místico-gnóstico pelo menos tão perigoso quanto o de Jim Jones, empenhado em corrigir os erros do Todo-Poderoso mediante a supressão da realidade. No segundo, estão absolutamente incapacitados para a função judicial ou aliás para qualquer outra, sendo obrigação da corregedoria removê-los imediatamente do cargo e devolvê-los aos cuidados de suas respectivas mães, para que estas apliquem nos seus bumbuns os corretivos requeridos em casos de molecagem intolerável.

Incapaz de atinar com algum sentido lógico ou psicológico na enormidade judiciária brasiliense, acredito no entanto que posso encontrar para ela uma explicação sociológica: Suas Excelências são o produto acabado da universidade brasileira. Quatro décadas de desconstrucionismo, multiculturalismo, “direito alternativo”, teologia da libertação e slogans politicamente corretos, sem nenhum contrapeso de racionalidade científica e educação clássica, bastam para infundir em pessoas clinicamente sãs a doença espiritual do irracionalismo anticósmico, de modo que, continuando a agir de maneira normal no dia a dia, são subitamente atacadas de autodivinização aguda quando no exercício de alguma função que lhes pareça ter relevância ideológica. Aí, sem a menor hesitação de consciência, passam a exigir que dois mais dois dêem cinco, que os pássaros voem para trás, que as vacas produzam vinho francês em vez de leite e que a soma dos ângulos internos dos triângulos dê 127,5. E fazem tudo isso acreditando cumprir uma alta missão ético-social. Já vamos para a terceira geração de estudantes brasileiros afetados por essa grotesca deformidade do espírito. Não é de espantar que, elevados ao cargo de magistrados, esses meninos tenham alguma dificuldade de discernir entre a toga judicial e a capa do Super-Homem.

Próxima Página »

Blog no WordPress.com. | Theme: Pool by Borja Fernandez.
Entries and comments feeds.