Defendi Dom José e fui censurado
Quinta-feira, 31 Janeiro, 2008 at 11:32 | In Bioética / Defesa da Vida, Fé e Razão / Ciência e Religião | 7 CommentsTags: blog, catolicismo, internet, Sociedade, vida
O autor do blog não parece ser uma pessoa muito entendida a respeito de assuntos de leis, e muito menos de moral religiosa. Mas, como o filósofo Olavo de Carvalho costuma repetir ad nauseam, no Brasil todo mundo acha que tem que dar opinião sobre tudo, não é?
Postei um comentário defendendo o ponto de vista de Dom José (e da doutrina católica), e acabamos, eu e o tal Joel, travando um pequeno e saudável debate. Saudável até o ponto em que, na minha última resposta, fui sumariamente censurado. O autor do blog alegou ofensas pessoais. Como eu não fiz ofensa nenhuma, e além disso ele resolveu me ignorar, vou colocar aqui, no meu próprio blog, a minha resposta que ele censurou, já que este aqui é o espaço que eu tenho — aqui ninguém me censura, ok?
Em verde está a minha fala, e em vermelho, faço citações das falas do Joel.
Paz e Bem!
———-
Joel, você me diz:
Espero que possamos manter essa discussão de forma madura e sem sarcasmos. Não estou aqui para dar aula para ninguém, apenas respondi de forma detalhada sobre um assunto pertinente ao aborto e sua fisiologia de um modo geral. Não tenho a mínima intenção de moderar/vetar seus comentários,mas para isso, peço-lhe apenas que tratemos este “fórum” como adultos.
Minha intenção era essa (discussão madura) desde o início. Mas estranhei sinceramente sua “aula” de educação sexual. Repito: não preciso dela, e achei uma petulância sem tamanho sua tentativa de “ministrá-la”.
Gostaria de lembrá-lo que a noção de realidade da mente humana é tênue, a realidade em si é inapreensível aos sentidos e até mesmo ao intelecto humano, que trabalha com probabilidades e modelos. Somos guiados pelos nossos sentidos,raciocínio, impressões, convicções e sentimentos mas adotar “nossa” verdade como a “verdade” absoluta seria um erro.
Li certa vez uma frase que dizia “uma pessoa de bom senso é lúcida, sábia e nunca discorda de você”. Quando você diz que a pílula é abortiva, será realmente que você está certo e todos os outros estão errados? A promotoria de Recife está errada? O parecer técnico expedido está errado? Você pode realmente afirmar que os médicos, cientístas e tantos estudiosos mundo a fora estão errados embasando-se unicamente em suas convicções Fabrício?
Primeiramente, eu não estou obrigando ninguém a concordar comigo. Estou apenas fazendo um convite ao bom senso. Quem foi que disse que a ciência é dona da verdade? Quer dizer que vivemos numa ditadura científica? O que eu quero dizer é que a própria ciência não é absoluta, ou seja, há na ciência quem acredite e defenda que a pílula do dia seguinte seja abortiva, e há quem acredite e defenda que não seja*. O bom senso sempre indica o caminho do “benefício da dúvida”. Neste caso, por moral ou imoral, seria melhor escolher não utilizá-la. É uma questão de lógica.
Quanto às tuas afirmações sobre que a realidade é inapreensível, acho que você anda lendo muito Descartes. Leia um pouco de Kant. Vai te fazer bem ampliar um pouco seus horizontes. A realidade é bem palpável, amigo. Não se iluda pegando o bonde do relativismo.
Mesmo que o fosse [aborto], você deu a devida atenção ao trecho “A contracepção de emergência age ANTES disso: evita a ovulação e atrapalha a mobilidade dos espermatozóides, não permitindo que cheguem às trompas e, conseqüentemente, a fecundar o óvulo.” onde explica que fecundação não chega a acontecer?
Meu amigo, veja sua “cegueira” (acho que posso falar assim, uma vez que você se dirigiu assim a Dom José simplesmente porque ele exerceu um direito legítimo): você tem certeza de que a pílula do dia seguinte age antes da fecundação, sempre?! Mais uma vez eu lhe convido ao bom senso de dar o benefício da dúvida. Nem sempre a pílula do dia seguinte age antes da fecundação. Eu até ousaria dizer que essa hipótese só acontece na minoria dos casos, mas não direi pois não tenho números pra comprovar. A questão é que as pílulas do dia seguinte são distribuídas por aí sem nenhum critério. E como diria o Reinaldo Azevedo, são verdadeiras bombas hormonais.
Isso é não é um eufemismo e sim uma definição empregada meramente ao fato de ser uma contracepção pós ato sexual, talvez seja hora de rever alguns conceitos.
Uma contracepção pós ato sexual e, por isso, com um risco enorme de provocar uma interrupção voluntária de gravidez (outro eufemismo para “aborto”). Voluntária porque há esse risco. Basta ler a bula. Quanto ao convite para rever conceitos: sinta-se convidado para o mesmo!
Uma outra questão pra você refletir: o Ministério da Saúde fala em usar todos os recursos possíveis para evitar gravidezes indesejadas e doenças sexualmente transmissíveis. Do pondo de vista lógico-racional: você acha saudável a associação que a Prefeitura de Recife faz entre Carnaval e a “contracepção de emergência”? Você não vê, aí, um “libera geral” que pode incentivar inconscientemente ainda mais a proliferação de doenças sexualmente transmissíveis?
Paz e Bem!
* A própria bula dos fármacos vendidos como “pílula do dia seguinte” são muito claras: são abortivos, na medida em que a pessoa, ao tomar, não sabe se a fecundação do óvulo pelo espermatozóide já aconteceu ou não. O fármaco age tanto antes quanto depois da fecundação, impedindo o embrião de se instalar nas paredes do endométrio, e causando um aborto químico. Portanto, quem está mentindo? A verdade, meu amigo, só tem um lado.
7 Comentários »
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Fabricio, veja como e’ importante o trabalho sobre a teologia do corpo. Ainda bem que ja chega a sexta-feira… :) Comentei no blog do Joel. Cada um tem sua opiniao, nao? Vamos colaborar com a informacao, como voce fez muito bem.
Comentário por Wagner Moura — Quinta-feira, 31 Janeiro, 2008 #
Fabrício, admiro realmente pessoas como você que lutam com garras e dentes para defender suas convicções.
Realmente não entendi o título de seu artigo, seus dois comentários estão lá na íntegra e o terceiro comentário, desnecessariamente ofensivo, enviei para você por e-mail pedindo-lhe moderação e continuei até agora aguardando um retorno.
O motivo pelo qual pedi que você moderasse é simples: Não sei se por falta de argumentos ou demais motivos, você me ataca chamando-me de petulante, apela para fatos já esclarecidos como a “aula” que você diz que ministrei mesmo depois de eu ter explicado que apenas levantei detalhes sobre uma questão que você levantou (o aborto) e age com sarcasmo.
Peço que você mantenha a discussão de forma madura e você diz que sua intenção desde o início era essa (discussão madura) mas diz o que falo são asneiras e enquanto todo o tempo te tratei com respeito você refere-se a mim como “o tal Joel” e diz ter sido censurado quando simplesmente enviei o comentário de volta depindo moderação e que você agisse como adulto ao invés de arbitrariamente me chamar de petulante.
Não tente apoiar-se no fatalismo, não sou seu inimigo logo não precisa tratar-me como tal.
Desejo muita paz pra você Fabrício, espero que essa paz lhe forneça a reflexão necessária para reavaliar sua postura em relação a esse assunto.
Comentário por Joel Teixeira — Quinta-feira, 31 Janeiro, 2008 #
Joel diz:
Fabrício, admiro realmente pessoas como você que lutam com garras e dentes para defender suas convicções.
É o mínimo que posso fazer. Ainda mais quando essas “convicções” a que você se refere, na verdade se tratam das verdades da Doutrina cristã. Meus leitores sabem bem do que estou falando.
Realmente não entendi o título de seu artigo, seus dois comentários estão lá na íntegra e o terceiro comentário, desnecessariamente ofensivo, enviei para você por e-mail pedindo-lhe moderação e continuei até agora aguardando um retorno.
Mentira. Você julgou meu terceiro comentário ofensivo não sei por quê. Eu recebi seu e-mail, e o respondi, perguntando onde é que eu tinha te ofendido. Quem continua aguardando resposta até agora sou eu.
O motivo pelo qual pedi que você moderasse é simples: Não sei se por falta de argumentos ou demais motivos, você me ataca chamando-me de petulante, apela para fatos já esclarecidos como a “aula” que você diz que ministrei mesmo depois de eu ter explicado que apenas levantei detalhes sobre uma questão que você levantou (o aborto) e age com sarcasmo.
Eu te chamei de petulante não pela falta de argumentos. Estes eu tenho de sobra, e estão sendo solenemente ignorados por você. Por exemplo, a prova de que a pílula do dia seguinte é abortiva está na própria página do fabricante medicamento.
O motivo pelo qual eu te chamei de petulante foi porque você ousou ministrar-me uma aula de educação sexual julgando que eu fosse algum ignorante no assunto. Eu me senti ultrajado com sua atitude.
Peço que você mantenha a discussão de forma madura e você diz que sua intenção desde o início era essa (discussão madura) mas diz o que falo são asneiras e enquanto todo o tempo te tratei com respeito (…)
Me dar uma aula de educação sexual é me tratar com respeito? Não é subestimar minha inteligência?
(…) você refere-se a mim como “o tal Joel” (…)
Eu disse “o tal Joel” porque não te conheço pessoalmente. Tal Joel significa “aquele Joel” ao qual eu havia me referido, e não um outro Joel qualquer. Sinceramente? Não há necessidade para esse melindre.
“(…) e diz ter sido censurado quando simplesmente enviei o comentário de volta depindo moderação e que você agisse como adulto ao invés de arbitrariamente me chamar de petulante.”
Eu te acho petulante, e não vejo nenhum problema em manter a minha opinião. É uma questão de honestidade para contigo e para comigo mesmo. E até o momento você não conseguiu me convencer de que eu estou equivocado. Quanto à questão da moderação, já esclareci. Eu te pedi explicações de onde foi que te ofendi, e continuei aguardando teu e-mail.
“Não tente apoiar-se no fatalismo, não sou seu inimigo logo não precisa tratar-me como tal.”
Apoiar-me no fatalismo? Meu inimigo? Eu nunca considerei você como meu inimigo. Isso aqui ainda é um debate, certo?
Desejo muita paz pra você Fabrício, espero que essa paz lhe forneça a reflexão necessária para reavaliar sua postura em relação a esse assunto.
De minha parte, eu desejo que você reflita melhor antes de sair repetindo as asneiras que normalmente se publica contra as atitudes da Igreja. Tente enxergar os dois lados. Tente enxergar o bem das pessoas antes de taxá-las de “cegas” ou dizer que elas “baixaram o nível”.
Atitudes como essa demonstram que hoje em dia, quem pratica o obscurantismo não é a Igreja.
Sinta-se à vontade se quiser continuar este debate de forma tranqüila e democrática. Mas da próxima vez responda aos meus argumentos, porque neste comentário, mais uma vez, você os ignorou.
Será mesmo que é a mim que andam faltando os argumentos?
Paz e Bem!
Comentário por Fabrício L. Ribeiro — Quinta-feira, 31 Janeiro, 2008 #
Fabrício, Pax et bonum freter meus, vejo que vc é muito católico- o que já é uma ótima qualidade- e que é admirador de O. Carvalho, ou seja, qualidade ao quadrado. Fico triste em saber que há na nossa sociedade um desconhecimento gritante acerca de temas como o aborto, aids e DSTs de um modo geral. Sou estudante de Filosofia da Universidade Federal de Alagoas e tenho um blog q trata de assuntos relevantes para a sociedade, assim como o seu blog. Desde já te parabenizo pela coragem e pela forma clara de argumantar, um abraço.
Comentário por Mário Jorge Ferreira de Lima — Domingo, 3 Fevereiro, 2008 #
Olá Mário Jorge,
Agradeço os elogios, e retribuo: teu blog também é muito bom! Digno de uma recomendação!
Paz e Bem!
Comentário por Fabrício L. Ribeiro — Segunda-feira, 4 Fevereiro, 2008 #
[...] pílula do dia seguinte e o início da vida Tive recentemente uma discussão com outro blogueiro, que criticou a Arquidiocese de Recife taxando-a de “cega” pela atitude do Arcebispo [...]
Pingback por A pílula do dia seguinte e o início da vida « Palavras Apenas… — Quinta-feira, 14 Fevereiro, 2008 #
Caríssimo Fabrício.
Chega a me fartar esse positivismo de boteco que arrola os resultados da ciência como expressão última da verdade. Desde Husserl, Heidegger, ou mesmo Kant e por que não Platão, nas suas considerações sobre a téchne, apenas incautos ou aqueles que agem deliberadamente por má-fé ainda trazem à conversa argumentos como “o parecer técnico está errado?”
É preciso, de fato, combater.
Abraços.
Comentário por Gabriel — Sábado, 23 Fevereiro, 2008 #